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A vitória do City foi construída a partir da defesa e das ações capitais de Rúben Dias numa atuação de gala

Rúben Dias teve várias participações decisivas na vitória do Manchester City e transmitiu muita segurança ao sistema defensivo bem encaixado dos celestes

Rúben Dias não precisa provar mais nada sobre sua condição entre os melhores zagueiros do planeta. O que jogou na temporada 2020/21, em especial, o credenciou como um grande nome de sua posição. E mesmo com um currículo recheado de prêmios individuais, o beque teve uma atuação nesta terça-feira para constar na lista de melhores momentos de sua carreira. Foi impecável a apresentação do camisa 3 diante do Bayern de Munique. Participou de diversos momentos capitais e liderou um sistema defensivo que não deixou os bávaros penetrarem na área dentro do Estádio Etihad. O placar de 3 a 0 não passa diretamente pelo lusitano, mas sua importância foi explícita para quem viu o duelo.

A temporada de Rúben Dias é boa, ainda mais na Champions League. Porém, numa equipe que vê figuras como Erling Braut Haaland e Kevin de Bruyne arrebentarem com constância, o destaque para o beque naturalmente é menor. Mesmo no setor defensivo, a produtividade de Rodri salta mais aos olhos, ou então a confirmação de Nathan Aké no time. Mesmo assim, o camisa 3 possui uma bagagem e uma liderança que se expressam. É uma figura de muita utilidade, por seu encaixe e também pela maneira como consegue impor seu futebol. E o seu melhor se notou no Estádio Etihad.

O Manchester City testa nas últimas partidas um sistema híbrido, com John Stones se antecipando como volante e por vezes recompondo, enquanto Manuel Akanji e Nathan Aké protegem os lados. Diante desta maneira como o time se desenha, Rúben Dias acaba se tornando um ponto de referência aos companheiros dentro da área. É aquele que oferece equilíbrio e leitura de jogo na cobertura, também ao lado de Rodri, este com a missão de subir um pouco mais. E numa partida em que o encaixe dos Citizens foi excepcional, com o posicionamento sempre preciso na recomposição defensiva, o trabalho de Dias se sobressaiu.

O Bayern de Munique deu 12 finalizações na partida, só quatro dentro da área. Três delas foram bloqueadas e outra seguiu para fora. Além disso, o Manchester City sobrou nas ações defensivas. Foram 29 desarmes, contra só dez dos bávaros. Bernardo Silva e Akanji trabalharam muito pelo lado direito, onde combatiam o flanco mais ofensivo do Bayern, combinando-se para 15 desarmes. Rodri desarmou quatro vezes, com mais três para Aké, que ainda se destacou pelas seis bolas rifadas na área. Já Rúben Dias, com três desarmes, apareceu bem ainda com seus três chutes bloqueados e com o peso dos seus lances.

Muitas das ações defensivas de Dias foram decisivas. A começar pelo chute de Musiala que bloqueou no meio do primeiro tempo, num movimento crucial. Até porque, um minuto depois, Rodri mandou seu chutaço na gaveta e abriu o placar. Já durante a segunda etapa, Dias também travou uma cabeçada muito perigosa, num momento em que o Bayern tentava uma pressão. E numa rara escapada em velocidade de Serge Gnabry, o carrinho executado pelo zagueiro foi fantástico. Suas intervenções pareciam até mesmo contagiar o time, que quase sempre respondia com uma carga ofensiva.

E isso sem contar nas aparições de Rúben Dias no ataque. O zagueiro também poderia ter deixado o seu gol. Durante o primeiro tempo, com o placar já aberto, o zagueiro teve uma cabeçada travada dentro da área. Já na segunda etapa, quase foi seu o segundo tento do Manchester City. Dominou e bateu com estilo, mas Yann Sommer realizou uma defesa bastante difícil para evitar. Era mais um sinal da noite inspirada do beque, pronto para qualquer serviço.

Tão importantes quanto os três gols anotados pelo Manchester City é a meta invicta de Ederson. Quando o Bayern tinha mais ímpeto na partida, não encontrou solução diante dos defensores dos celestes. E essa resistência dos ingleses contrastou com o desacerto dos bávaros atrás, nem tanto em sua marcação, mas muito mais nas dificuldades de sair jogando. Os Citizens também souberam forçar os erros dos adversários. E tudo fica mais seguro quando há um zagueiraço para limpar os trilhos atrás como Rúben Dias, ainda mais numa noite tão efetiva como esta.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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