Champions League

Confortável onde está e em seu papel, Di María brilhou e foi decisivo como um coadjuvante de luxo

Di María demorou para encontrar uma casa em que se sentisse confortável. Apesar de ter sido um dos craques da conquista da décima Champions League do Real Madrid, foi negociado para abrir espaço a James Rodríguez. Não se adaptou à Inglaterra, nem chegou ao Manchester United em um momento muito favorável ao seu futebol, e precisou se mudar novamente.

A estabilidade chegou no Paris Saint-Germain, em parte porque não precisa ficar debaixo dos holofotes e, como coadjuvante de luxo, está tendo uma temporada fenomenal, coroada, nesta terça-feira, por uma atuação decisiva na vitória por 3 a 0 sobre o RB Leipzig que colocou os franceses na primeira final de sua história.

Cobra-se que ele seja apareça mais em jogos grandes, em parte pelos fracassos da seleção argentina, em que foi um dos principais escudeiros de Messi na última década, em parte por eliminações anteriores do Paris Saint-Germain. No time que tem Neymar como líder e Mbappé como o próximo da fila, a pressão é menor sobre o argentino e ele parece confortável nessa posição.

Seus números pelo PSG são excelentes desde que chegou e agora colocou também seu nome no registro do maior jogo da história do clube – até o próximo domingo. Di María tem 75 gols e 77 assistências pelo Paris Saint-Germain em cinco anos de serviços e caminhava para bater o recorde de passes decisivos da Ligue 1 quando a temporada foi cancelada. Havia dado 14, a quatro da marca que divide com Jérôme Rothen, do Monaco.

A atuação desta terça-feira contra o Paris Saint-Germain foi apenas resultado de uma temporada em que vinha brilhando e destacou ainda mais a falta que fez nas quartas de final contra a Atalanta.

Atuou em um ataque muito móvel do Paris Saint-Germain, ao lado de Neymar e Mbappé. Bateu com perfeição a falta do gol de Marquinhos, que abriu o placar. Também foi importante no trabalho defensivo. Pressionou Péter Gulácsi na saída de bola, ajudou a forçar o erro de passe e estava livre na entrada da área para receber o lindo passe de Neymar que gerou o segundo gol, marcado pelo argentino. Já no segundo tempo, recolheu pela ponta esquerda e cruzou na cabeça de Bernat para fechar o caixão.

Foi o jogador que mais criou situações na partida – cinco – porque esse passe apurado é sua especialidade. Mbappé é um jogador de explosão e finalização, Icardi é de posicionamento, e, a Di María, resta a articulação e a criatividade, ao lado de Neymar, que sabe fazer de tudo. Especialmente atuando à frente de um meio-campo sem essa característica. Verratti foi reserva, entrou apenas no fim do segundo tempo, e Paredes atuou bastante recuado, qualificando a posse de bola.

O Paris Saint-Germain mostrou um bom coletivo contra o Leipzig e evolui nesse quesito ao longo da temporadas, mas o sucesso contra Lyon ou Bayern de Munique, no próximo domingo, passará pela qualidade dos seus indivíduos. Especialmente de Neymar, Mbappé e também Di María.


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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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