Champions League

Como eliminação para o PSG abalou o Liverpool até hoje

Queda em Anfield marcou virada de trajetória dos Reds, que vivem instabilidade mesmo após título inglês

O dia 11 de março de 2025 segue como um divisor de águas recente na história do Liverpool. A eliminação para o Paris Saint-Germain, nas oitavas de final da Champions League da temporada passada, não apenas encerrou a campanha europeia dos ingleses, como desencadeou uma sequência de consequências que ainda impactam o clube.

Após empate no agregado, os franceses avançaram nos pênaltis em pleno Anfield, em uma noite que rapidamente ganhou status de trauma esportivo para os Reds. A partir dali, o PSG seguiu rumo ao título, enquanto o Liverpool entrou em uma espiral de instabilidade, mesmo com a conquista posterior da Premier League.

O início de uma queda silenciosa do Liverpool

A eliminação foi mais do que um tropeço. Internamente, passou a ser vista como um ponto de ruptura. Cinco dias depois, o time comandado por Arne Slot perdeu a final da Copa da Liga para o Newcastle, evidenciando um abalo emocional imediato.

Desde então, o Liverpool acumulou uma sequência preocupante de resultados negativos. Ao todo, são 19 derrotas somadas em diferentes competições desde aquela noite europeia, um contraste significativo com o desempenho anterior da equipe.

O impacto também foi individual. Mohamed Salah, principal referência ofensiva, já não apresenta o mesmo rendimento, enquanto o ambiente coletivo passou a dar sinais de desgaste.

Vitinha comemora com Donnarumma, herói nos pênaltis entre Liverpool e PSG
Vitinha comemora com Donnarumma, herói nos pênaltis entre Liverpool e PSG (Foto: Ryan Crockett/DeFodi Images/Icon Sports)

Para Mohamed Sissoko, que atuou por ambos os clubes, a mudança de cenário é evidente: “No ano passado, o Liverpool era o favorito. Hoje é o contrário“, disse ao jornal francês “L’Équipe”.

A resposta do clube à frustração veio no mercado de transferências. O Liverpool investiu cerca de 500 milhões de euros na janela seguinte, numa tentativa de reconstrução imediata. No entanto, o movimento acabou gerando um efeito colateral: aumento da pressão e dificuldades na consolidação de um novo coletivo.

Mesmo assim, Arne Slot mantém uma leitura particular sobre aquele confronto com o PSG. “Foi o jogo mais bonito da minha carreira. Levamos o PSG ao limite”, afirmou o treinador, minimizando o peso do resultado.

Já Virgil van Dijk destacou, ainda na temporada passada, o impacto causado pelo adversário: “Fiquei impressionado com o estilo de jogo deles, a qualidade individual e o esforço coletivo.”

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Entre a revanche contra o PSG e a sobrevivência

Quase um ano depois, a possibilidade de reencontro com o PSG surge em um contexto completamente diferente. Mais do que buscar vingança esportiva, o Liverpool entra em campo pressionado por objetivos mais imediatos.

A equipe ocupa posição instável na tabela da liga, com risco real de ficar fora da próxima edição da Champions. A recente goleada sofrida para o Manchester City na Copa da Inglaterra ampliou a sensação de urgência.

Ainda assim, entre torcedores e analistas, o sentimento predominante não é de revanche, mas de reconstrução.

Não vivemos de rancor, mas da esperança de eliminar o PSG”, disse Dan Fieldsend, estudioso da cultura de arquibancada do clube, ao L’Équipe.

Craig Hannan, do podcast “The Anfield Wrap”, reforçou essa visão ao jornal: “Nossa prioridade era celebrar o título da liga. Não sentimos que a eliminação foi injusta.”

A análise sobre o momento do Liverpool vai além de números ou eliminações. O que está em jogo é a própria identidade da equipe. Aquela que, em outros tempos, foi marcada por intensidade, coesão e protagonismo europeu.

Curiosamente, há quem enxergue no próprio PSG características que remetem ao Liverpool do início da era Jürgen Klopp: um futebol vibrante, agressivo e coletivo.

Diante disso, o eventual reencontro entre os clubes ganha um novo significado. Não se trata apenas de corrigir um resultado passado, mas de tentar recuperar uma versão perdida de si mesmo. Mais do que uma revanche, o Liverpool busca reencontrar seu próprio caminho.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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