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Ao invés dos racistas, Chelsea preferiu ficar ao lado da vítima e a convidou para Stamford Bridge

O Chelsea teve sua imagem manchada por alguns torcedores que discriminaram um negro no metrô de Paris, em caso que ganhou as manchetes nesta semana. O clube, no entanto, vem trabalhando de maneira exemplar para calar os gritos de uma minoria em sua torcida. A primeira ação veio com o banimento temporário de três suspeitos de participarem do triste episódio – caso tenham mesmo o envolvimento comprovado, serão expulsos das arquibancadas de maneira perpétua. Agora, os Blues também estenderam suas mãos para a vítima, ao convidá-la para assistir ao jogo de volta contra o Paris Saint-Germain em Stamford Bridge.

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Depois das manifestações de José Mourinho e Roman Abramovich, Souleymane S recebeu a oferta de ver a partida no camarote dos diretores do clube. “Essas pessoas não pertencem a nós. Eu me sinto envergonhado em ser ligado a esse episódio que aconteceu”, declarou o treinador. O francês ainda não se manifestou se irá mesmo a Londres.

As declarações mais contundentes sobre o caso vieram de Bruce Buck, presidente do Chelsea: “Eu gostaria de deixar claro, em nome de todos no clube, nossa indignação em relação ao incidente ocorrido no metrô de Paris. Ficamos consternados com o que vimos. O clube também gostaria de pedir desculpas a Souleymane pelo comportamento de um número pequeno de indivíduos e as suas atitudes imperdoáveis. Nós estamos cooperando com a polícia na investigação e continuaremos fazendo isso. Também vamos realizar nossas próprias investigações e vamos punir os culpados. As pessoas envolvidas no incidente de Paris não representam o Chelsea. Eles não representam os valores deste clube e não têm lugar aqui. Esta opinião tem sido ecoada de maneira alta e clara pela grande maioria da torcida”.

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Entretanto, Souleymane S prometeu ir à justiça contra a discriminação. “Vou apresentar uma queixa contra o Chelsea e o PSG, porque é culpa deles. Os clubes precisam me dar uma explicação. Queria entrar no vagão, mas me bloquearam e me empurraram. Tentei forçar a passagem, e perdi o meu celular na luta. Eles me falaram coisas em inglês, que eu não entendo. Eu entendo que eles me atacaram por causa da cor da minha pele. Eu convivo com o racismo, isso não foi surpreendente para mim”, disse, em entrevista ao jornal Le Parisien. “Não contei para ninguém em casa. O que diria para os meus filhos? Papai foi discriminado por ser negro? Uma pessoa disse que eu era corajoso de resistir, mas ninguém veio me ajudar. O que poderiam fazer? Essas pessoas precisam ser encontradas, punidas e presas. O que aconteceu comigo não deve passar impune”.

Caso Souleymane vá ao Stamford Bridge, tende a receber uma enorme prova de respeito do Chelsea. A intenção dos torcedores neste momento é mais de tentar afastar a imagem de racista do que apoiar uma minoria ignorante. E não seria surpreendente se a recepção ao torcedor fosse realizada por Didier Drogba, mais do que um ídolo do clube, também um ícone da África e da comunidade negra. Para um clube que baniu mais torcedores de seu estádio por racismo que qualquer outro na Inglaterra, mais um jeito de demonstrar que o clube é bem maior do que a ignorância de poucos torcedores. Ainda que esta recepção à vítima não exime os culpados da punição criminal que devem receber.

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Equipe Trivela

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