Champions League

Antes que o Bernabéu virasse do avesso, Courtois segurou o Real Madrid nas mãos para possibilitar a reviravolta

Courtois fez quatro defesas decisivas para preservar a vida do Real Madrid no confronto e ainda frustrou a única tentativa de reação do City

Thibaut Courtois enfrentou resistência durante parte de sua passagem pelo Real Madrid. Alguns viam injusta a maneira como Keylor Navas foi escanteado e o belga também atravessou momentos instáveis no Bernabéu. Entretanto, o saldo do camisa 1 com os merengues é muito mais positivo. Foi importante em conquistas, decidiu inúmeras partidas, é o grande goleiro no qual o clube apostou. E o papel histórico de Courtois no Real Madrid se destaca um pouco mais nesta quarta-feira inesquecível de Champions League. Rodrygo e Benzema marcaram os gols na extraordinária virada contra o Manchester City. No entanto, o Real Madrid só chegou vivo até o final graças às mãos salvadoras de Courtois.

Courtois está tanto tempo atuando em alto nível que seus 29 anos parecem pouco à experiência acumulada. Estourou cedo no Genk, foi ídolo no Atlético de Madrid, escreveu grandes histórias no Chelsea. A chegada ao Real Madrid aconteceu após uma excelente Copa do Mundo em 2018, mas quando também não era exatamente uma unanimidade na Inglaterra, mesmo depois de viver seu melhor ano em 2016/17. A transferência ao Bernabéu vinha cercada de questionamentos – entre o passado colchonero, a situação com o tricampeão europeu Navas, o que o belga realmente aportaria ao time. Existia uma “grife” a se provar com bola.

A trajetória de Courtois no Real Madrid não é linear. Teve seus questionamentos e também momentos em que o goleiro não justificou a escolha, sobretudo na primeira temporada. Entretanto, o camisa 1 cresceu com o tempo no clube e se provou imprescindível. O título do Campeonato Espanhol em 2019/20, com um papel claramente decisivo, foi essencial nessa afirmação. O arqueiro merengue também teve grandes atuações na Champions em 2020/21, a ponto de ser eleito o melhor arqueiro da competição. Na atual temporada, Courtois segurou as pontas em diversas rodadas para viabilizar a reconquista de La Liga. Já na Champions, os épicos são possíveis por ele.

Contra o PSG, Courtois evitou uma sangria maior na ida ao defender o pênalti de Lionel Messi e também realizou boas intervenções na volta, embora tenha sido criticado por poder fazer melhor nos gols parisienses. No fim das contas, o drible desconcertante que tomou de Kylian Mbappé foi anulado e seus companheiros provocaram a catarse do outro lado. Diante do Chelsea, foram novas defesas importantes em Londres, sobretudo um milagre em chute de longe de César Azpilicueta. Não teve muito o que fazer quando os Blues reagiram no Bernabéu, mas ainda assim impediu uma goleada maior, até que os demais jogadores madridistas transformassem a noite. O belga salvaria também que a prorrogação terminasse nos pênaltis, com mais uma boa defesa. Já nos 4×3 do Etihad, seria espectador das falhas de sua defesa, dos gols do Manchester City e da falta de pontaria dos celestes em outros lances. Participaria mais em Madri, bem mais.

O Real Madrid até se acertou defensivamente no Bernabéu, em relação à ida. Não dava tantos espaços de graça ao Manchester City. Mesmo assim, os ingleses foram mais perigosos na maior parte do tempo. Courtois apareceu. Começou no primeiro tempo, ao espalmar um tirambaço à queima roupa de Bernardo Silva. Depois, repeliu o chute de longe dado por Phil Foden. E, mesmo fuzilado pela bola cheia de efeito de Riyad Mahrez na segunda etapa, impediu que o duelo estivesse resolvido quando João Cancelo mandou uma pancada de fora. O belga voou para manter a vida do Real Madrid, antes de ainda ser ajudado por Ferland Mendy numa bola tirada em cima da linha, com o arqueiro batido. Logo depois, quando Courtois se recuperou, de forma inacreditável, triscou um chute cruzado de Grealish com as travas da chute e mandou a bola milímetros ao lado da trave.

Rodrygo e Benzema fizeram o trabalho do outro lado, com a virada que terminou de ressuscitar o Real. Courtois ainda seria necessário nos últimos suspiros do Manchester City, das poucas vezes que o time chegou depois da virada. Foden era quem arriscava e de novo tentou mandar longe do alcance do goleiro. Ele se esticou e espalmou de forma impressionante, com a ponta dos dedos. Também contou com mais uma pitada de sorte, sem que Fernandinho completasse para dentro na linha de fundo. O craque de luvas segurou a classificação sem precisar ser testado numa disputa por pênaltis.

O Real Madrid desta temporada é um time de partidas eletrizantes e grandes personagens. Courtois é mais um deles. Não tem o protagonismo de um Benzema ou de um Ancelotti, mas figura entre os bons coadjuvantes merengues ao longo dos últimos meses. E também protagoniza certas noites palpitantes. O belga sustenta sua história em alto nível, como um dos melhores goleiros do mundo desde a última década. Nesta Champions, poderá adicionar ao currículo uma conquista inédita que torna sua grandeza evidente. E com papel decisivo para que todo esse milagre seja possível.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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