Champions League

Cheirinho de Superliga: Clubes europeus estudam novo coeficiente como critério para vaga extra na Champions

Reportagem do Guardian afirma que equipes inglesas estão à frente de lobby por reforma no número de vagas para o torneio

Todo ano surge um papo diferente com o mesmo objetivo de proteger as vagas dos grandes clubes na Liga dos Campeões. E mesmo com o formato inchado e elitista de dar muitas vagas para poucos países na fase de grupos do torneio europeu, toda hora aparece uma nova ladainha para privilegiar o mesmo clubinho. Desta vez, a conversa gira em torno de um benefício a clubes com melhor coeficiente no período de cinco anos, em detrimento da posição na tabela das ligas domésticas.

Você já sabe que, apesar do projeto da Superliga ter sido natimorto, parte dos ideais elitistas envolvendo um seleto grupo de clubes segue bem viva. Segundo o Guardian, está sendo feito um lobby na Uefa com apoio de 10 equipes que disputam a Premier League para que o modelo de classificação para a Champions envolva um coeficiente que leva em conta as últimas cinco temporadas domésticas, de maneira que duas vagas a mais sejam abertas para times que atendam a essa condição. Tudo isso, claro, ainda está no plano da discussão. Mas não se surpreenda se a questão tomar forma com o passar dos anos.

Depois da implosão da Superliga, a Uefa deu indícios de que faria alguma mudança no regulamento das suas principais competições, uma espécie de consolo aos clubes que estavam envolvidos na clandestina ideia de um novo campeonato exclusivo para convidados. O papel que a Uefa se prestaria se aceitasse esse novo modelo provavelmente enfraqueceria sua posição enquanto entidade que cuida dos interesses de clubes do continente como um todo, não apenas dos países mais abastados, que além de deter o poder econômico no mercado, também monopolizam a distribuição de vagas.

Ainda que se tenha uma ideia de que qualquer reforma não será implementada no curto prazo, a “ameaça” (que já estamos vivenciando) a um cenário ainda mais equilibrado segue no horizonte. Em outras palavras, o que se pretende com o coeficiente é reduzir a chance de equipes menores conseguirem participações na Champions, premiando quem possui melhores condições de desenvolver trabalhos estáveis no médio prazo por conta de recursos financeiros.

Olhando por uma perspectiva de influência das receitas, fica claro também que se os mesmos clubes disputam a Champions, a verba de participação continua sempre nas mesmas mãos, ampliando a desigualdade interna entre os grandes, médios e pequenos clubes, no campo doméstico. Tal desequilíbrio é certamente um fator determinante na construção de hegemonias ou de disputas entre um número limitado de equipes por títulos nacionais.

O grande problema é que a Uefa não parece disposta a peitar o avanço desenfreado das potências financeiras, e parece inclusive querer se alimentar delas para seguir promovendo uma imagem de torneio de elite, algo que a Champions sempre foi, mas cada vez mais perde o fator surpresa que as zebras ou pequenos intrometidos podem trazer à competição.

A Superliga não precisa existir literalmente para que a desigualdade torne o futebol menos acessível para equipes emergentes. Pelo visto, basta apenas que os mais ricos acenem com uma possibilidade de ruptura para que a Uefa atenda às suas demandas.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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