Champions League

Em sua última semifinal, dez anos atrás, Liverpool sofreu a vingança do Chelsea

O maior campeão europeu da Inglaterra está mais uma vez entre os quatro melhores times da Champions League. O Liverpool derrotou o Manchester City por 2 a 1, no Etihad Stadium, ampliando a vantagem que havia construído em Anfield, por 3 a 0, e se classificou às semifinais pela décima vez em sua história e a primeira desde 2008, quando foi derrotado pelo Chelsea, por 3 a 2, em Stamford Bridge, na prorrogação.

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Aquela vitória significou bastante para o Chelsea. Valeu o tíquete para a sua primeira final europeia e foi a vingança das eliminações de 2005 e 2007, ambas nas semifinais e para o time de Rafa Benítez. Os Blues repetiriam o feito nas quartas da temporada seguinte, o último suspiro do Liverpool antes da seca de futebol europeu e de anos obscuros, com troca de donos, treinadores e jogadores medianos, antes de ser resgatado pelo projeto de Jürgen Klopp.

Era uma equipe vermelha mais qualificada do que a campeã europeia de 2005. Mascherano havia chegado para fazer o trio de meio-campo com Xabi Alonso e Steven Gerrard, e o ataque contava com o explosivo Fernando Torres, em sua primeira temporada pelo clube de Anfield. Ao mesmo tempo, alguns bondes contratados por Benítez, o grande pecado dele no comando do Liverpool, já emergiam na equipe, como Benayoun, Pennant e Voronin.

Não foi o bastante para uma grande campanha na Premier League. Foi quarto colocado, a 11 pontos do campeão Manchester United. Mas, fazendo justiça à sua tradição, conseguiu outra trajetória de destaque no futebol europeu, com a terceira semifinal em quatro temporadas. Superou a Internazionale nas oitavas de final e o Arsenal nas quartas. Chegou entre os quatro primeiros ao lado de outros dois ingleses: Manchester United, que derrotaria o Barcelona, e o Chelsea, em transição após a (primeira) demissão de José Mourinho.

O comandante era o interino Avam Grant, esquentando o banco de reservas para a chegada de Luiz Felipe Scolari, no verão seguinte. A grande contratação da temporada havia sido Nicolas Anelka, juntando-se a medalhões que já estavam no clube, como Ballack, Shevchenko, Drogba, Lampard, Makélélé, Ashley Cole e Petr Cech. A caminhada com o interino israelense deu certo, com a inédita final europeia, o vice-campeonato inglês, a dois pontos do United, e a decisão perdida para o Tottenham na Copa da Liga Inglesa.

O Chelsea saiu feliz de Anfield depois da primeira partida. O Liverpool foi superior e exigiu boas defesas de Cech com Fernando Torres, duas vezes, e em um balaço cruzado de Gerrard, no segundo tempo. O placar havia sido aberto por Kuyt, a poucos minutos do intervalo, e foi igualado com um gol contra de Riise, quando o jogo já caminhava para uma vitória magra dos donos da casa. Kalou cruzou da esquerda e, por algum motivo, o lateral esquerdo achou que era uma boa ideia mergulhar de peixinho para fazer o corte. Mandou para as próprias redes: 1 a 1.

Em Stamford Bridge, o Chelsea era mais perigoso. Arriscou quatro vezes de fora da área para assustar Reina e Drogba, tabelando com Lampard, quase abriu o placar com um chute cruzado. No outro lado, uma jogada espelhada: Torres, tabelando com Gerrard, entrou na área pela esquerda e bateu em cima de Cech. O gol azul saiu de uma jogada de Kalou, espalmada por Reina. Drogba apareceu como um foguete para pegar o rebote com um lindo chute colocado. Ballack quase ampliou de falta, antes do intervalo.

Cech frustrou Kuyt, com uma ótima intervenção, mas não conseguiu parar Torres, que recebeu a bola de Benayoun e tocou no canto, garantindo a prorrogação. No começo do tempo extra, Hyypia quase marcou o segundo do Liverpool de cabeça, e Essien botou a bola na rede, mas viu seu gol ser anulado por um quádruplo impedimento. E aí, Hyypia aprontou. Errou o domínio dentro da própria grande área e Ballack recuperou. O zagueiro foi afoito na tentativa de recuperar a bola e cometeu o pênalti.

Lampardo cobrou e fez 2 a 1 para o Chelsea, mas não foi um gol banal. Era seu primeiro jogo como titular desde a morte da mãe Pat, seis dias antes. O capitão teve a frieza de bater o pênalti muito bem e explodiu de emoção ao ver a rede balançar. Caiu de joelhos no canto do gramado, beijou a braçadeira preta que carregava e apontou para os céus, onde acredita que ela estava.

Anelka recebeu pela direita e cruzou para Drogba completar, de dentro da pequena área, e praticamente garantir a vaga do Chelsea. Mas um tiro da intermediária de Babel deu ao Liverpool alguma esperança e assegurou um final nervoso em Stamford Bridge que, no entanto, terminou em felicidade para os donos da casa.

Aquela foi apenas a segunda vez na história que o Liverpool chegou às semifinais e não conseguiu alcançar a próxima fase. A primeira havia sido em 1964/65, derrotado pela Internazionale de Helenio Herrera. Todas as outras sete semis terminaram com vaga na final, com cinco títulos e dois vice-campeonatos. Aproveitamento invejável para os adversários ficarem de olho.

As escalações do jogo decisivo em Stamford Bridge:

Chelsea: Cech, Essien, Carvalho, Terry, Ashley Cole, Joe Cole (Anelka), Ballack, Makelele, Lampard (Shevchenko), Kalou (Malouda), Drogba.

Liverpool: Reina, Arbeloa, Carragher, Skrtel (Hyypia), Riise, Kuyt, Alonso, Mascherano, Benayoun (Pennant), Gerrard, Torres (Babel).

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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