Champions League

Apesar do gol, a pergunta fica: Até que ponto o PSG pode seguir confiando em Cavani?

Desde que chegou ao Parc des Princes, Edinson Cavani sempre recebeu a pecha de ser um dos principais jogadores do Paris Saint-Germain. Nunca teve o protagonismo de Zlatan Ibrahimovic e muito se discutiu se a presença do sueco não minava o seu espaço. Pois bem: o uruguaio se tornou a estrela principal do ataque parisiense nesta temporada. Mas não vem agradando. Se o PSG não conquistou os três pontos contra o Arsenal nesta terça, os torcedores do clube estão no direito de reclamar de Cavani. Por mais que tenha feito o gol no empate por 1 a 1, outras tantas foram as chances desperdiçadas pelo centroavante.

Tinha tudo para ser uma noite de sonho a Cavani. Ou um enorme pesadelo ao Arsenal. Bastaram 40 segundos para o uruguaio colocar o PSG em vantagem. Aurier se mandou pela ponta direita e cruzou para o atacante, livre de marcação, escorar de cabeça. Os Gunners demoraram para se refazer do baque. Viam os parisienses dominando as iniciativas e travando bem o meio de campo, a partir de Rabiot e Krychowiak. Di María e Aurier se responsabilizavam pela criação. Mas Cavani pecava na finalização.

Durante o primeiro tempo, foram duas chances claríssimas desperdiçadas pelo centroavante. Primeiro, Cavani chegou a driblar Ospina e, mesmo com o gol vazio, errou o alvo. Depois, teve toda a liberdade para matar no peito dentro da área e, na hora de fuzilar, furou o chute. Por mais que o sistema do Arsenal falhasse em demasia, a desvantagem de um gol ficou barata rumo ao intervalo.

A partir do segundo tempo, o Arsenal começou a equilibrar mais as ações. O PSG seguia assustando, mas parava em Ospina. O goleiro apareceu e, outra vez, contou com o perdão de Cavani, errando no mano a mano. A partir dos 15 minutos, Wenger resolveu dar mais presença física a sua equipe. Tirou Coquelin e Oxlade-Chamberlain para as entradas de Giroud e Xhaka. Ameaçando mais a meta de Aréola, os ingleses arrancaram o empate aos 33. A partir de um rebote do goleiro, Alexis Sánchez surgiu com liberdade e acertou excelente chute no canto.

Unai Emery não aceitaria os pontos perdidos. Tentou dar uma nova cara ao seu time, com Pastore na vaga de Krychowiak. Nos acréscimos, os ânimos se esquentaram quando Giroud e Verratti se estranharam, e o árbitro optou por dar o segundo amarelo para ambos. Mas, apesar da pressão, o PSG só teve uma chance concreta, no último lance. Após cobrança de escanteio, Marquinhos tentou completar a bola desviada, mas não conseguiu.

Por fim, o empate sai como lucro ao Arsenal. A equipe perdeu muitas bolas e deu brechas na defesa, mas contou com o talento de Alexis Sánchez para decidir. Um ponto que conta bastante em um grupo que não deve ser surpresas, já que Basel e Ludogorets correm por fora. Enquanto isso, o PSG lamenta os desperdícios, que custaram caro em casa e dificultam um pouco a briga pela liderança. Será preciso buscar o prejuízo em Londres.

Já Cavani começa a ficar em xeque, mesmo sendo o único atacante de referência do elenco. Em quatro partidas oficiais na temporada, balançou as redes apenas duas vezes em 14 finalizações. Sem a companhia de Luis Suárez, não consegue ser tão produtivo quanto na seleção. A pressão aumenta, principalmente diante do mau início na Ligue 1. É a hora para o uruguaio mostrar o goleador que sempre prometeu, mas nunca com regularidade satisfatória. Ou em breve o PSG já desembolsará um bom dinheiro em busca de uma nova estrela para o seu ataque.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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