Champions League

“A reforma da Champions é uma tentativa de entrar com a Superliga pela porta dos fundos”, diz associação de torcidas da Premier League

Entidade inglesa criticou o aumento no número de jogos por clube e a classificação de times por coeficientes históricos

A Uefa deverá aprovar o novo formato da Champions League na próxima reunião de seu Comitê Executivo, marcada para 10 de maio. As novidades não são lá muito populares, como a ideia de reservar ao menos duas vagas para clubes por seu coeficiente histórico (não pelo desempenho em campo) e o aumento da fase de grupos para dez equipes. Nesta semana, a Football Supporters’ Association’s Premier League Network, entidade que representa as associações de torcidas da Premier League, emitiu uma nota oficial dura contra a entidade europeia. Disse que o novo formato é uma tentativa de impor a malfadada Superliga Europeia por vias tortas.

“Estamos unidos em oposição às propostas de reforma da Champions League, que são uma tentativa de entrar pela porta dos fundos com a desacreditada ideia da Superliga Europeia. No último ano, foram nossos grupos de torcedores que se uniram para forçar o colapso da Superliga. Naquele momento, a Uefa nos disse que os torcedores são o coração do esporte e prometeu que as visões das torcidas estariam no centro do palco para decidir o que viria a seguir”, afirma o grupo.

Um ponto bastante questionado pelo grupo, além das classificações por coeficiente, é o aumento de jogos continentais. A entidade não vê sentido em aumentar o número de embates sem tanto valor, criando cargas ainda maiores para os times e para as próprias torcidas.

“É com grande consternação que agora encaramos a perspectiva de mudanças na Champions League, que significarão muito mais jogos na fase de grupos e a entrada de alguns clubes baseada num coeficiente histórico de cinco anos. Essas propostas apenas aumentarão a distância entre os clubes ricos e os demais, da mesma forma que arruinarão os calendários das ligas nacionais, com a expectativa de que os torcedores sacrifiquem ainda mais tempo e dinheiro para ver jogos de fase de grupos sem sentido”, assinala a nota.

“Os torcedores não querem ainda mais jogos continentais, especialmente em fases de grupos prolongadas e um mata-mata extra. É irresponsável e fora de alcance até mesmo considerar dobrar o número de jogos em casa que os torcedores terão que assistir antes que as oitavas de final comecem. Isso será agravado pela crise do custo de vida que está atingindo a Europa”, complementa.

Para a associação, o caminho precisa ser o fortalecimento das ligas nacionais e uma distribuição maior das riquezas, para tentar tornar o futebol europeu menos desigual. Para isso, a Uefa não poderia ouvir apenas os clubes ricos, mas também outros envolvidos no jogo.

“Os torcedores da Premier League não querem dez jogos de fase de grupos envolvendo um pequeno cartel de clubes ricos, distorcendo ainda mais o equilíbrio competitivo. Queremos ligas nacionais fortes e competitivas, uma oportunidade igual para todos se qualificarem para as competições da Uefa por méritos esportivos, bem como uma distribuição mais justa da riqueza do jogo a partir das receitas que essas competições geram”, salientam.

“No ano passado, participamos de discussões construtivas com o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, que se comprometeu que os torcedores seriam ouvidos nesse processo. Nossa voz coletiva é unificada e nossa posição é clara. Pedimos à Uefa que demonstre que atua em prol do interesse de uma comunidade futebolística mais ampla e dos seus torcedores, não apenas em prol dos interesses de poucos investidores ricos e clubes administrados por estados que, há menos de um ano, tentaram destruir a família do futebol europeu”, finalizam.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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