Champions League

Benfiquistas atiram sinalizadores contra torcida do Atleti e, por um triz, não machucam menino

Um dos episódios mais dolorosos do Campeonato Português aconteceu na final da Taça de Portugal de 1996. Durante o clássico decisivo entre Benfica e Sporting, um sinalizador atirado por um benfiquista atingiu um sportinguista. Rui Mendes faleceu em consequência dos ferimentos causados pelo rojão, enquanto Hugo Inácio acabou condenado a quatro anos de prisão pelo crime que cometeu. Episódio triste que até hoje marca o encontro das duas torcidas. Mas cuja fatalidade não parece estar marcada nas lembranças dos encarnados. Nesta quarta, em um jogo de Champions, a torcida do Benfica voltou a lançar sinalizadores contra os rivais. Por sorte, ninguém saiu com ferimentos graves.

Apesar da proibição da Uefa, os benfiquistas entraram no Vicente Calderón com fogos de artifício. E cerca de seis sinalizadores foram lançados logo após o gol de Nico Gaitán, que empatou a partida contra o Atlético de Madrid. Um deles acertou um gandula, que teve ferimento leve na cabeça. Já outro caiu sobre o assento onde estava um garoto espanhol de dois anos. O artefato incendiou a cadeira onde ele estava sentado, mas por muito pouco não causou queimaduras no menino.

A ação dos encarnados paralisou o jogo por três minutos, diante da fumaça que tomava o campo. Além disso, outros tipos de fogos de artifício estouraram nas arquibancadas, o que provocou a ira da torcida colchonera e forçou a ação repressiva da segurança do estádio. Não adiantou muito. Mesmo depois do segundo gol, a cena voltou a se repetir, mas ao menos não acertou ninguém.

O Benfica se comunicou sobre o ocorrido, lamentando a ação “de uma minoria” e chamando os responsáveis pelo desacato de “arruaceiros”. A Uefa, no entanto, precisa agir. Sinalizadores ajudam bastante no espetáculo das torcidas, mas precisam ser controlados e usados com responsabilidade. E, em um setor no qual os torcedores visitantes ficavam sobre os mandantes, permitir a entrada dos fogos foi um enorme erro por colocar tantas vidas em risco. As punições precisam acontecer não apenas por quem atirou, mas também pela falha de segurança. Por sorte, as consequências não foram piores, como os próprios benfiquistas já provocaram – e nós, sul-americanos, vimos de perto com a morte de Kevin Espada durante o jogo entre San José de Oruro e Corinthians na Libertadores de 2013. Infelizmente, a inconsequência é generalizada, por mais que a organização na Champions costume ser maior.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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