Champions League

Duelo de verdadeiros gigantes: Após a imposição do Bayern, a vontade da Juve valeu o empate

Para quem esperava por um grande jogo em Turim, Juventus e Bayern de Munique cumpriram as expectativas. Os gigantes fizeram uma partidaça no primeiro duelo nas oitavas de final da Liga dos Campeões, e em aspectos diferentes. Se o primeiro tempo mais se aproximou de um jogo de xadrez, com as opções táticas preponderando e o máximo vigor dos jogadores, a segunda etapa misturou suor e vontade. E, apesar dos dois gols sofridos em casa, os bianconeri saíram de campo com o moral elevado. Depois de um domínio ofensivo gritante dos alemães, os italianos tiveram empenho suficiente para buscar o empate por 2 a 2 na etapa complementar – em final aberto, que não surpreenderia se a vitória acabasse com qualquer um dos lados. Prevaleceu, por fim, o futebol.

Durante a escalação, os dois técnicos já indicavam o que esperar de seus times no início da partida. Sem Giorgio Chiellini, Massimiliano Allegri escalou a Juve em um tradicional 4-4-2, pedindo por muita solidez na marcação e saída de bola rápida. Enquanto isso, Guardiola apostava em um Bayern novamente sem zagueiros de origem, mas com técnica de sobra. Arturo Vidal seria peça-chave, cumprindo a função de Xabi Alonso ao ditar o ritmo do time, enquanto os zagueiros (Alaba e Kimmich) se punham no campo de ataque para administrar a posse e os laterais fechavam pelo meio na tentativa de pressionar a marcação.

O primeiro tempo contou com duas aulas. A Juventus era uma professora do futebol “à italiana”, seguindo à risca as ordens táticas e sem dar brechas nas proximidades de sua área. Enquanto isso, o Bayern lecionava o controle de bola. Chegou a ficar com mais de 80% de posse durante os primeiros minutos do confronto, e longe de ser improdutivo, tentando explorar principalmente as pontas, com Robben e Douglas Costa. Mas o excesso de cruzamentos acabava parando na zaga bianconera, muito bem postada – sobretudo com Bonucci, em grande noite. Faltava aos anfitriões, porém, conseguir encaixar os contra-ataques. A Juve errava muitos passes na saída, enquanto Mandzukic e Dybala não aproveitaram as melhores bolas. No único arremate de seu time na etapa inicial, Bonucci pouco exigiu de Neuer.

Enquanto isso, Buffon trabalhava bem mais sob as traves. Foram 18 cruzamentos do Bayern apenas no primeiro tempo, quase sempre em direção à pequena área. E, a partir de um erro de Khedira ao puxar o ataque da Juventus, os bávaros tiveram o espaço necessário para marcar. Foram dois cruzamentos seguidos, de Robben e Douglas Costa, que a defesa não conseguiu afastar. Até que Thomas Müller aparecesse livre dentro da área, finalmente vencendo Buffon – depois de já ter escorregado em excelente oportunidade no início. O gol aos 43 minutos tornava um pouco mais condizente o placar, diante da superioridade ofensiva do Bayern.

A desvantagem, todavia, virou o tabuleiro de xadrez na volta do intervalo. Allegri tirou Marchisio e colocou Hernanes, tentando prezar um pouco mais pela profundidade de sua equipe. E a Juventus demonstrava uma postura mais agressiva, mesmo na marcação, se colocando mais à frente de sua área. O problema é que o Bayern também sabe ser mortal nos contra-ataques e, assim, conseguiu ampliar aos 10 minutos. Em um lance controverso, no qual Bonucci reclamou de falta no círculo central, os bávaros pegaram a defesa adversária desmantelada. Coube a Robben fazer sua jogada mais característica para cima de Barzagli, cortando para o meio e soltando a canhota, no canto da meta de Buffon.

A Juventus estava acabada naquele momento? Longe disso, e a capacidade de reação da Velha Senhora acabou sendo essencial para a transformação do jogo. Desgastado pelo primeiro tempo intenso, o Bayern se retraiu um pouco mais. E viu os italianos se imporem fisicamente, tentando forçar o erro. Mandzukic, de primeiro tempo ruim, cresceu em campo e passou a chamar a responsabilidade, brigando (pela bola e até mesmo literalmente) com os adversários. Aos 18, o centroavante não perdoou a falha de Kimmich no domínio, passando para Dybala diminuir a desvantagem.

Depois disso, a Juventus passou a dominar as chances de gol. Cuadrado tinha dificuldades para completar a jogada, mas dava um calor pelo lado direito e quase empatou logo na sequência, parando em ótima defesa de Neuer. Enquanto isso, Pogba era bem mais ativo na equipe, tomando o seu espaço na intermediária. E o dedo de Allegri nas alterações também valeu muito à Velha Senhora. Sturaro deu mais fôlego ao meio de campo, na vaga de Khedira, enquanto Morata começou a infernizar pelo lado esquerdo, entrando no lugar de Dybala. Com eles, o gol de empate aconteceu aos 31. Pogba iniciou com excelente passe para Mandzukic, que se saiu melhor ainda ao abrir com Morata na lateral. O espanhol cruzou de cabeça e Sturaro se antecipou à marcação de Kimmich para estufar as redes.

A partir de então, o jogo se abriu. Agigantada, a Juventus arriscou mais a gol. Mas o Bayern também teve os seus momentos, especialmente quando Ribéry entrou na vaga de Douglas Costa, acelerando na ponta esquerda enquanto Robben fazia o mesmo do outro lado. Pelos momentos distintos que os dois times viveram no jogo, porém, o empate era completamente plausível. Especialmente para manter o suspense sobre o que virá a acontecer na Allianz Arena. Para prometer outra partidaça entre camisas pesadíssimas.

O Bayern, assim como neste primeiro jogo, assume o favoritismo e o papel de tomar a iniciativa, até por seu estilo de jogo. E, de qualquer maneira, o empate com dois gols em Turim lhe dá uma vantagem considerável. A Juventus, por sua vez, já se mostrou não se incomodar com o papel de coadjuvante – como fez nesta terça. O espírito do time se eleva com o empate arrancado no final, da mesma forma como a capacidade para aguentar as armas dos bávaros e explorar as suas fraquezas também se evidenciou. Difícil fazer apostas. Até porque, entre dois grandes times, a imprevisibilidade foi o ponto alto durante o primeiro confronto.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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