Champions League

Emre Can se redescobriu na recuperação recente do Dortmund e foi central à vitória sobre o Chelsea

Emre Can auxilia a dar estabilidade para o Borussia Dortmund nas últimas partidas e teve grande desempenho no Signal Iduna Park

Quando Emre Can chegou ao Borussia Dortmund, em janeiro de 2020, parecia um bom negócio. O momento do meio-campista na Juventus não era dos melhores, mas ele tinha bagagem em alto nível e capacidade para se redescobrir. Os primeiros seis meses emprestado foram positivos e valeram a contratação em definitivo. Porém, nas últimas duas temporadas, o alemão não compensou os €25 milhões pagos em sua compra. Era um símbolo do marasmo do BVB e tantas vezes suscetível a erros, improvisado na zaga ou na lateral. Mas, quando já parecia difícil de acreditar numa volta por cima, Can está entre as razões da recuperação recente do Dortmund. Vem em boa sequência e foi fundamental na vitória por 1 a 0 sobre o Chelsea, na ida das oitavas de final da Champions.

Emre Can sequer começou a atual temporada como titular. O meio-campista só começou jogando uma das primeiras oito rodadas da Bundesliga. Entraria no time num período de tropeços recorrentes e não auxiliou tanto assim, antes de voltar ao banco. Foi somente durante a pausa de inverno que Edin Terzic redesenhou a equipe do Borussia Dortmund e recuperou a confiança no volante. Em sua posição ideal, o camisa 23 só não esteve no time desde janeiro quando teve problemas musculares.

O Borussia Dortmund melhorou como um todo. A equipe venceu os sete jogos que disputou nesta volta às atividades em 2023. Nem sempre os triunfos vieram com tranquilidade ou bom futebol, mas a sequência positiva aumentou os créditos sobre os aurinegros. As chances na Bundesliga se reavivam, o time segue firme na Copa da Alemanha. E também pode almejar a classificação na Champions, contra um Chelsea que não vem em melhor fase. Obviamente, Emre Can não é a razão única do embalo, com o encaixe de outras peças e a volta de jogadores antes ausentes. Mas é fato que o meio-campista facilita o trabalho.

Nas últimas rodadas da Bundesliga, Emre Can manteve sua regularidade e teve boas atuações, em especial na vitória sobre o Bayer Leverkusen. Mas nada comparado ao que se viu contra o Chelsea. O alemão ficou fixo na cabeça de área, como primeiro volante no 4-1-4-1, para limpar os trilhos diante da defesa e iniciar as subidas para o ataque. Destacou-se mesmo fazendo um trabalho mais árduo. Ao lado de Salih Özcan, servia de termômetro no bom primeiro tempo e dava mais segurança para as escapadas dos principais talentos, em especial Jude Bellingham e Julian Brandt, ambos em alta nesta guinada recente do Dortmund.

Já durante o segundo tempo, o Chelsea provocou uma blitz. Emre Can seria mais exigido do ponto de vista defensivo, embora tenha feito bons desarmes desde a primeira etapa. O camisa 23 deu combate, orientou o posicionamento dos companheiros, chegou mais duro quando necessário. Conseguiu conter a insistência dos Blues, ao lado de outros que foram bem na noite, como Nico Schlotterbeck e Gregor Kobel. Quando o goleiro não ia conseguindo parar um chute de Kalidou Koulibaly, aliás, foi Can quem apareceu para rasgar a bola salvadoramente em cima da linha.

Emre Can terminou a partida entre os líderes em várias estatísticas. Foi quem mais desarmou, quem mais bloqueou chutes, quem mais interceptou passes. Simbolizou uma boa atuação defensiva do Dortmund, que conseguiu segurar o abafa. Mesmo que Kobel tenha precisado fazer oito defesas, somente três foram realmente difíceis, e duas delas em chutes de fora da área. Tantas vezes visto como um ponto fraco do BVB, o sistema defensivo tem responsabilidade direta pelos bons resultados. E, com isso, Can por seu trabalho.

Emre Can ainda é um jogador abaixo daquilo que um dia prometeu quando fazia parte da base do Bayern de Munique e o viam como um sucessor de Bastian Schweinsteiger. Também não conseguiu manter a toada quando parecia se firmar como profissional, em bons momentos no Liverpool. Mas, aos 29 anos, ainda pode dar a sua contribuição. E um dos méritos do Dortmund neste momento é também redescobrir a importância de um jogador que parecia perdido. Fez a diferença para sustentar as chances de classificação nas oitavas da Champions. Mesmo que o Chelsea tenha problemas, não falta qualidade individual, e Can auxiliou a neutralizá-la.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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