Champions League

Em sua antiga casa, Vertonghen exibiu o seu melhor para ser um dos pilares na classificação do Benfica

Aos 34 anos, Vertonghen fez uma partida de altíssimo nível ao lado de Otamendi para frustrar o Ajax em Amsterdã

O Benfica se classifica às quartas de final da Champions League graças ao ótimo trabalho de sua defesa na Johan Cruyff Arena. O Ajax teve ampla posse de bola, mas raríssimas brechas para finalizar com espaço. Os dois únicos tiros no alvo vieram de fora da área e os lances mais efetivos terminaram anulados por impedimento. Os encarnados mantiveram um nível de foco impressionante durante o duelo, para não ceder em meio à pressão e controlar um adversário muito perigoso, mesmo que não venha em sua melhor fase. E a noite marcante em Amsterdã teria um destaque especial a Jan Vertonghen. Em sua antiga casa, o beque de 34 anos lembrou seus melhores tempos e foi uma verdadeira liderança aos lusitanos.

Vertonghen está entre os grandes zagueiros do futebol europeu na última década. A projeção que ganhou no próprio Ajax referendou sua qualidade. Já pelo Tottenham, mesmo sem títulos, brilhou o suficiente para ser reconhecido como ídolo e ganhar também o respeito na Premier League. Concomitantemente, teve sua ponta de brilho com a seleção belga. A qualidade técnica do defensor é inquestionável, a exemplo dos ótimos momentos também como lateral. Mas, com a queda na capacidade física, perdeu espaço nas grandes ligas.

A transferência ao Benfica adaptava Vertonghen a um novo nível competitivo em Portugal, enquanto garantia sua presença na Champions League. O zagueiro ainda conviveria com momentos de desconfiança no Estádio da Luz e a sinalização de sua instabilidade, sem alcançar o torneio internacional na temporada passada. Mesmo assim, cresceu com o tempo. Provou-se importante pela experiência e liderança que poderia oferecer em grandes momentos. Tanto é que se tornaria uma peça central na atual caminhada na Champions.

Vertonghen teve algumas boas partidas já na fase de grupos da Champions. Ainda assim, sua capacidade se tornaria mais vital em Amsterdã. Num estádio onde atuou por anos no início de sua carreira, o belga seria chave. Cabe dizer que todo o sistema defensivo do Benfica jogou bem na Johan Cruyff Arena. Gilberto e Alejandro Grimaldo deram conta da insistência dos anfitriões pelos lados, Nicolás Otamendi chegou firme em todas. No segundo tempo, Soualiho Meité saiu bem do banco e auxiliou bastante Julian Weigl na cabeça de área. Mesmo atletas mais ofensivos, como Everton Cebolinha e Darwin Núñez, não deixaram de se entregar. Mas o ponto nevrálgico no sistema de Nélson Veríssimo foi mesmo Vertonghen.

O Ajax acabou insistindo muito nos cruzamentos. Vertonghen foi muito bem no jogo aéreo, para afastar os perigos e reduzir os riscos com a presença de área de Sébastien Haller. O centroavante pouco apareceu na noite. O belga quase sempre se posicionava muito bem e travava a insistência dos Ajacieden. Além disso, até mesmo no ataque o veterano deu um respiro. Os encarnados dependiam das bolas paradas e, em suas subidas à área, Vertonghen chegou a proporcionar lances perigosos. Foi um exemplo da firmeza dos benfiquistas no duelo, sem sentir os 34 anos para manter a consistência até o último minuto. Com o bloco baixo do time, não esteve exposto e sua qualidade pesou bem mais que qualquer indagação sobre o físico.

O Benfica deverá lidar com desafios duros nas quartas de final da Champions. A tendência é pegar algum adversário com mais capacidade ofensiva e, assim, lidar com o assédio ao redor de sua área de novo. Que não seja o melhor momento do clube, a maneira como o time conseguiu frustrar o Ajax prova o seu valor. E qualquer oponente precisará respeitar uma zaga com a bagagem de Otamendi e principalmente Vertonghen. Ambos foram decisivos para o sucesso da empreitada em Amsterdã.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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