Champions League

De volta ao meio, Fabinho não resolveu os problemas do Liverpool – mas ajudou a melhorar todos eles

Eram os acréscimos do segundo tempo. Fabinho roubou a bola no campo de ataque e soltou com Salah, que se complicou com a marcação e não conseguiu finalizar. Tudo bem: a partida estava vencida, e a vaga nas quartas de final da Champions League, assegurada. Mas o lance simboliza muito bem a importância do volante brasileiro para todos os setores do time do Liverpool.

Desde a lesão de Virgil Van Dijk, em outubro, Fabinho estava deslocado ao miolo de zaga. Uma necessidade porque a posição estava desfalcada. A saída de Dejan Lovren não havia sido resposta. Depois de Van Dijk, Joel Matip e Joe Gomez também se dirigiram ao departamento médico e nele devem ficar até o fim da temporada.

Tudo bem que era impossível prever que os três zagueiros sofreriam lesões que encerrariam as suas temporadas precocemente. Por outro lado, foi um risco ficar com apenas três, especialmente diante das circunstâncias excepcionais do momento.

O excesso de lesões abriu espaço para Nat Phillips e Rhys Williams, dois garotos da base. Como todos os jovens, eles alternam bons e maus momentos – Phillips, por exemplo, foi muito bem contra o RB Leipzig. Obrigou Klopp a deslocar também Jordan Henderson para a defesa, antes de o capitão se machucar. Nem todos os problemas derivam dessas improvisações. Houve boas partidas com os volantes na defesa, houve partidas ruins com pelo menos um deles no meio-campo.

Mas, no momento em que o Liverpool precisou encontrar consistência para sair de uma sequência ruim, sentiu falta de Fabinho no meio-campo. O deslocamento à zaga tornou muito clara a sua importância para o time. O seu retorno ao meio-campo, contra o RB Leipzig, mais ainda.

Klopp foi obrigado a fazer contratações emergenciais na janela de transferências de janeiro. Trouxe Ozan Kabak, do Schalke 04, e Ben Davies, do Preston North End. Se pensava em devolver Fabinho ao meio-campo mais cedo, precisou adiar os planos por duas lesões leves que deixaram o brasileiro afastado por seis partidas da Premier League e o jogo de ida contra o Leipzig.

No último fim de semana, Fabinho saiu do banco de reservas contra o Fulham, aos 31 minutos do segundo tempo, e foi colocado no meio-campo. Um pouco tarde demais para impedir mais um tropeço doloroso do Liverpool, mas sinalizava a intenção de Klopp. Recuperar o que o seu meio-campo faz de melhorar e se virar com o que estiver disponível para a defesa.

A decisão se mostrou acertada, pelo menos na primeira tentativa. Os mesmos atributos que tornam Fabinho um zagueiro competente o transformam em uma máquina de roubar bolas no meio-campo. A ação é essencial para um time que sabe atacar com velocidade verticalidade como o Liverpool, e isso ficou claro diversas vezes durante a vitória por 2 a 0 em Budapeste.

“Eu disse para ele descendo para os vestiários: ‘então você gosta de jogar de 6 (equivalente ao camisa 5 no Brasil) mais do que na outra posição, né?’”, contou Klopp, à BT Sport, depois da partida. “Ele não poderia ter demonstrado mais claramente (que sim). Todos queremos Fabinho de seis. Ele jogou lá hoje e os dois zagueiros fizeram um jogo incrível. Toda a linha de defesa fez um jogo muito bom porque o Leipzig é um adversário difícil. Eles têm corredores, então você tem que jogar avançado – mas não muito avançado”.

Fabinho foi o segundo do Liverpool em tentativas de desarme, com cinco, atrás de Thiago (6), que também fez uma excelente partida. Liderou a equipe em interceptações (4) e bloqueios (4). Além dos números, a sua presença no meio-campo melhorou a pressão de todos os companheiros, deu segurança à dupla da zaga, com Kabak e Phillips, e liberdade para os laterais atacarem mais do que vinham fazendo.

Isso fez com que até trio de ataque melhorasse. Diogo Jota começou jogando, depois de três meses afastado por uma lesão no joelho, e fez uma boa partida. Mas todos, no geral, encontraram-se com mais frequência em situações mais favoráveis, com mais espaço para colocar velocidade. Porque o Liverpool voltou a recuperar mais a bola no meio-campo e pegou a defesa do Leipzig desarmada. Porque havia mais corpos no ataque com a segurança que Fabinho fornece para evitar contra-ataques.

Esse é um ponto crucial. A fragilidade da pressão vinha sendo a falha mais gritante nas últimas semanas, em parte porque é a principal característica dos times do Klopp, mas o Liverpool não tinha apenas um problema. Tinha vários. E o retorno de Fabinho ao meio-campo, se não os soluciona, ajuda a melhorar todos eles. O quanto será a principal variável para o Liverpool resgatar ou não a sua temporada.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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