Champions League

Diego Carlos é chamado à Seleção, numa merecida primeira chance após a grande temporada de estreia pelo Sevilla

Diego Carlos esteve entre os melhores zagueiros de La Liga na última temporada. O brasileiro atuou em altíssimo nível para contribuir na campanha que valeu um lugar na Champions League ao Sevilla. Além disso, o beque desfrutou de certo protagonismo na Liga Europa. Cometeu pênaltis em excesso na reta final, é verdade, mas também anotou um golaço na decisão e saiu como um dos grandes personagens na caminhada do título. E o reconhecimento, merecido, vem em forma de convocação à seleção brasileira. Diego ganhou o inédito chamado de Tite nesta terça, ao lado de Felipe, para os lugares dos cortados Rodrigo Caio e Éder Militão.

O miolo de zaga do Brasil é um dos setores mais carentes do time nos últimos meses. Thiago Silva permanece como dono da posição mesmo aos 36 anos, enquanto Marquinhos é quem garante mais perspectivas ao futuro. De resto, as lacunas permanecem abertas. Militão é um jogador em desenvolvimento, mas não que as participações com o Real Madrid o tornem intocável. O mesmo vale para Rodrigo Caio, um jogador querido por Tite e que tem justificado mais os chamados por sua fase com o Flamengo, embora não seja unanimidade.

Felipe vinha sendo uma opção recorrente durante os últimos meses. Assim como Diego Carlos, o momento com o Atlético de Madrid favorecia o zagueiro, que não demorou a se adaptar ao time de Diego Simeone e viveu uma excelente temporada. E seria uma escolha um tanto natural, agora, colocar o sevillista como próximo da fila. Aos 27 anos, Diego não atende ao perfil de “jovem em desenvolvimento”. De qualquer maneira, parece se adaptar ao mais alto nível e pode dar saltos maiores em breve, se mantiver sua forma no Ramón Sánchez-Pizjuán. É um defensor sólido e combativo, que tende a contribuir à Seleção.

O bem-vindo teste de Diego Carlos, ainda assim, não alivia a necessidade de se buscar alternativas mais confiáveis à titularidade no miolo de zaga. Enquanto Thiago Silva no máximo durará até a Copa de 2022, Marquinhos vem atuando com mais frequência no meio-campo do Paris Saint-Germain. Até por isso, não seria loucura imaginar o improviso de Fabinho também como zagueiro, algo que ocorreu até a lesão do volante. Já entre os mais jovens, desponta Gabriel Magalhães. Aos 22 anos, o beque começou bem sua trajetória no Arsenal, mas de início foi apenas convocado à seleção sub-23.

O que falta um pouco mais a Diego Carlos é esse convívio com a pressão dos grandes jogos. Durante a reta final da Liga Europa, o zagueiro indicou algumas dificuldades para lidar com isso, mas o salto ao Sevilla já foi significativo e a maneira como o brasileiro também se apresentou em alto nível contra adversários de peso de La Liga conta a seu favor. E o chamado à Seleção, afinal, oferecerá mais treinamentos contra jogadores renomados e experiências distintas nas Eliminatórias – por mais que o beque acabe como quarta escolha.

A quem não se firmou no futebol brasileiro durante o início da carreira e precisou despontar no Estoril, Diego Carlos consegue um grande marco à sua história pessoal. Do risco de transitar em ligas periféricas pela Europa, o zagueiro aproveitou bem a vitrine com o Nantes e deslanchou no Sevilla. É esse ar de renovação que se cobra tanto de Tite, para que se aproveite mais o momento. Diego Carlos ganha uma justa oportunidade para se provar e para demonstrar que seu estirão recente pode ir além. Começou bem nesta Champions, mesmo vindo de uma atuação na qual falhou no fim em La Liga.

O Brasil encerra seu calendário em 2020 com mais duas partidas pelas Eliminatórias em novembro. No dia 13, a Seleção recebe a Venezuela no Morumbi. Já no dia 17, acontece a visita ao Uruguai no Estádio Centenário.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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