Champions League

Arthur fez um grande jogo na Champions, para arrancar elogios de quem ainda não conhecia seu futebol

Lionel Messi foi o grande nome na vitória do Barcelona sobre o Tottenham em Wembley, não há questionamentos quanto a isso. As qualidades do craque pareciam elevadas à enésima potência em uma atuação na qual acertou quase tudo – e quando não acertou, ainda arrancava aquele suspiro de encanto, como nas duas bolas na trave. Porém, há outros tantos jogadores blaugranas que se saíram bem, sobretudo do meio para frente. E a impressão deixada por Arthur em seu primeiro jogo como titular na Champions é bastante positiva. Se não teve tanta influência direta no resultado, participando dos gols, o jovem brilhou principalmente pela maneira como ajudou a ditar o ritmo do time e acelerou a bola no meio-campo. Recebeu elogios rasgados por sua participação.

A ausência de Arthur no 11 inicial do Barcelona vinha soando mais como teimosia de Ernesto Valverde do que qualquer outra coisa. Bola não faltava, como bem se viu durante a pré-temporada, e arrancou elogios do próprio Messi. Entretanto, em suas participações por todas as competições, tinha somado pouco mais de 100 minutos em campo. O duelo contra o Tottenham se tornou uma grande oportunidade, até pela sequência ruim dos blaugranas e pelos problemas evidentes em seu meio-campo durante as últimas exibições. Faltava um pouco mais de consistência por ali. Faltava um cara do ofício que conseguisse fazer a bola girar, algo que não é exatamente a característica de Philippe Coutinho ou Arturo Vidal.

Foi o que Arthur fez. Contra um Tottenham que tentava apertar sua marcação, o Barcelona girava muito bem a bola em sua saída, talvez a característica principal do ex-gremista. A combinação com Sergio Busquets foi imediata e os dois já parecem se entender muito bem. Enquanto isso, Ivan Rakitic ficou menos sobrecarregado e correspondeu um pouco mais, embora tenha demorado a entrar no jogo. Valeu à maneira como os blaugranas se armaram no ataque, com Messi e Coutinho sendo o diferencial do time pela movimentação que desmontou a defesa dos Spurs.

O encaixe de Arthur em uma posição na qual faz parte da engrenagem, e a ajuda a girá-la, não demorou a acontecer. Vinha buscar o jogo e organizar a construção para que os protagonistas resolvessem na frente. Algo que ficou evidente no lance do terceiro tento, o mais bonito do Barcelona na noite, em que o camisa 8 participa diretamente. A abertura da defesa começa com ele, ao tabelar com Messi, até que Jordi Alba receba na esquerda e cruze para o camisa 10 definir com precisão. Rendeu elogios. Também valeu a entrega do brasileiro sem a bola, fechando os espaços. Olhando aos números, foram 70 passes de Arthur, com 91% de acerto, e três desarmes.

“Estava um pouco ansioso antes da partida, porque era um jogo importante, um grande evento. Mas os meus companheiros me tranquilizaram e me apoiaram para que desse o melhor de mim. Fico muito feliz que me comparem a Xavi, sempre o admirei muito, era o construtor do Barça. Fomos constantes durante toda a partida, soubemos defender e atacar quando precisava. O Tottenham é um rival duro, mas creio que fizemos uma grande partida e temos que nos felicitar”, apontou, na saída de campo.

Não dá para dizer que a grande atuação de Arthur em um jogo de Champions surpreende. Depois do que fez pelo Grêmio na última Libertadores, tornando-se logo a referência no meio-campo e protagonizando partidaças na fase decisiva, já demonstrava como era um extraclasse – ainda que Tite teimasse em não considerar isso. De qualquer forma, sua evolução no Barcelona depende de um pouco mais de calma. Natural que entrasse mais ligado no jogo de Wembley, embora isso pudesse culminar no nervosismo e nos erros, o que não aconteceu. Talvez seu início não seja tão regular, de atuações nota 8 para cima como esta. Ainda assim, fica claro que seu espaço no Barcelona está garantido. E precisa ser mais utilizado para ajudar o time ao longo das empreitadas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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