Mais uma vez com o pé para fora do Chelsea, Giroud saiu do banco para resgatar a vitória – e a vaga
Frank Lampard teve que responder perguntas sobre o futuro de Olivier Giroud. De novo. O próprio jogador deu indicações de que estaria pensando em trocar de clube, em janeiro, de olho em sacramentar sua vaga na seleção francesa para a Eurocopa. Seu empresário foi mais taxativo, até um pouco poético – “ele talvez tenha que experimentar outras emoções”. Não está jogando. Foi titular apenas uma vez na temporada. O treinador do Chelsea deixou a porta aberta para uma transferência, mas fez questão de sublinhar que ainda acredita que o francês de 34 anos tem o que contribuir ao seu time. Depois desta terça-feira, não dá para dizer que estava errado. Giroud resgatou a vitória do Chelsea sobre o Rennes, por 2 a 1, com um gol nos minutos finais, que garantiu vaga aos ingleses nas oitavas de final.
Giroud teve o seu momento Michael Corleone em Poderoso Chefão 3 – “quando eu pensava que estava fora, eles me arrastam de volta” – no começo do ano. Lampard, porém, não conseguiu contratar uma reposição e impediu a saída quase certa do atacante, embora não o estivesse utilizando com frequência. A queda de rendimento de Tammy Abraham mudou esse cenário, e Giroud foi essencial para a vaga na Champions League, com oito gols nas 13 rodadas finais da Premier League.
A questão parecia resolvida. Giroud havia se provado uma peça útil de elenco e assinou novo contrato por uma temporada, até o final de 2020/21. Acontece que o Chelsea abriu os cofres, após um ano sem poder contratar, e trouxe Timo Werner, além de peças ofensivas para outras posições do ataque, como Havertz e Ziyech. Giroud foi mais uma vez colocado de lado. Havia entrado em campo durante apenas 130 minutos antes do jogo contra o Rennes, com apenas uma aparição desde o início, pela Copa da Liga, contra o Tottenham.
E Deschamps deu o recado: “A situação em que ele está agora não pode durar para sempre. Antes de março, ele terá que encontrar uma situação diferente desta. Ele sabe o que penso, mesmo que eu não esqueça tudo que ele fez e tudo que ainda pode fazer”. E aí, começou a movimentação de Giroud e seu empresário indicando uma transferência em janeiro. O gol da classificação não deve mudar esse cenário, mas foi mais uma evidência do quão competente Giroud é em seu ofício.
Timo Werner poderia ter tornado o jogo mais fácil para o Chelsea. Perdeu, logo aos quatro minutos, aquela oportunidade que parece impossível de perder, mas que ele conseguiu mesmo assim. Azpilicueta tramou com Hudson-Odoi pela direita, o jovem atacante inglês cruzou rasteiro, e Werner, na entrada da pequena área, com bastante espaço, mandou muito por cima do travessão de Alfred Gomis.
Mas tudo bem. Não demorou tanto para o Chelsea abrir o placar. Mount roubou uma bola no campo de defesa e, antes de cruzar a linha de meio-campo, lançou com perfeição para Hudson-Odoi que entrou na área e tocou na saída de Gomis para fazer 1 a 0. Mount quase marcou o segundo, em um cruzamento de Chilwell, um dos melhores nomes do primeiro tempo, mas parou no goleiro do Rennes.
Isso foi aos 30 minutos. Dali até o intervalo, o Chelsea entrou em sono profundo. Sehrou Guirassy teve chance parecida com a de Werner, após boa jogada de Jérémy Doku pela direita, mas também isolou. Chillwell deu um belo passe para Guirassy, na entrada da área, que teria sido melhor se o receptor fosse do seu time. Thiago Silva conseguiu se recuperar e fazer o corte, antes de pedir desculpas porque havia pedido a bola e saído de posição.
Damien Da Silva subiu bem na segunda trave para completar o escanteio, em cima de Mendy, que afastou de soco. E nos segundos finais, Guirassy foi derrubado na entrada da área. Benjamin Bourigeaud cobrou, a bola desviou em Azpilicueta e assustou os torcedores do Chelsea vendo o jogo em casa pela TV.
A situação não melhorou no segundo tempo. O Rennes continuou tocando bem a bola, muito perigoso na bola parada, fazendo a defesa do Chelsea suar, enquanto o ataque não conseguia se encontrar. Faltou criar mais chances perigosas, mas Édouard Mendy teve muito trabalho para defender a cabeçada de Nyamsi, aos 30 minutos da etapa final.
Os escanteios eram a principal arma dos franceses. Em seu 11º e último, o time da casa conseguiu enfim arrancar o empate. Bourigeaud cobrou novamente, e Guirassy subiu com bastante liberdade para cabecear com firmeza e empatar, a cinco minutos do fim da partida.
Lampard havia usado quatro das suas cinco substituições. N’Golo Kanté, especialmente, foi importante para melhorar a pegada no meio-campo. Ziyech e Giroud, para construir a jogada do segundo gol. O marroquino carregou pelo meio e abriu com Werner, que perdeu outra chance clara. A bola, porém, pegou no goleiro e subiu. Giroud ganhou bem pelo alto e cabeceou exatamente onde precisava cabecear para garantir a vitória do Chelsea. O segundo maior artilheiro da seleção francesa sabe o que faz.
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