Champions League

Dybala: “Em campo, farei tudo para vencê-lo, mas não quero ser o novo Messi”

Relacionar os nomes de Lionel Messi e Paulo Dybala às vésperas do confronto pelas quartas de final da Liga dos Campeões se torna um tanto quanto natural. Dois craques argentinos, capazes de criar uma chance de gol que poucos conseguiriam antever. Primordiais nos sucessos de seus clubes e que, ao que tudo indica, devem se complementar na seleção nacional. Para muitos, o juventino seria o herdeiro natural do blaugrana na Albiceleste. Mas não para ele. Com uma maturidade imensa, Dybala sabe de suas possibilidades, embora prefira não cair no deslumbramento ao ser comparado com um dos melhores da história.

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Nesta semana, o jovem de 23 anos deu uma excelente entrevista ao jornal italiano La Repubblica. Falou principalmente do encontro com Messi, seu companheiro em algumas oportunidades na seleção. Entretanto, foi além na pauta. Comentou as necessidades da Juve diante do Barcelona, as perspectivas em seu desenvolvimento, a maneira como vem aprendendo com seus colegas. Não só pela bola, também demonstra cabeça para alçar voos cada vez mais altos na carreira. A Champions se coloca como o próximo passo.

Messi

“Eu realmente admiro e respeito Messi. Ele ganhou a Champions tantas vezes e eu estou apenas sonhando com a minha primeira. Jogo pela Juve e quero vencer. Em campo, somos iguais e farei tudo para vencê-lo. Mas eu não sou o novo Messi. As pessoas precisam entender que sou Paulo Dybala e quero continuar sendo. Entendo as comparações e as expectativas dos argentinos sobre mim, mas eu não quero ser o novo Messi ou o Messi do futuro. Ele é único, como Maradona. Eu nunca disse que sou seu herdeiro”.

Sobre a sua evolução

“Eu ainda preciso crescer, os grandes campeões são os outros. Tantos jogadores em minha idade já tinham troféus importantes, eu ainda estou tentando melhorar. Palavras não são suficientes para me fazer sentir um jogador de primeiro nível. Quando fui ao Camp Nou ver o Clássico, um pensamento me surgiu que um dia jogaria naquele estádio, o que irá acontecer em 19 de abril. Não sei sobre meu futuro, muito pode acontecer. Estou feliz, meus companheiros me desejam o melhor, assim como os torcedores. No momento, estou bem aqui”.

Sonho na Champions

“Há três anos, eu estava disputando a Serie B com o Palermo. É difícil imaginar que agora disputarei o jogo mais especial da minha carreira. Quando cheguei, atuava mais à frente e Allegri me transformou. Mas aqui eu também preciso mudar como pessoa, porque você tem que ter uma vida diferente além dos treinos e dos jogos. Eu tenho à minha volta pessoas que ganharam tudo, estou tentando me tornar um deles”.

As funções em campo

“Às vezes Allegri diz até mesmo para me aproximar de Buffon e assim iniciar a jogada. Eu me sinto bem, ele me dá liberdade, posso ir para qualquer lado. É algo que faço desde criança, que mais gosto de fazer. É difícil ficar longe do gol, assim como amo balançar as redes. No entanto, eu também amo conduzir o jogo, atuar com a bola dominada. Agora jogamos com quatro atacantes, os defensores nunca sabem o que fazer ou quem marcar. É melhor para nós”.

A parceria com Higuaín

“Não é fácil marcar gols na Itália, mas parece que jogo com Higuaín há cinco anos. Tentamos nos conhecer melhor a cada treino juntos, jantamos juntos. Essa compreensão se reflete nas partidas. Com um cara que se movimenta como ele, é fácil dar assistências”.

As lições do PSG

“Não devemos ter medo, porque possuímos grandes jogadores. Estamos bem, esse é o melhor momento para lidar com o Barcelona. O PSG concedeu seis gols no Camp Nou porque eles não tiveram a atitude certa, e nós aprendemos isso naquela partida. A força do Barça é como eles jogam com a bola, têm um goleiro bom com os pés, bom o suficiente para ser meio-campista. Já o ponto fraco é quando eles não tem a posse. Precisamos nos aproveitar disso, adiantar a marcação. Se, ao invés disso, esperarmos na defesa, ficaremos cansados mais rápido correndo atrás da bola”.

A motivação pela vitória

“Se eu marcar um gol contra o Barcelona, isso será falado ao redor do mundo. Mas eu curtirei como uma vitória sobre o Chievo, a alegria é a mesma. Os gols te dão confiança, mas, depois da chegada de Higuaín, eu venho jogando mais calmamente, com mais serenidade. É isso que eu quero fazer: gerar jogadas, criar para o time. E, amanhã, antes de tudo, eu espero que não tomemos um gol”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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