Champions League

Até Guardiola vive a pressão infernal dos jogos de vida ou morte

Nos últimos anos, o Bayern de Munique tem sido um dos times mais fortes da Europa. Nas últimas cinco temporadas, por exemplo, o time só não esteve na semifinal do torneio uma vez. Mostra uma força na Europa que está acostumado a mostrar na Alemanha, onde é atualmente bicampeão e está com as duas mãos na taça desta temporada. Como um time deste fica em crise? Mas fica. Depois da derrota por 3 a 1 para o Porto no jogo de ida das quartas de final da Champions League, o médico do time se demitiu. Tudo porque se sentiu culpado pela derrota, já que algumas das principais figuras do time – como Arjen Robben, Frack Ribéry e Bastian Schwesinteiger – estavam no departamento médico.

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O comandante do Bayern de Munique é Pep Guardiola, considerado por muitos o melhor técnico do mundo. O catalão fez o nome depois de quatro temporadas de muito sucesso no Barcelona, empilhando taças e admiradores do futebol envolvente e dominante do time espanhol. No Bayern, Guardiola já conquistou títulos, mas sabe que a pressão pelo sucesso na Europa é gigantesco. A pressão foi sentida na temporada passada, quando os bávaros foram atropelados pelo Real Madrid – que acabaria campeão – na semifinal, com um sonoro 4 a 0 sofrido em casa.

Contra o Porto, o Bayern entrou com a faca no pescoço. Ser eliminado por um time claramente inferior geraria muitos questionamentos, que até Guardiola sentiria. Já estava sentindo, ao assumir a culpa pela derrota. Só que a pressão foi usada a seu favor. Em vez de sentir o gume da faca no seu pescoço, o time entrou com a faca nos dentes e passou como um trator pelos portugueses no primeiro tempo, abrindo 5 a 0. Depois do jogo, as palavras do técnico deixaram claro o tamanho da responsabilidade. “A questão aqui é vida ou morte e eu sei o quanto era importante para nós”, disse Guardiola depois do jogo à TV alemã ZDF. “A questão aqui é vencer, como era no Barcelona”.

Um mantra da torcida do Bayern de Munique é “Mia San Mia”, que, em bávaro, significa algo como “Nós somos quem nós somos”. Isso, claro, significa algo importante. O Bayern sabe quem é, o tamanho que tem, a importância que tem na Alemanha e na Europa. A ambição do Bayern é tornar-se um clube tão global quanto são Barcelona, Real Madrid ou Manchester United. Para isso, espera atingir o mesmo sucesso dentro e fora de campo que esses rivais. A língua, claro, é um problema – alemão só é falado, afinal, basicamente na Alemanha, ao contrário do inglês e do espanhol dos concorrentes.

O nível de exigência para atingir a excelência é grande. Por isso, Guardiola não estava completamente satisfeito depois da goleada por 6 a 1 sobre o Porto. “Nós podemos jogar ainda melhor”, afirmou o técnico. “Depois da derrota para o porto, os jogadores foram meus heróis. Agora é fácil amá-los”, disse o catalão.

O difícil de ganhar do Bayern de Munique é que além de um time muito forte, o técnico e os jogadores parecem capazes de aprender com os próprios erros. E isso torna o time ainda mais indecifrável e imprevisível. A obsessão de Guardiola pela excelência é outro adversário. Só que os rivais da Champions League também têm suas ambições. E Guardiola pode ser o melhor técnico do mundo, mas sabe que uma nova derrota como aquela contra o Porto abrirá novamente os questionamentos.

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Equipe Trivela

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