Champions League

Camp Nou rugiu e a Inter rugiu de volta: jogaço que acabou 3 a 3, com Barcelona salvo nos acréscimos

Depois de sair perdendo, Inter faz um segundo tempo épico no Camp Nou, vira o jogo e ficou na frente por duas vezes, mas Lewandowski salva o Barcelona da derrota e da eliminação. Situação dos catalães fica muito difícil no grupo

Foi uma noite memorável no estádio Camp Nou. Com ar arquibancadas cheias, com 92.302 pessoas, o ambiente foi de apoio, de barulho e muito quente. O Barcelona se jogou ao ataque, saiu na frente, mas tomou a virada e, no fim, se salvou de uma derrota graças a Robert Lewandowski. Um jogaço que terminou em 3 a 3, com a Inter duas vezes à frente no placar e com o polonês salvando os catalães. O empate evitou a eliminação já nesta rodada, mas a situação dos catalães fica difícil.

Isso porque o empate faz com que a Inter tenha vantagem no confronto direto. Com sete pontos, é esperado que os italianos vençam o Viktoria Plzen e, portanto, cheguem a pelo menos 10. Para pontuar mais, o Barcelona precisa vencer o Viktoria Plzen, que também enfrenta, e ainda vencer o Bayern de Munique. Isso considerando que a Inter dificilmente consiga pontuar contra o Bayern, porque se fizer isso, estará classificada independente dos resultados do Barcelona.

Xavi armou o Barcelona no 4-3-3 habitual, com Sergi Roberto na lateral direita e Marcos Alonso na esquerda. A novidade foi a zaga com Gerard Piqué, substituindo Andreas Christensen, que se machucou na semana passada. Sergio Busquets foi o volante no meio, ao lado de Gavi e Pedri. Raphinha, Robert Lewandowski e Ousmane Dembélé no ataque.

A Inter veio a campo ainda sem Romelu Lukaku e também sem o volante Marcelo Brozovic, ambos machucados. Simone Inzaghi manteve três zagueiros, que na prática se tornavam cinco com os alas recuados. Embora a formação fosse um 3-5-2, defendendo o time jogava em um 5-3-2.  O meio-campo tinha Nicolò Barella, Hakan Çalhanoglu e Henrikh Mkhitaryan.

Primeiro tempo: Barcelona pressiona, Inter se defende

O primeiro tempo foi bastante corrido, ao mesmo tempo que foi também uma batalha. Com o Barcelona pressionado e precisando do resultado, os catalães entraram para pressionar no ataque. O time comandado por Xavi tinha muito a bola, como, aliás, já tinha acontecido no primeiro jogo.

Logo no começo do jogo, Dzeko acertou a trave em um cruzamento, em um primeiro lance de perigo do jogo. A torcida do Barcelona ficou com o coração na boca. Aos 27 minutos, a Inter conseguiu um contra-ataque perigoso. Barella tomou a bola de Gavi, avançou e tocou para Dumfries, que armou e chutou forte. O goleiro Ter Stegen defendeu. Dzeko, pelo meio, reclamou com o ala holandês pedindo o passe.

Empurrada para trás pelo Barcelona, a Inter fechava o jogo pelo centro do gramado, impedindo que Lewandowski fosse acionado com facilidade. Sabendo que era preciso abrir o jogo, o Barcelona tentava inverter o jogo e encontrar os seus pontas com mais liberdade. A Inter, mesmo tendo que correr muito, se defendia bem.

Tocando a bola, o Barcleona conseguiu chegar bem aos 35 minutos. Lewandowski tabelou e chegou até a ponta esquerda, cruzou e a bola caiu na segunda trave para Raphinha, que pegou de primeira. O brasileiro errou o alvo, mas levou perigo.

Explorando os lados do campo, o Barcelona abriu o placar. Raphinha salvou uma bola na ponta direita e conseguiu acionar com sucesso Sergi Roberto, que entrou em velocidade, já dentro da área, e rolou para o meio para Dembélé completar para o gol. O Camp Nou explodiu em comemoração e o placar estava aberto: 1 a 0 para o Barcelona.

A Inter tentou reagir logo depois do gol, indo ao ataque e tocando a bola. O Barcelona pareceu respirar um pouco e recuperar o fôlego. Enquanto a Inter tentava reagir, o Barcelona buscaria ainda o ataque até o fim do primeiro tempo.

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Segundo tempo: Inter vira e Barcelona tem que correr atrás

Os dois times voltaram a campo sem alterações. O Barcelona manteve a postura de muita posse de bola nos minutos iniciais, inclusive tentando acionar Lewandowski pelo alto. O polonês estava muito marcado e não conseguiu cabecear.

Rapidamente, a Inter empatou o jogo. Aos quatro minutos, o zagueiro Alessandro Baston fez um lançamento longo e Nicolò Barella apareceu nas costas da defesa, em condição legal. O meia dominou e chutou rápido, antes da marcação chegar, para marcar 1 a 1. A bola foi bem nas costas de Piqué, que até abriu os braços achando que não tinha ninguém atrás, mas foi bem onde Barella conseguiu aparecer.

Dois minutos depois do gol, o Barcelona chegou com perigo. Ataque pela esquerda, com cruzamento para a área e Lewandowski, na entrada da área, pegou no alto, de primeira, quando teve chance de finalizar. Levou perigo, mas foi para fora. Uma rara chance que Lewandowski não estava sufocado na marcação.

Com o gol de empate, a Inter se animou no jogo. E começou a chegar com mais perigo pelos lados do campo, com Dumfries pela direita e com Federico Dimarco na esquerda. Dumfries teve uma chance pela direita ao cruzar para a área, mas o cruzamento rasteiro foi muito fechado e Ter Stegen defendeu. Em seguida, pela esquerda, Dimarco cruzou alto e a bola chegou em Dzeko, que finalizou de primeira. Gavi se recuperou na marcação e conseguiu bloquear. Um bloqueio essencial.

Em novo cruzamento da esquerda, foi Dumfries que apareceu na área para cabecear e exigiu uma grande defesa do goleiro Ter Stegen. Só que o Barcelona voltaria à carga, tocando bem a bola nas imediações da área, tentando achar os espaços e fazendo a bola passar pela área, sem que alguém conseguisse finalizar e sempre com a defesa chegando antes.

No contra-ataque, a Inter era perigosíssima. Em uma bola no meio-campo, Lautaro Martínez, recuado, fez um lançamento longo para Dumfries, que ganhou de um Piqué atrapalhado e tentou o passe para trás na direção de Lautaro, mas Marcos Alonso se esticou todo para cortar.

Só que a Inter aproveitaria a chance em seguida. Busquets errou passe no meio-campo, Çalhanoglu fez um lançamento lono para Lautaro, que dominou no peito, tirou da marcação e chutou forte no canto direito de Ter Stegen. A bola tocou no pé da trave, correu sobre a linha, tocou na outra trave e entrou. Chorado, mas entrou: virada da Inter no Camp Nou, 2 a 1.

O estádio que rugiu desde o começo do jogo sentiu pela primeira vez o impacto do resultado. Pela primeira vez, o barulho diminuiu. Os treinadores fizeram mudanças: entraram Ansu Fati e Frenkie de Jong nos lugares de Raphinha e Sergio Busquets. Na Inter, saiu Dimarco, que ia bem, e entrou Matteo Darmian. Pouco depois, Xavi fez mais duas mudanças: Alejandro Baldé e Franck Kessié substituíram Marcos Alonso e Sergi Roberto.

A Inter fez mais duas mudanças: colocou Robin Gosens e Raul Bellanova nos lugares de Çalhanoglu e Dzeko. Sangue novo para tentar segurar o ímpeto do Barcelona, que precisava de ao menos um gol para se manter viva na competição, ainda que em situação difícil.

Como a derrota eliminava o Barcelona, o time precisava se arriscar. Lewandowski recuou para tentar receber a bola e fez um lançamento longo para Dembélé, que balançou na frente da marcação e chutou, mas pegou na rede pelo lado de fora.

Aos 36minutos, o Barcelona arrancou o empate. Lwandowski aproveitou um cruzamento, tocou de cabeça, De Vrij tentou cortar, mas a bola sobrou para Lewandowski de novo. Ele chutou forte, a bola desviou em Bastoni e matou o goleiro André Onana: 2 a 2 no Camp Nou. Como diria uma música dos Titãs, o pulso ainda pulsa.

A empolgação tomou conta do Barcelona, que partiu para cima nos minutos finais. A Inter, claro, tentava reduzir o ritmo do jogo. Para isso, Simone Inzaghi fez mais duas mudanças no jogo. Colocou Kristjan Asllani no lugar de Barella e Francesco Acerbi no lugar de Bastoni. O time precisaria se defender nos minutos finais para ao menos manter o empate, que era bastante favorável.

Xavi também fez sua última mudança ao sacar Gavi e colocar mais um atacante, Ferran Torres. O time se colocava no ataque com tudo que tinha. A Inter se defendia, mais preocupada em gastar o tempo do que efetivamente em contra-atacar. Mas eventualmente, contra-atacou.

Em uma bola longa lançada para Lautaro, o atacante avançou e esperou o momento certo para tocar do lado oposto, em um passe rasteiro, para Robin Gosens chegar como um foguete e finalizar cruzado: 3 a 2 para a Inter. O banco inteiro da Inter entrou para comemorar. Eram 44 minutos e o jogo parecia resolvido, mas era cedo para isso.

Só que o Barcelona se recusava a se entregar. Aos 47 minutos, em um cruzamento para a área, novamente o craque do time, Robert Lewandowski: cabeçada mortal para empatar o jogo mais uma vez: 3 a 3 no Camp Nou. Mais uma vez, o estádio estava incendiado de emoções e gritando, torcendo pelo milagre.

A Inter teve a bola do jogo para mater o confronto, o jogo e o grupo. Lautaro recebeu a bola, segurou e tocou para Asllani, que teve a chance frente a frente com Ter Stegen. Ele poderia ter rolado para o lado, onde estava Mkhitaryan. Ele chutou, mas Ter Stegen fez uma grande defesa para impedir o gol.

O Barcelona se mantinha vivo por aparelhos e atacando para arrancar o que pudesse no ataque. A Inter mantinha a posse de bola no ataque, conseguindo escanteios e esperando o apito final. No fim, quando veio o fim do jogo, a sensação era que a Inter poderia ter matado a classificação já nesta noite. Não matou, mas sai do Camp Nou com uma situação bastante favorável.

Ao Barcelona, restará um pequeno milagre. Precisará vencer seus jogos e torcer contra a Inter como puder. O pulso ainda pulsa para o Barça, ainda que com dificuldades.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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