Champions League

O Dortmund se recupera e implode o Sevilla dentro da Espanha, num triste adeus para Lopetegui

Bellingham e Moukoko comandaram a goleada do Dortmund por 4 a 1, contra um Sevilla que entrou em parafuso em vários momentos do jogo

Ao apito final, Julen Lopetegui estava com os olhos marejados no Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán. Essa foi sua última partida à frente do Sevilla, num ciclo marcante de três temporadas completas. Porém, se o interesse do Wolverhampton e o acerto dos andaluzes com Jorge Sampaoli aceleraram o processo, é bem possível que ele acabasse demitido de qualquer maneira depois da goleada sofrida em casa nesta quarta-feira – em saída de fato confirmada minutos após o apito final. Em péssima fase no Campeonato Espanhol, os rojiblancos implodiram diante do Borussia Dortmund na Champions League. A equipe teve seus momentos de pressão, mas longe da contundência dos aurinegros, que abriram o placar de 4 a 1 e deixaram os oponentes atordoados em certos momentos da noite. No caso do BVB, foi uma bela recuperação após a derrota para o Colônia na Bundesliga. Jude Bellingham arrebentou e Youssoufa Moukoko, finalmente titular, mostrou o porquê precisa ser o homem de referência. Um resultado importante, que ajuda bastante os alemães em busca da segunda posição do grupo.

O Sevilla mudou bastante em relação à derrota para o Atlético de Madrid no final de semana. Eram seis trocas na equipe titular. Lopetegui alinhava o time no 3-4-3, com Isco e Suso no apoio a Youssef En-Nesyri na frente. Alex Telles era um dos alas, assim como Jesús Navas. Já o Dortmund contava com Youssoufa Moukoko, no lugar do criticado Anthony Modeste. Tinha o apoio de Julian Brandt, Jude Bellingham e Karim Adeyemi mais atrás, além de Salih Özcan e Emre Can na cabeça de área. Alexander Meyer ficava no gol, mesmo com a presença do recuperado Gregor Köbel no banco.

O Borussia Dortmund entrou em campo com um foco inegavelmente maior. Os aurinegros mandavam no ataque e precisaram de seis minutos para inaugurar o marcador na Andaluzia. Bellingham inverteu e Raphaël Guerreiro aproveitou o corredor para acelerar na diagonal. Invadiu a área e mandou uma paulada no alto, em bonito tento. O Sevilla acordou apenas depois disso, mas era descoordenado e falhava nas conclusões. Meyer realizou uma excelente defesa diante de En-Nesyri, antes de apresentar também segurança numa cabeçada de Isco. O BVB, de qualquer forma, acelerava quando conseguia atacar.

Quase o estrago se tornou maior aos 21, quando Karim Adeyemi avançou sozinho pelo campo de ataque e foi derrubado fora da área por um desesperado En-Nesyri, o último jogador de linha do Sevilla. O atacante recebeu um merecido vermelho. Porém, na revisão de vídeo, o árbitro percebeu uma falta de Adeyemi em Navas no início do contra-ataque. Graças a isso, anulou a expulsão. A sobrevida do Sevilla não resolveu os problemas. O Dortmund atacava com mais objetividade, mesmo que a posse de bola dos andaluzes fosse maior. O segundo gol não saiu por sorte aos 33, num lance em que Moukoko foi travado na área e Thomas Meunier depois bateu para fora. Entretanto, os sevillistas também poderiam ter empatado aos 37. Meyer fez um grande milagre numa cabeçada de En-Nesyri, antes de José Ángel Carmona falhar no escanteio logo depois.

Refeito do susto, o Borussia Dortmund encaminhou a vitória nos cinco minutos finais do primeiro tempo. Aos 41, Bellingham marcou uma pintura. O meio-campista recebeu o passe de Bellingham e deu uma finta desconcertante em Nemanja Gudelj, que passou lotado. Diante de Bono, então, finalizou com um sutil toque com a parte externa do pé. O terceiro veio aos 43. Desta vez, Moukoko aplicou um chapéu em Gudelj e chutou firme. Bono espalmou e Adeyemi estava atento para escorar no meio da área. O Sevilla parecia ter desistido da partida e não surpreenderia se o quarto acontecesse, com mais algumas tentativas dos aurinegros. As vaias soaram alto na saída dos rojiblancos para os vestiários.

O Sevilla precisava de mudanças e elas aconteceram na volta para o segundo tempo, com Gonzalo Montiel e Erik Lamela nos lugares de Jesús Navas e Suso. Para os torcedores do Dortmund mais temerosos com as derrapadas do time, uma reação rojiblanca se sugeria possível pelo abafa nos minutos iniciais. A insistência rendeu um escanteio aos seis minutos, que resultou no gol de En-Nesyri. Alex Telles cruzou e o centroavante subiu mais que Nico Schlotterbeck para definir de cabeça. O Dortmund pelo menos respondeu rápido, num lance de velocidade de Moukoko diante do apagão da zaga, parando em Bono. O duelo ficava aberto, com Alex Telles aparecendo bem pela esquerda, mas logo depois Moukoko respondendo em chute por cima da meta adversária.

Outras mudanças aconteceram no Sevilla aos 17, quando Papu Gómez e Thomas Delaney substituíram Ivan Rakitic e Isco. O Dortmund apostava em Donyell Malen no lugar de Adeyemi. E o melhor momento do BVB nos minutos seguintes impulsionaram a vitória. Malen já teria uma batida por cima da meta na primeira investida. O quarto gol se concretizou aos 30, no jogo aéreo. Lançado magistralmente por Bellingham, Moukoko cruzou pela esquerda e Brandt estava completamente solitário bem no meio da área, para cabecear sem dificuldades no barbante. Mais uma prova de como Jules Koundé e Diego Carlos fazem falta no Nervión.

Depois disso, o jogo parecia resolvido. Kasper Dolberg ainda renovou o ataque do Sevilla no lugar de Joan Jordán, enquanto Anthony Modeste, Thorgan Hazard, Tom Rothe e Antonios Papadopoulos ganharam minutos pelo Dortmund na reta final. Os rojiblancos tentaram descontar de novo, para evitar uma derrota tão feia. Meyer faria mais uma boa defesa contra En-Nesyri, num lance também ajudado pelo travessão, enquanto Dolberg acabou travado na área. O placar, de qualquer maneira, representava o péssimo momento dos sevillistas e servia de triste adeus a Lopetegui. Ao menos, a torcida rendeu homenagens ao comandante e cantou seu nome, apesar de tudo o que não acontece em campo. Logo depois, a saída foi oficializada pelos canais da agremiação.

O Borussia Dortmund se coloca em situação bastante favorável no Grupo G da Champions League. Soma seis pontos, cinco de vantagem sobre Sevilla e Copenhague. Pode não alcançar o Manchester City na liderança, mas precisa fazer muita besteira para não ficar com a segunda posição. Já o Sevilla pode começar a pensar na sua amada Liga Europa, mas com um elenco que não passa qualquer confiança e vive uma situação ruim em La Liga. A mudança de técnico não parece ser solução suficiente, quando há deficiências não supridas no mercado. O favorito é Jorge Sampaoli, que curiosamente reclamou em sua saída da falta de contratações do Olympique de Marseille (que depois trouxe bons nomes) e pegará um elenco de movimentações deficientes na janela.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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