Champions League

Campeão mundial, Manchester City pode ficar fora da próxima Champions?

Trivela explica como um título espanhol do Girona poderia tirar o City da Champions (se o regulamento for seguido à risca)

O sucesso avassalador do Manchester City neste século se alinha à chegada dos caminhões de dinheiro do Sheikh Mansour, dono do City Football Group, em 2008. A equipe inglesa, campeã mundial na última sexta-feira (22), voltou a ser uma potência em seu país e na Europa, conquistando títulos e apresentando um dos estilos mais bonitos do continente. Mas a ambição do grupo empresarial, que tem na aquisição de diversos times ao redor do mundo seu modelo de negócio, pode custar caro para os Citizens na Champions League em algum momento. 

Atualmente, o grupo City possui 12 clubes diferentes em 12 países e continentes, exceto na África, com presença no futebol masculino, feminino e juvenil. O projeto global teve início em 2013 e, desde então, tem sido muito lucrativo, contando com equipes em Nova Iorque, Melbourne City e etc. O Bahia, por exemplo, teve sua SAF comprada em maio de 2023.

Nenhum deles apresentava qualquer tipo de conflito de interesses entre si – até agora. Esse cenário tranquilo para o fundo de investimento poderia mudar caso o Girona fosse campeão da La Liga e o mesmo não acontecesse com o City na Premier League

A Trivela explica como o City poderia ficar de fora da Champions por conta do regulamento da Uefa. 

Girona busca o título da La Liga. E agora, City?

O City Football Group é acionista maioritário do Girona, equipe espanhola que está na vice-liderança da La Liga, desde 2017. E, até pouco tempo atrás, os gironistas se encaixavam em uma categoria parecida com os demais clubes comprados pelo grupo. Eles nunca haviam jogado futebol na primeira divisão antes de 2017 e retornaram à segunda divisão do futebol espanhol por mais três anos, após o rebaixamento em 2019. 

Porém, tudo mudou quando a equipe começou uma arrancada espetacular. Em duas temporadas, saltou da segunda divisão para fazer uma campanha com 83% de aproveitamento em 18 jogos. 

Empatado em pontos com o Real Madrid na liderança da competição, com 45 somados, o time vermelho e branco tem grandes chances de ser campeão, principalmente porque o concorrente merengue pode dar prioridade à disputa da Champions League no início de 2024, quando a competição continental chega às oitavas de final. 

Por fim, há uma chance real dessa equipe comandada por Míchel seguir nessa pegada e conquistar o título do Espanhol ou, pelo menos, entre os primeiros quatro colocados. E é aqui que podem surgir problemas com o regulamento.

Segundo as regras da Uefa, a prioridade de participar da Champions League é da equipe que terminar melhor colocada em sua respectiva liga nacional. Embora o City tenha dominado a Premier League durante vários anos, nesta temporada tem aproveitamento “modesto” de 66%, que não dão garantia de que a equipe de Pep Guardiola possa superar o Girona. 

Se isso se concretizar, o City poderia – segundo o regulamento abaixo – ficar fora da Champions League. Mas a verdade é: a entidade máxima do futebol europeu não quer estar na posição de impedir uma potência de participar de seu principal torneio. Por isso, há uma movimentação interna para realizar adaptações nas atuais regras.  

Recentemente, o Manchester United entrou em uma discussão parecida, por se tornar propriedade Jim Ratcliffe, que já proprietário do OGC Nice. A empresa entrou em contato com a Uefa antes de adquirir as ações, e seguiu com a negociação, sem grandes problemas.

Quais são as regras da Uefa sobre equipes do mesmo dono?

As regras mais recentes da Uefa foram criadas para evitar que qualquer entidade única, seja uma pessoa ou um grupo, detenha autoridade sobre várias equipes, o que poderia criar enormes questões sobre imparcialidade e competitividade. 

O Artigo 5 do regulamento da Champions League estabelece: “nenhum clube em qualquer competição da UEFA deter ou negociar títulos ou ações de qualquer outro clube participante numa competição de clubes da Uefa, ser membro de qualquer outro clube participante numa competição de clubes da Uefa, estar envolvido, a qualquer título, na gestão, administração e/ou desempenho desportivo de qualquer outro clube participante numa competição de clubes da Uefa ou ter qualquer poder na gestão, administração e/ou desempenho desportivo de qualquer outro clube clube participando de uma competição de clubes da Uefa”. 

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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