Champions League

Em disputa de poder, ECA força Uefa a adiar votação sobre reforma da Champions League

A disputa de poder entre a Associação Europeia de Clubes (ECA) e a Uefa segue forte. As duas entidades discutem reformas na Champions League, em meio a pressões dos clubes pela criação de uma Superliga. Para impedir uma ruptura, a ECA quer mais controle sobre as competições de clubes, o que, claro, diminuiu o poder da própria Uefa. Uma disputa por poder e também pelo dinheiro da competição. A votação que definiria os rumos a partir de 2024 foi adiada nesta terça-feira e só será retomada no dia 19 de abril.

Nos bastidores, a disputa segue forte. A votação indicaria o que provavelmente ratificaria as mudanças na competição que foram demandadas pela ECA. A entidade de clubes, aliás, comunicou que não está em posição de endossar as mudanças antes de uma reunião sobre a governança dessas competições. Provavelmente porque os clubes querem mais que mudanças de formato: querem mais controle.

“A diretoria executiva acredita que se o futebol europeu deve encarar os desafios que enfrenta atualmente, as bases para o relacionamento futuro da ECA e da Uefa também precisam ser levadas em consideração ao mesmo tempo”, disse, sem dizer muito, a ECA, em comunicado.

A grande disputa está em torno de um Memorando de Entendimento (Memorandum of Understanding, UM, em inglês). É neste documento que Uefa e ECA fazem um entendimento sobre os papéis na governança das competições. No acordo atual, que vai até 2024, a Uefa tem poder de veto a qualquer mudança proposta nos acordos de direitos de televisão ou na distribuição do prêmio em dinheiro da Champions League, além de outras questões. A ECA quer mais poder.

Uma das principais críticas que se faz a esse movimento da ECA é que acaba sendo dirigido pelos grandes clubes, famintos por mais dinheiro e mais poder. Para os clubes menores (a ECA também representa muitos deles), pode ser uma perda de espaço. Com mais dinheiro e mais influência no jogo, os grandes clubes podem tomar de vez a Champions League e deixar cada vez menos espaço para os menores clubes, ou mesmo para clubes grandes fora das cinco grandes ligas (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França).

Entre as mudanças que estão sendo propostas para serem aplicadas a partir de 2024 estão algumas bem controversas, como o aumento de quatro rodadas na fase de grupos e classificação à competição via ranking histórico, ainda que restrito a poucas vagas.

“A ECA está completamente comprometida em trabalhar com a Uefa nas próximas semanas em todos os tópicos e continua confiante em chegar a um resultado de sucesso, que será crucial para garantir a reconstrução do futebol de clubes europeus e uma sustentabilidade a longo prazo”, diz ainda o comunicado da ECA.

A disputa de poder ainda será bem acirrada e veremos o quanto a ECA consegue avançar no seu plano de controle sobre a Champions League. A Uefa sabe que vive sob ameaça de uma Superliga constantemente e os grandes clubes continuam ameaçando que isso pode acontecer. Ainda que seja uma má ideia no longo prazo, parece cada vez mais inevitável que a Uefa ceda mais poder aos clubes – e leia-se, aos clubes ricos.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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