Complicou? Chama o homem: Ronaldo cumpriu seu papel e decidiu para o Real Madrid
Por Bruno Bonsanti
Existe o mito de que Cristiano Ronaldo é um jogador que some nas decisões, quando seu time mais precisa dele. É uma máquina de gols apenas em desafios fáceis. Diante de fatos e números, é difícil sustentar essa tese com solidez. Diante da partida desta terça-feira, mais ainda: o português marcou os três gols do Real Madrid na vitória por 3 a 0 sobre o Wolfsburg, no Santiago Bernabéu, e classificou o seu time para as semifinais da Champions League. Foi decisivo como sempre esperam que ele seja.
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Esperam porque sabem que ele pode corresponder. É verdade que às vezes Cristiano Ronaldo tem uns lapsos, como no duelo contra a Juventus na última temporada, mas suas atuações, principalmente nas fases eliminatórias da Liga dos Campeões, são geralmente excepcionais. Por exemplo: com a tripleta contra o Wolfsburg, chegou a dez gols nas últimas dez partidas de mata-mata do torneio europeu. Marcou 15 vezes em 16 jogos de quartas de final e nunca foi eliminado nessa fase. Chegou a 16 tentos na temporada 2015/16 da Champions e está a apenas um de bater o seu próprio recorde de gols em uma única edição. Entre outras coisas mais ou menos relevantes, como ter dois títulos na prateleira e ser o maior artilheiro da história da competição.
Era da melhor versão de Cristiano Ronaldo que o Real Madrid precisava depois de perder o jogo de ida por 2 a 0. O time da casa fez uma habitual pressão inicial, em um ambiente favorável no Santiago Bernabéu, e o Wolfsburg soube lidar relativamente bem com ela até não saber mais. Começou a partida concentrado, bem posicionado e intenso. Criou uma cabeçada de Sergio Ramos nos cruciais primeiros 15 minutos e abafou em busca de oportunidades mais claras. A defesa dos alemães contribuiu para o panorama mudar em pouco instantes.
Aos 16 minutos, Carvajal roubou a bola no meio-campo, avançou e cruzou rasteiro para a segunda trave. Dante hesitou e deixou passar. Naldo fez a mesma coisa. A ação dos dois brasileiros permitiu que Cristiano Ronaldo aparecesse livre para marcar. No ataque seguinte, Kroos cobrou escanteio na primeira trave, Ronaldo apareceu como um foguete e desviou para fazer 2 a 0.
A vantagem que o Wolfsburg construiu com muito suor durante 90 minutos na Alemanha ruiu em sessenta segundos na Espanha. O confronto estava empatado. Se o Real Madrid tinha a vantagem de disputar o resto dele em casa, o Wolfsburg obrigaria o adversário a fazer mais dois gols caso conseguisse fazer apenas um. E quase conseguiu: Luiz Gustavo arriscou de longe para boa defesa de Navas, e Bruno Henrique, grande destaque do jogo de ida, dominou mal uma bola dentro da área e acabou tendo seu chute bloqueado pela defesa.
O segundo tempo voltou parecido com o começo do primeiro. Muita pressão do Real Madrid atrás do gol, e Benaglio precisando fazer ainda mais defesas. Uma delas foi no puro susto, quando Sergio Ramos cabeceou no pé da trave, a bola sobrevoou a linha e foi recolhida pelo suíço, sem ter, aparentemente, cruzado-a totalmente. Nunca saberemos com certeza porque a Champions League não utiliza a tecnologia da linha do gol. De qualquer maneira, pouco depois, a cobrança de falta de Cristiano Ronaldo definitivamente entrou.
A falta foi cometida por Luiz Gustavo em Luka Modric. Um carrinho por trás que poderia ter sido evitado e foi um pouco mais duro do que precisava. Cristiano Ronaldo não cobrou exatamente muito bem, mas a barreira abriu. Naldo fez um malabarismo estranho, a bola no buraco criado por ele e entrou no canto de Benaglio. Faltam 13 minutos para o fim do jogo, e o Real Madrid estava finalmente classificado. Mas um gol do Wolfsburg poderia colocar tudo a perder. Uma pressão sem precedentes se avizinhava.
Não foi o que aconteceu. Para quem estava a um único tento de alcançar um resultado histórico, o Wolfsburg até que nem pressionou tanto. As melhores chances desse período foram do Real Madrid, exigindo grandes defesas de Benaglio. Os visitantes não pareciam acreditar mais em uma reviravolta. O espírito se quebrou. Precisavam de uma partida perfeita no Bernabéu e não foi isso que aconteceu. Contra o Real Madrid, e contra Cristiano Ronaldo em um dia desses, qualquer erro cobra um preço muito caro.



