Champions League

Cambistas disfarçados, torcida do Atleti mais barulhenta e Cristiano Ronaldo no sacrifício: os bastidores da final

Por Estela Suganuma, de Milão

Semana de final de Champions. Milão estava colorida com as camisas de Atlético de Madrid e Real Madrid entre quinta (26), às vésperas da final da Champions League, e sábado, dia do dérbi. A cidade respirava o clima da decisão. Já no aeroporto, cartazes dos patrocinadores da competição ressaltavam que o estádio San Siro receberia a final no dia 28 de maio. A praça onde fica localizado o Duomo recebeu o tradicional festival da Champions, onde os patrocinados divulgavam as suas marcas em quiosques distribuindo brindes ou organizando jogos e brincadeiras.

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Sabendo que no Duomo haveria grande concentração de turistas e fãs de futebol, os cambistas já estavam na região desde quinta-feira. Alguns, para ser discreto e não despertar a atenção da polícia, seguravam cartazes com frases “preciso de ingressos”, “compro bilhete”. Ou seja, fingiam-se de torcedores que queriam ver desesperadamente a final. Um grupo de três homens seguravam cartazes amarelos com a mensagem de precisavam de ingresso. Mas, na verdade, comercializavam os bilhetes por preços dez vezes mais caros ao custo que a Uefa vende. Pediam € 900 (aproximadamente R$ 3,6 mil) por um ingresso da categoria 4, que é oficialmente comercializado por € 70. Ou um lugar mais próximo ao campo pelo valor de € 2,4 mil (R$ 9,6 mil), ou seja, € 2 mil a mais que o preço original de € 440. Para esta final, a Uefa disponibilizou 71.900 entradas, sendo 20 mil para cada torcida, seis mil para público geral e outras 25.900 para federações, imprensa e patrocinadores.

Os privilegiados que estavam no San Siro presenciaram uma torcida do Atlético de Madrid mais empolgada que a do Real Madrid. Mas os barulhos dos colchoneros já começaram bem antes da partida. Às vésperas do jogo, era possível ouvir os torcedores do Atlético de Madrid cantando e gritando “One. One. One. Cholo Simeone” pelas ruas. Na partida, por mais que houvesse alternância no barulho entre as torcidas, o que mais se ouviu foram os gritos dos colchoneros. Apoiavam a equipe principalmente após as tentativas de gol do Atlético de Madrid. Do lado do Real Madrid, curiosamente, um dos momentos em que a torcida gritou mais alto foi na comemoração quando Antoine Griezmann errou o pênalti.

Se a torcida do Atlético de Madrid foi marcante no San Siro durante os 120 minutos de jogo, mesmo após o apito final, os índios continuaram apoiando a equipe. Tanto que aplaudiram os jogadores Rojiblancos, que estavam inconsoláveis no campo. O treinador Diego Simeone, tão aclamado pela torcida, foi em direção aos torcedores e agradeceu o carinho. E, claro, não faltaram aplausos para o argentino, que levou o Atlético a duas finais de Champions League em três anos.

Mesmo não gostando de ver o maior rival conquistando a Europa, os aficionados do Atlético de Madrid aplaudiram também os jogadores do Real Madrid quando os Blancos estavam sendo coroados com a medalha. O respeito ao adversário não foi uma exclusividade dos colchoneros, já que antes os torcedores merengues também tinham batido palmas quando os Rojiblancos recebiam a medalha. A diferença é que é mais fácil ter uma atitude como essa ganhando do que quando se perde. Ainda mais dramaticamente.

Por mais que os torcedores do Atlético de Madrid não tivessem abandonado o apoio ao time, era possível perceber  que o sentimento era de dor e de decepção. Se na arquibancada o clima era de tristeza e choro, o ambiente dos jogadores do Atlético de Madrid era ainda mais depressivo. Os atletas, cabisbaixos, não quiseram falar com a imprensa e aqueles que participaram também da final em Lisboa como Filipe Luís e Juanfran eram os mais abatidos.

Não apenas de tristeza foi marcado o ambiente do San Siro. Do lado do Real Madrid, jogadores se sentiram como os reis da Europa. Entre eles, Cristiano Ronaldo, que cobrou o último pênalti, e Sergio Ramos, que fez o gol no empate em 1 a 1 com o Atlético de Madrid. “Tinha um pressentimento que eu marcaria o gol da vitória e disse para o Zizou [apelido do Zidane] que queria ser o último a bater. Ele perguntou se eu queria ser o primeiro, mas disse que faria o gol do título. E foi isso que aconteceu”, contou Cristiano Ronaldo, que admitiu ter jogado no sacrifício. “Psicologicamente, eu estava bem. Algumas vezes o corpo não acompanhou. Tive algumas dificuldades pelo que aconteceu nos últimos dias. Tentei ajudar a equipe. Corri, lutei e ganhamos o que é mais importante”.

Seja para merengues ou para colchoneros, a final em Milão será inesquecível. Inclusive em quem viu o último jogador a sair do estádio, Sergio Ramos, às 3h da manhã, feliz da vida por ter a primeira taça como capitão em mãos. Para os torcedores dos dois times, certamente foi uma noite difícil para dormir. Por razões diferentes, claro.

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Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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