Champions League

‘Nem me arriscava a sonhar’: correspondentes contam como é cobrir a Champions League

Fred Caldeira e Tati Mantovani falam à Trivela sobre a cobertura in loco da Champions League

Quem é apaixonado por futebol sabe o quanto, hoje, a Champions League ocupa um espaço especial no coração de cada um. É a competição na qual estão os melhores times do mundo, os grandes jogadores e os técnicos com maior impacto no esporte moderno. As tarde de Champions, para alguns, tem o mesmo peso das noites de Copa Libertadores. Seja de qual área você for, se amar o esporte, acompanhar um jogo do principal torneio de clubes é um sonho que almeja. Há um grupo de brasileiros que tem a honra de, rodada a rodada, estar nos palcos que recebem esses jogos e poder ver com os próprios olhos a história sendo escrita desde 2016. Estamos falando dos correspondentes da TNT Sports, emissora que detém os direitos de transmissão da competição.

Para esquentar os duelos das quartas de final da edição 2023/24, que começam nesta terça-feira (9), e entender como é cobrir a Champions in loco, a Trivela conversou por videoconferência com dois correspondentes da emissora: Fred Caldeira, que reside em Manchester, e Tati Mantovani, direto de Madrid.

A dupla, sempre entrosada em cada questionamento da reportagem, detalhou ser verdadeiramente uma responsabilidade e uma honra cobrir a Champions League para o público brasileiro, sendo necessário “explicar” para o telespectador o contexto local. Porém, ambos afirmaram que não era um sonho cobrir a Champions no momento em que se formaram em jornalismo.

— O sonho era cobrir um jogo de futebol. Só pensava no próximo passo. Ir em um treino do Botafogo, depois no Maracanã para fazer Flamengo ou Fluminense. Fui subindo no Esporte Interativo, fui repórter, apresentei programas e aí depois ganhei esse “presente” de ser convidado para ser correspondente em Manchester — detalhou Fred.

— Eu saí de Carlos Barbosa, na serra gaúcha, nunca nem pensei estar no lugar onde estou, poder acompanhar de perto a principal competição de clubes. Nem me arriscava a sonhar — disse Tati, que também detalhou como há uma “lupa” em seu trabalho por ser mulher e sofrer com críticas que não são comuns para homens.

— Quando um homem erra, as pessoas nas redes sociais dizem que ele não entende nada de futebol. Mas quando eu ou outra mulher erra, chove comentário falando para ir lavar a louça. […] Eu até fiquei feliz quando me criticaram falando que eu não entendia nada, as coisas estão mudando — disse, rindo.

Desde 2016 como correspondentes para TNT em seus respectivos países, os repórteres apontam a relação com jogadores, comissões técnicas e clubes como uma das principais mudanças na cobertura durante esses oito anos.

— Com certeza o aprofundamento de relações foi algo que mudou muito. A maneira com a qual lidava com jogadores, treinadores e clubes em 2016 era de uma forma, hoje é completamente diferente — disse Fred, que no último mês ganhou a cidadania britânia.

E se há algo que Fred é conhecido é pela proximidade e a relação profissionais com jogadores e especialmente treinadores do futebol inglês. Certa vez, Pep Guardiola chamou de “atraente e sexy” o bigode do jornalista brasileiro, enquanto Jürgen Klopp o comparou ao traficante colombiano Pablo Escobar. Não é reconhecido apenas pela aparência, Caldeira costuma pensar muito antes de questionar os técnicos e normalmente consegue tirar boas respostas.

Perguntado sobre a entrevista que mais marcou nesse período na Inglaterra, o repórter deixou para lá os episódios mais engraçados e elegeu uma conversa pós-jogo com Guardiola em novembro de 2019, quando o Manchester City apenas empatou com a Atalanta e o técnico catalão não estava muito a fim de responder.

— Era aqueles dias de Guardiola monossilábico, estava bravo com o time e não receptivo às perguntas. Mas eu forcei, tentei várias questões e, uma entrevista que poderia ter durado vinte segundos, durou um minuto e meio — contou, aos risos.

 

Como Fred, Tati soube muito bem construir relações no Real Madrid. Especialmente na era dourada do clube, com os três títulos consecutivos da Champions, a jornalista chamada de “pé quente” viu tudo de perto e guarda com carinho a entrevista que fez ao lado dos brasileiros Casemiro e Marcelo, em 2017, quando estava em cima do característico banquinho e os jogadores tentavam falar com o Zico, então comentarista da emissora.

— Como Casemiro e Marcelo estavam com o fone de retorno para ouvir o Zico, eu não ouvia a cabine, então qualquer problema que desse eu não saberia. […] Mas foi um momento de muito bacana, de muita brincadeira e que guardo com muito carinho.

Quem passa entre Real Madrid x Manchester City?

Tati Mantovani e Fred Caldeira também se “enfrentarão” na Champions nesta terça-feira. O City vai até a capital da Espanha para visitar o Real Madrid pela ida das quartas de final. A volta, na Inglaterra, acontece já na próxima semana, dia 17.

Fred tem um certo “trauma” quando os clubes ingleses visitam os adversários de Madrid, normalmente pesando para os espanhóis, como nas duas finais vencidas pelo Real em cima do Liverpool, ambas com cobertura da dupla de correspondentes. Até por isso, o repórter tratou o confronto como bem equilibrado e não apontou favorito.

Enquanto isso, se depender da Tati, teremos uma final totalmente de Madrid, apostando/torcendo por uma decisão entre Real e Atlético, que está do outro lado da chave e enfrenta o Borussia Dortmund nesta quarta-feira (10), também com transmissão da TNT Sports.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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