O Atlético de Madrid foi “escolher” um péssimo momento para cair de rendimento na temporada. Depois de dois tropeços seguidos contra o Levante em La Liga, os Colchoneros estenderam a sequência ruim para a Champions League, perdendo por 1 a 0 para o Chelsea, no confronto de ida das oitavas de final, atuando como mandante, ainda que em Bucareste, devido a restrições de viagem causadas pela .

Diante de um Chelsea que vive ainda seu início de trabalho sob , Simeone talvez tenha superestimado demais seu adversário. A estratégia de jogo adotada pelo argentino foi excessivamente cautelosa, abdicando completamente de qualquer ideia de jogo propositivo, recuando a equipe inteira atrás da linha da bola e jogando pelo contra-ataque – que pouquíssimo acionou, diga-se. No fim, a estratégia acovardada acabou punida por uma bonita bicicleta de Olivier Giroud na metade do segundo tempo.

Na mesa tática, Tuchel e Simeone foram com formações similares. O Atleti fez um 3-4-2-1, com e Ángel Correa apoiando Suárez, enquanto o Chelsea, em desenho parecido, teve Werner e Mount atrás de Giroud, além de Callum-Hudson Odoi na ala direita, preferido em detrimento de Reece James. Esta, no entanto, era a configuração de início, pois na prática o Atleti atuou parte significativa do tempo com uma linha de seis defensores e apenas Suárez um pouco mais avançado em alguns momentos.

Com o 0 a 0 no placar, o Atlético esteve mais preocupado em evitar sofrer um gol como anfitrião do que em buscar a dianteira no marcador. O primeiro tempo deixou essa estratégia muito evidente, com o Atleti entregando a bola ao Chelsea sem pudor algum – os Blues foram para o intervalo com 72% da posse. Em termos de arremates, naturalmente, superioridade também para o time de Tuchel, com cinco finalizações contra apenas uma dos Colchoneros, para fora do gol.

Foi justamente a chance do time da casa, no entanto, a que mais levou perigo na primeira etapa. Ainda aos 14 minutos, Suárez pressionou a defesa, tomou a bola perto da linha de fundo e cruzou baixo para Lemar, do outro lado da área. O francês não chegou cedo o bastante para pegar em cheio na bola, e sua finalização foi à linha de fundo, à direita do gol de Édouard Mendy.

Em lance parecido na sequência, aos 15 minutos, Callum Hudson-Odoi cruzou da direita, e, na segunda trave, Werner quase chegou para concluir a gol, mas não alcançou a bola. A melhor oportunidade dos Blues na primeira etapa veio também com o alemão, que recebeu passe após boa trama entre Kovacic e Mount e, de dentro da área, sem muito ângulo, bateu forte, para boa defesa de Oblak.

A segunda etapa foi um pouco mais equilibrada nos números, mas o Atlético demorou a dar o braço a torcer e a buscar um jogo mais ofensivo. Foi lentamente aumentando seu volume de chegada ao ataque, mas sem nada notável até que sofresse o primeiro gol. Aos 13 minutos, em uma das poucas jogadas de contra-ataque levadas a cabo, fez a transição rápida, com João Félix abrindo pela esquerda com Lemar e aparecendo na área para finalizar de bicicleta, por cima do gol, após interceptação inicial da defesa do Chelsea.

Os Blues chegaram ao decisivo gol aos 23 minutos do segundo tempo. Kovacic tocou para a ultrapassagem de Marcos Alonso, que cruzou para a entrada da área. Giroud brigou pela bola, Mount dividiu a sobra com Mario Hermoso, e ela caiu de novo no francês, que acertou uma bonita bicicleta no canto direito de Oblak. Inicialmente, o tento foi invalidado por posição de , mas uma longa verificação pelo VAR confirmou que o toque saiu na verdade de Hermoso, deixando Giroud em posição legal.

Só depois de sofrer o gol o Atleti mudou sua postura, e Simeone ainda levou um tempo para fazer alterações. Aos 37 minutos da segunda etapa, entraram Torreira, Renan Lodi e Moussa Dembélé nos lugares de Saúl, João Félix e Ángel Correa. Dois minutos mais tarde, mudando a composição tática, Simeone colocou Vitolo na vaga de Hermoso. No entanto, era tarde demais para buscar qualquer reação. Sem ter construído impulso ofensivo ao longo do jogo, tampouco conseguiu ameaçar a meta de Mendy na reta final.

Precisando agora reverter um 1 a 0 na casa do adversário, já que a partida de volta, por ora, segue mantida no Stamford Bridge, o Atlético se encontra em maus lençóis e precisará buscar outra abordagem se quiser continuar na . A seu favor, contará com os desfalques de Mason Mount e Jorginho, ambos suspensos para a volta por acúmulo de cartões amarelos. Por outro lado, o elenco de Tuchel é forte, como provaram as entradas de Kanté e Ziyech na reta final do jogo.