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Chelsea despachou com autoridade um Real Madrid sem ideias para ir à final

Com um caminhão de chances perdidas, Chelsea poderia ter se classificado com muita sobra contra um adversário que não conseguiu nem ameaçar a classificação

Enfrentar o Real Madrid na Champions League nunca é um bom negócio, em situação alguma, por tudo que o clube representa na história, incluindo os anos mais recentes. Contra um adversário desse peso, você não pode perder chances. Só que o Chelsea não se importou com isso. Foi superior no confronto e, depois de um empate por 1 a 1 no jogo de ida, venceu por 2 a 0 em Stamford Bridge em um jogo que os ingleses poderiam ter feito uma vantagem maior e mais confortável. O maior campeão da Europa foi um fantasma de si mesmo e os Blues, com uma defesa fechada e um ataque sempre muito rápido, eliminaram o Real Madrid, merecidamente.

Nas escalações, Thomas Tuchel manteve o Chelsea praticamente igual ao primeiro jogo. A diferença estava no ataque: Christian Pulisic, que fez o gol e foi um dos destaques da primeira partida, e entrou Kai Havertz, que foi muito bem no jogo do fim de semana contra o Fulham, quando fez os dois gols. Ele estava cotado para entrar no lugar de Timo Werner, mas acabou ganhando a posição do americano.

No Real Madrid, a grande novidade era a volta de Sérgio Ramos ao centro da defesa. O capitão não jogava desde o dia 16 de março, uma longa ausência. Em compensação, Raphaël Varane, lesionado, ficou fora, assim como Daniel Carvajal e Lucas Vázquez, as duas opções principais para a lateral direita. E isso implicou em mudanças táticas também.

Vinícius Júnior começou como ala direito, não como atacante. Éder Militão e Nacho formaram a zaga com Sérgio Ramos, com Ferland Mendy atuando na ala esquerda, no lugar de Marcelo, que ficou no banco. No ataque, Eden Hazard formou dupla com Karim Benzema.

Aa formação tática do Real Madrid era incomum, até mesmo para este time. Além dos três zagueiros, algo que Zinedine Zidane passou a fazer recentemente, a formação do meio-campo era em um losango: Casemiro na ponta baixa, Modric pela direita, Toni Kroos pela esquerda e na ponta alta, Eden Hazard. Assim, na verdade só Benzema era atacante de fato.

Aos 17 minutos, o Chelsea conseguiu abrir o placar, mas foi imediatamente anulado por impedimento. Mason Mount recebeu pelo meio, tocou para Ben Chilwell, que cruzou rasteiro para Timo Werner finalizar. O atacante estava à frente e o impedimento foi corretamente marcado.

O Chelsea tentou um lançamento nas costas da defesa com Jorginho, mas Casemiro, bem posicionado, cortou. O Real Madrid tinha dificuldades para entrar na área do Chelsea e, por isso, arriscava de fora da área. Luka Modric tentou de fora, mas sem grande perigo. Depois, foi a vez de Benzema, que chutou e obrigou o goleiro Edouard Mendy a uma boa defesa.

A sorte de Werner seria melhor 10 minutos depois do gol anulado. N’Golo Kanté tabelou com Timo Werner, achou Kai Havertz, que deu um toque sutil por cima do goleiro Thibaut Courtois. A bola caprichosamente bateu no travessão, ficou quase em cima da linha, e aí Werner não tinha como perder: tocou de cabeça e marcou 1 a 0 para o Chelsea. Ele ainda olhou para o assistente para ter certeza de não estar impedido. Abriu os braços e comemorou a vantagem dos Blues.

Aos 35 minutos, Benjamin Mendy cruzou da esquerda para Benzema, que tocou de cabeça com perigo. O goleiro Edouard Mendy fez uma grande defesa para impedir o gol de empate dos merengues. O primeiro tempo deu a impressão, mais uma vez, como foi no primeiro jogo, que o Chelsea poderia ter feito até mais gols.

No início do segundo tempo, por pouco o Chelsea não ampliou. Kai Havertz acertou o travessão pela segunda vez no jogo em uma cabeçada, em cruzamento da direita. Desta vez não saiu o gol. Mason Mount, em seguida, perdeu uma chance frente a frente. O volume dos Blues era muito maior e Kai Havertz teve uma nova chance ainda aos 14 minutos. Frente a frente com o goleiro Courtois, ele tocou colocado, em vez da cavadinha, e viu o goleiro belga defender.

A impressão era que o Chelsea poderia matar o jogo – e o confronto – a qualquer momento. Era melhor em campo, criava mais chances, mas o time de Londres desperdiçava as chances. Só que perder a chance de matar o jogo contra um gigante como o Real Madrid é sempre perigoso.

Zidane percebeu que precisava mexer no time. Então, trocou Vinícius Júnior, que fazia a ala direita, e colocou Marco Asensio. Também tirou o outro ala, Ferland Mendy, e colocou Federico Valverde. Os dois entraram também como alas. Valverde um pouco mais recuado, fechando mais e defendendo mais. Asensio mais à frente, embora ainda recompondo pelo lado esquerdo.

Em mais um contra-ataque, aos 20 minutos, o Chelsea jogou fora uma nova chance. Werner arrancou com a bola desde o meio-campo e rolou para o lado, onde entrava Kanté. O camisa 7 tocou e o goleiro Courtois defendeu. Logo depois, aos 22 minutos, Christian Pulisic entrou no lugar de Werner para dar mais velocidade e tentar matar o jogo.

Sem nada acontecer no jogo, Zidane mexeu de novo e arriscou mais: tirou Casemiro e colocou o atacante Rodrygo. Partiu com mais força ainda mais o ataque, ao menos na formação, na tentativa de ter mais jogadores no campo de ataque.

Só que o Chelsea, com uma boa combinação entre Pulisic e Azpilicueta, o americano cruzou para a área e quase Havertz chegou para tocar. Chegou um pouco atrasado. O Real Madrid parecia sem ideias. Tinha muitos atacantes, jogadores técnicos e ofensivos, mas não conseguia fazer o goleiro dos Blues trabalhar. O Chelsea, por sua vez, era quem estava mais perto de chegar ao gol.

O Real Madrid ainda acreditava em um gol, mas eis que o Chelsea, enfim, conseguiu o gol que definiu o confronto aos 39 minutos. Em uma boa jogada pelo meio, Kanté recebeu, tocou para Pulisic, que hesitou em finalizar, esperou o momento certo e tocou para o meio, onde Mason Mount só tocou de primeira para marcar 2 a 0. Placar mais do que suficiente para definir o jogo – seriam precisam dois gols do Real Madrid para a classificação mudar de mãos.

O jogo estava definido. O Real Madrid não esteve perto de um gol, que diria dois. Assim, o final do jogo foi um festival de substituições para gastar o tempo. Os sorrisos eram fartos no banco do Chelsea nos minutos finais. Com o apito final, os jogadores comemoraram muito e o técnico Thomas Tuchel celebrou. O zagueiro Thiago Silva, outra vez impecável, se ajoelhou e ergueu as mãos aos céus para rezar em agradecimento.

O Chelsea, de Tuchel , de Pulisic, de Mount, e Havertz, de Werner, de Thiago Silva, de Rüdiger e de Kanté, um monstor outra vez, está na final da Champions League pela terceira vez em sua história. Perdeu de forma dramática em 2008, ganhou de forma dramática em 2012, e agora tenta escrever uma nova história em 2021, em mais uma final doméstica, inglesa, como nquela noite de 2008 em Moscou. Aliás, contra um time de Manchester – naquele dia, o United, mas desta vez será o City.

Assim como nas duas vezes anteriores, o Chelsea chega à final da Champions depois de uma mudança de técnico na temporada. Em 2008, demitiu José Mourinho e foi Avran Grant que conduziu o time à final; em 2012, após a demissão de André Villas-Boas, foi Roberto Di Matteo que assumiu como técnico e foi até a final – terminou campeão. Em 2021, como será? Thomas Tuchel é um técnico mais experiente e vencedor que os anteriores e foi finalista com o PSG na temporada passada. Será possível desta vez bater o favorito?

Ficha técnica

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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