Champions League

Eis prova cabal do ótimo momento do Dortmund: Inapeláveis 4 a 0 sobre o Atlético de Madrid

Borussia Dortmund e Atlético de Madrid, desde o sorteio da fase principal da Liga dos Campeões, eram os principais candidatos à classificação no Grupo A. O declínio do Monaco confirmou ainda mais as condições da dupla, o que transformou o duelo desta quarta-feira em uma digna decisão para saber quem será o primeiro colocado da chave. O Atleti vem em recuperação na temporada, mas ainda se mostra aquém de seu potencial. E o Dortmund, se já vivia uma franca ascensão na Bundesliga, construiu uma vitória inapelável para referendar o seu momento. A torcida no Signal Iduna Park pôde comemorar bastante a goleada por 4 a 0, na qual o time amadurecido e seguro vestia aurinegro. Passo importantíssimo para que os alemães se isolem na ponta e se aproximem das oitavas.

Lucien Favre apostava em uma formação consistente na defesa ao Dortmund, mas também leve para quebrar as linhas de marcação adversárias. Mario Götze era o responsável pela armação, enquanto o apoio pela esquerda se tornou fundamental, com as subidas de Achraf Hakimi complementando Jacob Bruun Larsen. Marco Reus servia de referência na frente e Christian Pulisic caía pela direita. Do outro lado, Diego Simeone manteve o Atlético em seu básico 4-4-2. Thomas Partey e Saúl Ñíguez apareciam pelo meio, com Koke e Thomas Lemar fechando os lados. Já na frente, Diego Costa e Antoine Griezmann.

Como era de se esperar, a iniciativa durante o primeiro tempo era do Borussia Dortmund. O Atleti se fechava no campo defensivo e não conseguia se projetar muito ao ataque. Na batalha pelo controle da partida no meio-campo, os aurinegros faziam um trabalho fundamental para quebrar a marcação dos colchoneros e buscar os espaços, ainda que não conseguissem criar chances tão claras. A movimentação dos anfitriões era sua grande virtude. A partir dos 15 minutos, começaram a arriscar um pouco mais a gol, enquanto os espanhóis se limitariam a um chute perigoso de Griezmann. Jan Oblak era bem mais exigido e, aos 37, a superioridade dos alemães se converteu em gol. A boa trama pela direita foi parcialmente neutralizada pelos rojiblancos, mas Hakimi passou a Axel Witsel, que arriscou de longe e contou com um desvio no meio do caminho para chegar às redes.

A bronca de Simeone sobre os jogadores do Atlético de Madrid durante o intervalo deve ter sido grande. Afinal, o time voltou com uma postura totalmente diferente ao segundo tempo. Passou a acuar o Borussia Dortmund e a se impor no campo de ataque. Então, ficou bem evidente o trabalho de Lucien Favre, com uma proteção segura ao redor de sua área. A entrada de Rodri no lugar de Thomas Partey no meio-campo colchonero beneficiou Saúl, mais solto para atacar. O espanhol ficou a um triz de anotar um golaço, em belíssimo chute de fora da área que explodiu na forquilha da meta de Roman Bürki. Continuaria insistindo, sem sucesso. Contudo, passados 15 minutos de maiores sustos, logo os aurinegros se soltaram mais.

A entrada de Raphaël Guerreiro no lugar de Larsen auxiliou o Dortmund a se proteger. Além disso, a equipe aparecia muito bem para aproveitar os contra-ataques, com uma movimentação bem orquestrada. Em belíssimo avanço, Reus passou pela marcação e chegou na área para arrematar, mas Hakimi o atrapalhou e impediu o segundo tento de sua equipe. O gol, de qualquer forma, não tardou. Aconteceu aos 28 minutos, em ótima troca de passes dos aurinegros. Guerreiro participou da jogada desde o início e se projetou na área para completar o cruzamento de Hakimi, após ótima enfiada de Witsel. O lance atordoou os colchoneros, que demoraram para acordar.

Quando o Atlético finalmente voltou a pressionar, percebeu que não era o seu dia. Ángel Correa saiu do banco e teve uma chance clara de descontar, mas parou em Bürki, antes que a bola batesse na trave. Além disso, Griezmann não concluiria da melhor maneira pouco depois. E a estocada final do Dortmund aconteceu depois que Jadon Sancho substituiu Pulisic. O terceiro gol nasceu aos 38, a partir de uma trivela fabulosa de Götze, iniciando o contragolpe. Hakimi avançou pela esquerda e cruzou para Sancho apenas cutucar. Por fim, aos 44, uma besteira enorme de Filipe Luís deu números finais à goleada. O lateral cruzou a bola diante de sua própria área e entregou o ouro a Guerreiro. Noite memorável no Signal Iduna Park, que até ensaiou gritos de olé.

Apesar da juventude do Borussia Dortmund, chama atenção a maturidade que o time transmite desde a chegada de Lucien Favre. Sofreu pouco na defesa e soube ser direto no ataque, ainda que alguns ajustes sejam pertinentes. Mais notável ainda foi a calma com a qual os alemães lidaram com a pressão espanhola, sobretudo na saída de bola. Axel Witsel tem uma grande parte nisso, jogando demais neste início do novo clube. Pode ser considerado o melhor em campo na goleada, apesar das três assistências de Hakimi, este causando pesadelos em Juanfran.

O resultado mantém os 100% de aproveitamento do BVB na Champions. Soma nove pontos no Grupo A, com oito gols marcados e nenhum sofrido. A classificação está nas mãos e o interesse se concentra na liderança. Mas para que o cenário se reverta, o Atleti precisará apresentar muito mais no reencontro em Madri. Um pouco de sorte é bem-vindo, mas só isso não basta, até pelos equívocos de Simeone em algumas de suas decisões e pela maneira como o meio-campo deixou a defesa exposta. Com seis pontos, os colchoneros precisarão analisar bastante o que não funcionou na Alemanha.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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