Champions League

Champions League teve os times de mais posse de bola eliminados nas quartas de final

A posse de bola já foi motivo de muita discussão recentemente no futebol. Ter mais posse de bola é usado muitas vezes como um sinal de dominação do adversário, quando é só uma estatística que pode, no máximo, dar um indício sobre isso. Nesta semana, os três times com mais posse de bola na Champions League acabaram eliminados da competição nas quartas de final. Bayern de Munique, Barcelona e Borussia Dortmund dominavam o quesito e caíram diante de Real Madrid, Juventus e Monaco.

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O Bayern de Munique é o líder em posse de bola na Champions com 62,3% em média por partida. Em dados da Opta Sports, o Bayern de Munique teve mais posse de bola no jogo de volta contra o Real Madrid, em plano estádio Santiago Bernabéu, com 52%. Só que em Munique, no jogo de ida, o time teve 49%, tendo menos que o Real Madrid. O Real Madrid, atual campeão e o clube com mais títulos da competição, com 11, é só o 11º colocado em média de posse de bola. O time tem 51,8%.

Junto ao clube alemão, o Barcelona tem média de 60,5%. Só os dois times conseguem ter média superior a 60% de posse de bola. No jogo de ida das quartas de final, vencido pela Juventus por 3 a 0, o Barça teve 68% de posse de bola. Mostra que o Barcelona teve a bola, mas pouco fez com ela de efetivo. A Juventus foi muito superior e venceu com justiça.

Na partida de volta, no Camp Nou, um raro 0 a 0, o Barcelona teve 65% de posse de bola. Um pouco a menos que no jogo de ida. Nas duas partidas, porém, a Juventus esteve no controle, sabendo o que queria fazer e fazendo muito bem. Até com algumas chances para vencer o jogo.

Em seguida na lista de posse de bola vem o Borussia Dortmund com 59,3%. E isso se refletiu nos dois jogos com o Monaco. No jogo de ida, 69% de posse de bola e derrota por 3 a 2, merecida – com todos os atenuantes de um time que sofreu um atentado indo ao estádio, o que tira a cabeça do lugar. No jogo de volta, 69% de posse de bola novamente. Mais uma derrota, agora por 3 a 1.

O Atlético de Madrid é o terceiro time com menos média de pose de bola entre os semifinalistas, com 50,5%. E o índice foi alcançado também pelos confrontos com o Leicester, apenas o 27º em posse de bola na Champions, com média de 42,2%. Foi um desafio ao Atleti, que precisou ser o dono da bola contra um time que preferia só contra-atacar. Não por acaso, o time espanhol teve 68% de posse de bola no primeiro jogo, vencendo por 1 a 0. No segundo, porém, inverteu de papel com o Leicester e teve 44%, com empate por 1 a 1.

O Monaco é o mais curioso caso entre os semifinalistas. O time do ataque avassalador, comandado por Falcao García e a revelação Mbappé, tem média de apenas 45,8% de posse de bola por partida. Isso mesmo: em média, tem menos posse que o adversário em média.

Curiosamente, entre os semifinalistas só a Juventus – sim, a Juventus – está no top 10 de posse de bola na Champions. A Juve é a sexta com 55,7%. O Real Madrid, como dito, é o 11º, o Atlético de Madrid é o 14º e o Monaco é o 22º.

Força no ataque, força na defesa
Buffon e Chiellini, da Juventus (Photo by Shaun Botterill/Getty Images)
Buffon e Chiellini, da Juventus (Photo by Shaun Botterill/Getty Images)

Algumas estatísticas indicam a força dos semifinalistas em outros quesitos. A Juventus, sempre incensada pela sua forte defesa, tem um dado que demonstra isso na prática. A Juve é o time que menos permite chutes a gol do adversário, 8,8 por partida.

O segundo colocado neste quesito é, curiosamente, o Monaco. Sim, o time que é conhecido pelo seu ataque avassalador e envolvente. O time do Principado permite 10 chutes do adversário por jogo, em média.

Uma outra característica defensiva é o de desarmes. Dos semifinalistas, o Monaco é o segundo que mais desarma com 21 por jogo, em média, atrás do Atlético de Madrid (22,2). Depois vem Real Madrid (20,2) e Juventus (17,8).

Em interceptações, o Real Madrid é quem lidera com 17,2 em média, seguido pelo Atlético de Madrid e Monaco (empatados com 16,8) e só então vem a Juventus, com 13,8. A Juve é, porém, tem mais faz falta entre os sobreviventes, 14,3.

Os semifinalistas, aliás, não são muito faltosos. A Juventus é a quinta no total. Os primeiros colocados estão todos eliminados. O Monaco é o 23º (contando os 32 clubes da fase de grupos), com média de 11,1. O Real Madrid é o 30º, com 9,3. O Atlético de Madrid é o time que menos faz faltas, em média, na Champions League. A média do time de Simeone é de 8,4 faltas por partida.

Ofensivamente, o Real Madrid se destaca pelo número de chutes por partida. É quem, em média, mais chuta a gol. São 19,8 por partida. Eliminou justamente o segundo, Bayern de Munique, com 19,3. A Juventus é a sexta no total (e segunda entre os sobreviventes) com 14,6, à frente do que time eliminou, o Barcelona, que é 13º no total com 13,1.

O Atlético de Madrid é o oitavo no total, com 13,7. O Monaco chuta 12,1 vezes por partidas, em média, o que o faz apenas o 15º no quesito. E também mostra como é um time eficiente, porque aproveita muito bem os chutes, mesmo sendo o que menos chuta a gol entre os quatro que restaram na Champions.

As estatísticas servem como um indicativo. A posse de bola já foi um mantra muito forte entre os clubes mais fortes da Europa, mas parece que desta vez, não é tão determinante. O futebol se adapta à medida que os times mais fortes se estabelecem com as suas armas. Os 10 anos de dominação do Barcelona e sua posse de bola fizeram muitos times criarem formas de jogar contra esse modelo. O próprio Barcelona teve que se reinventar e mexer nas características, ainda que mantenha o seu núcleo.

A posse de bola não é uma característica comum aos times que vão disputar o título europeu. Cada vez mais, os times precisam ser muito completos para levantarem a tão sonhada taça orelhuda.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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