As estrelas de Dzeko e Zaniolo brilharam, transformando um jogo sofrível em vitória à Roma
O jogo no Estádio Olímpico parecia daqueles para se esquecer. Roma e Porto fizeram um primeiro tempo muito fraco pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. Os 45 minutos finais, entretanto, foram suficientes para transformar esta impressão. Contaram com equipes bem mais acesas e chances de gol. Sobretudo, com dois jogadores inspirados. Edin Dzeko é a referência dos giallorossi e teve uma atuação imensa. Enquanto isso, os romanistas aprendem a amar Nicolò Zaniolo, o garoto prodígio que traz um alívio nestes momentos difíceis. Justamente com dois gols de Zaniolo, em duas jogadas de Dzeko, os italianos conquistaram a vitória por 2 a 1. Só não saem tão satisfeitos porque os portistas dominaram parte do confronto e conseguiram descontar no final. O placar apertado deixa o cenário aberto rumo ao Estádio do Dragão, em novo duelo marcado para março.
O primeiro tempo ofereceu pouco futebol no Estádio Olímpico. O embate entre uma Roma sem confiança e um Porto que até possuía a iniciativa, mas não criava, privou os espectadores de emoções. Os portugueses tinham um pouco mais de posse de bola, sem conseguir romper a defesa adversária. Enquanto isso, nos espaços concedidos aos italianos, no máximo eles forçavam defesas seguras de Iker Casillas. Edin Dzeko era a referência na linha de frente, barrado pelo goleiro em um cruzamento que vinha em sua direção e, depois, por Yacine Brahimi, quando tentou fazer o papel de garçom em contragolpe. De qualquer maneira, a partida dava sono.
Foram 27 minutos até que acontecesse a primeira finalização, encaixada por Casillas. Do outro lado, Fernando igualmente tentou responder e mal sujou o uniforme de Antonio Mirante. A única chance real do primeiro tempo aconteceu aos 37. E já valeu pelo embate até ali. Dzeko recebeu na área e fintou Éder Militão. De frente para Casillas, encheu o pé. O goleiro deu um sutilíssimo desvio na bola, em bomba que explodiu na trave antes de sair. Foi o momento em que, enfim, os torcedores giallorossi tiveram um motivo para se levantar de seus assentos.
O segundo tempo, ao menos, guardou uma partida bem melhor. E tudo começou com a postura agressiva da Roma, que parecia outro time durante os primeiros minutos. Forçava as jogadas no ataque e buscava principalmente as laterais, embora continuasse esbarrando na tranquilidade de Casillas. Não demoraria ao Porto dar sua resposta do outro lado. Na melhor chance do time até então, Danilo cabeceou em direção ao chão e tirou tinta da trave. O problema seria lidar com a perda de Yacine Brahimi, que saiu lesionado. O lance gerou uma confusão entre os treinadores por conta do atendimento médico e ambos quase chegaram às vias de fato.
O Porto pareceu se desconcentrar e a Roma aproveitou, saindo em vantagem aos 25 minutos. Dzeko reafirmou o centroavante de alto quilate que é. Ao receber o passe na área, fez um excelente trabalho de pivô, conectando com Nicolò Zaniolo pelo lado direito. E a estrela do garoto brilhou. Dominou e achou espaço para bater cruzado. A bola ainda desviou na marcação, superando Casillas. Quando os portistas tentavam uma resposta, tomaram mais um. O segundo veio aos 31, em mais uma combinação da dupla. Jogadaça de Dzeko, que dominou na intermediária, puxou o contra-ataque e arrematou de fora da área. A bola rasante bateu no pé da trave, sobrando para Zaniolo completar com a meta escancarada.
Só que o resultado excelente para a Roma se tornaria um bocado pior aos 34. Foi quando o Porto descontou. A ligação direta a Adrián López parecia perdida. O espanhol até conseguiu ajeitar de cabeça, mas Tiquinho Soares tentou pegar de primeira e furou o chute. Só que os portistas deram extrema sorte: o balão veio na direção do próprio Adrián, que ficou com o caminho aberto para resolver. A pressão final foi dos visitantes, assustando principalmente em um tiro cruzado de Héctor Herrera, que passou próximo à trave. Já do outro lado, quase Aleksandr Kolarov assinalou o terceiro no fim, em chutaço que bateu no rosto de Casillas.
A Roma depende imensamente de Dzeko. O centroavante faz uma diferença ao time há tempos e, nesta terça, garantiu o resultado. Contou com a ajuda providencial de Zaniolo, bem além dos gols, para atenuar um pouco a crise no Estádio Olímpico. E a exigência será grande no Estádio do Dragão. Apesar da vantagem do empate, anotar gols será fundamental para dar um pouco mais de garantia aos romanistas. Botarão à prova um oponente que vem em melhor fase e que terá o apoio de sua torcida.



