Além da grande assistência, Camavinga teve uma atuação muito madura no Bernabéu
Camavinga deu a assistência para o gol de Vinícius Júnior e auxiliou bastante na segurança defensiva pela esquerda
Muitas vezes, o Manchester City procurava o lado direito do ataque. Queria explorar a faixa esquerda da defesa do Real Madrid, onde havia aparentemente um elo mais fraco. Eduardo Camavinga é um lateral por causa das circunstâncias, não por costume, mas se mostra muito prestativo como um curinga de Carlo Ancelotti. O jovem de 20 anos por vezes sofre na defesa em uma posição que não é a sua natural. Nesta terça-feira, contudo, esteve entre os melhores jogadores merengues no empate por 1 a 1 no Estádio Santiago Bernabéu. Foi firme na defesa, auxiliou na construção, participou do gol numa excelente arrancada. É verdade que o empate surge de um passe errado seu, e o francês não foi imune às falhas. Mas o saldo geral é de uma partida muito madura do camisa 12, sem sentir necessariamente o peso da improvisação.
Desde que chegou ao Real Madrid na temporada passada, Camavinga já demonstrou que não tem problemas em lidar com as responsabilidades. As provas de maturidade do garoto são constantes. Pode não ter sido titular absoluto dos merengues, mas esteve entre os reservas mais úteis de Carlo Ancelotti desde 2021/22. Não à toa, a conquista da Champions League teve sua participação decisiva. Foi importante ao sair do banco em jogos-chave, sobretudo diante do Paris Saint-Germain e do Manchester City. Não estava totalmente pronto para aparecer no 11 inicial, mas virou uma carta na manga dos madridistas.
A Copa do Mundo destravou novas capacidades de Camavinga. O garoto se provou como uma alternativa de Didier Deschamps na lateral esquerda e apareceu de novo num momento grande, ao sair do banco para auxiliar a reação francesa na final do Mundial. Seria uma alternativa também para a lateral do Real Madrid, numa posição mais carente de alternativas com a ausência de Ferland Mendy. Camavinga começou a temporada como meio-campista, em sua posição natural, e virou um lateral recorrente a partir de janeiro. Nem sempre se saiu bem, com algumas atuações sofríveis sobretudo na defesa. Entretanto, evoluiu e aumentou sua regularidade por ali.
A decisão da Copa do Rei não seria das melhores apresentações de Camavinga como lateral. Carlo Ancelotti, entretanto, seguiu confiando no francês para fazer a função contra o Manchester City. Ressaltou como, na fase de construção, ele poderia se portar como um meio-campista: um jogador capaz de apoiar com passadas largas, cabeça erguida e construção por dentro. Na defesa, entretanto, o garoto precisaria manter atenção máxima. E isso se notou no Bernabéu. Camavinga funcionou muito bem.
O primeiro tempo de Camavinga foi excepcional. O lateral fechou a porta para o assédio contínuo. Toni Kroos e Luka Modric foram muito bem para auxiliar a preencher os espaços, assim como David Alaba e Antonio Rüdiger encaixaram as coberturas. De qualquer maneira, Camavinga se deu bem nos combates. Não deixou Bernardo Silva se criar para o seu lado. E quando teve escape, criou uma avenida para o gol. O lance do tento possui a pincelada fatal de Vinícius Júnior, mas surge a partir da arrancada de Camavinga. Tabelou para fugir da pressão na defesa, encontrou um clarão na intermediária e entregou para Vini decidir brilhantemente.
Já no segundo tempo, Camavinga até se soltou um pouco mais. Continuou fazendo um bom trabalho na defesa, um pouco menos exigido pelo Manchester City nesse aspecto. Pôde se soltar um pouco mais para se aproximar dos meio-campistas e iniciar os passes. É verdade que o toque forçado com Rodrygo gerou a roubada de bola que, no fim, Kevin de Bruyne mandou para a rede como um míssil. O francês teve outros erros pontuais, como num escorregão no final. Mas, no geral, auxiliou a posse merengue crescer e procurou o jogo. Sofreu muitas faltas e rondou a área dos Citizens, faltando apenas um pouco mais de acerto nas conclusões.
O desafio de Camavinga ainda terá mais 90 minutos no Estádio Etihad, que se prometem mais desafiadores pela pressão natural que o Manchester City exercerá em casa. Será outra prova de fogo para o lateral improvisado. Mas, no geral, a impressão positiva deixada pelo francês se projeta além. É um jogador que cresce em situações de jogo e possui aspectos técnicos ótimos, que se aprimoram com essa vivência em alto nível. Por enquanto, mostra como pode segurar as pontas na lateral. E, aos 20 anos, indica como pode tomar conta do meio-campo quando a troca de guarda acontecer em relação às lendas que permanecem no Bernabéu.



