Champions League

Convenhamos: a fase de grupos da Champions foi previsível e modorrenta

Por Bruno Bonsanti

Quando foram sorteados os grupos da Champions League, era claro para quem presta atenção que sete deles tinham favoritos destacados para as duas primeiras posições. E, após seis rodadas disputadas, esses 14 favoritos avançaram, com poucos sustos: o Besiktas precisava de um empate para derrubar o Benfica e foi goleado pelo Dínamo Kiev; o Lyon tinha que vencer o Sevilla por dois gols de diferença e ficou no 0 a 0. Fora isso, a fase de grupos foi meramente uma ida ao cartório para autenticar a vaga nas oitavas de final e quase todo mundo chegou à última rodada classificado.

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A única surpresa dessa fase, uma surpresa média, saiu no grupo mais equilibrado, o E. Pela ótima Premier League que havia feito na temporada anterior, o Tottenham prometia mais na Champions League. Pelo menos manter as chances de chegar às oitavas até o fim. Mas jogou muito mal, marcou apenas três gols, ganhou um único jogo nas cinco primeiras partidas, e acabou eliminado com uma rodada de antecedência. Mesmo assim, não dá para ficar chocado com os vencedores dessa chave: Monaco e Bayer Leverkusen, dois times que vira e mexe estão no mata-mata da Champions.

Houve diferenças, em relação ao geral da análise prévia ao início dos grupos, nos times que lideraram as chaves. Imaginava-se que PSG, Real Madrid e Bayern de Munique, mesmo com fortes adversários, conseguiriam ficar em primeiro lugar por conta da superioridade que demonstraram no continente nas últimas temporadas. Ficaram atrás de Arsenal, Borussia Dortmund e Atlético de Madrid, respectivamente, equipes sólidas no segundo escalão do futebol europeu. Podemos até colocar o Leicester à frente do Porto no grupo dos resultados inesperados.

Ainda assim, é bom analisar o contexto: o PSG levou vantagem no confronto direto com o Arsenal, mas ficou em segundo porque tropeçou no Ludogorets, em casa, na última rodada, um jogo em que certo relaxamento é mais do que esperado; o Bayern de Munique empatou o confronto direto com o Atlético de Madrid, e teria passado no saldo de gols, não fosse a chocante derrota, com alguns desfalques, para o Rostov na quinta rodada; e o Real Madrid estava à frente do Borussia Dortmund até os 44 minutos do segundo tempo da última rodada da fase de grupos, quando sofreu o gol de empate.

Os três também passam por momentos de relativa dificuldade na temporada. O Real Madrid segue invicto, mas Zidane sofre para resolver problemas defensivos e fazer o time jogar bem. PSG e Bayern de Munique passam por um momento de transição. E, no geral, essas equipes estão tão acostumadas a passear na fase de grupos que já se condicionaram a disputá-la sem o mesmo espírito competitivo que vemos no mata-mata e em partidas da liga nacional. Mais do que ninguém, sabem que as chances de não se classificarem são mínimas.

Houve confrontos interessantes. Embora a tabela tenha transformado Bayern de Munique x Atlético de Madrid em um grande amistosão, a primeira partida entre os times foi legal de acompanhar. Real Madrid e Borussia Dortmund fizeram dois jogos movimentados. Os alemães golearam o Legia Varsóvia por 8 a 4. Houve os duelos entre Guardiola e Barcelona, com muitos gols e variações táticas. Além da caminhada do Leicester, a vitória gigante do Rostov sobre os bávaros, a quase classificação do Besiktas e a passagem do Legia Varsóvia à Liga Europa.

Ainda assim, foi pouco para a competição que se gaba, com alguma razão, de reunir os melhores times do mundo. Os grandes nunca correram riscos. Não havia a menor tensão em suas partidas. Mesmo nos confrontos entre eles, a sensação era clara que brigavam por um prêmio secundário – a primeira posição – porque a vaga nas oitavas já era deles por direito. Um dos argumentos usados para apoiar a reformulação que a Uefa planeja para depois da temporada 2018/19 é que a presença de mais equipes das quatro principais ligas muda acrescentar um pouco mais de equilíbrio à competição. Será que isso se concretizará? Por enquanto, podemos apenas especular. O que temos certeza é que a fase de grupos desta Champions foi bem modorrenta e previsível.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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