Champions League

A maestria de Emre deixou o Basaksehir a centímetros de uma das maiores surpresas da Champions

Emre Belözoglu possui um lugar especial na história do futebol turco. Conquistou a Copa da Uefa e a Supercopa Europeia com o Galatasaray em 2000, além de estar presente na seleção que alcançou as semifinais da Copa do Mundo de 2002. Aos 36 anos, o meia não perdeu a sua sede por marcar ainda mais o seu nome. Por muito pouco, o veterano não colocou o Istambul Basaksehir de maneira surpreendente na fase de grupos da Liga dos Campeões. Faltaram centímetros para balançar as redes e superar o Sevilla em pleno Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán. Os azarões, no entanto, terão que se contentar com a competição na qual os andaluzes são reis. Vão para a Liga Europa, após o empate por 2 a 2, que culminou na eliminação na Champions após a derrota por 2 a 1 em casa.

Embora fizesse apenas sua estreia nas preliminares da Champions, o Basaksehir tem ampla experiência internacional. E não por ter participado das eliminatórias das duas últimas edições da Liga Europa. O elenco tarimbadíssimo conta com diversos veteranos. Emmanuel Adebayor, Eljero Elia, Márcio Mossoró, Júnior Caiçara, Gaël Clichy, Edin Visca e Volkan Babacan apareceram entre os titulares. Gökhan Inler saiu do banco. E ainda havia Emre, vestindo a faixa de capitão. Referência clara, após ter disputado a Champions por três de seus clubes anteriores – Galatasaray, Internazionale e Fenerbahçe.

Dono de um elenco melhor e jogando em casa, o Sevilla não deixou de dominar as ações ofensivas na Andaluzia. O time de Eduardo Berizzo bombardeou a meta turca durante os primeiros minutos. Teve até bola na trave. Mas não marcou. E viu, do outro lado, o Basaksehir botar panos quentes nas pretensões dos anfitriões logo em sua primeira finalização certa, aos 17. Júnior Caiçara fez a jogada para Eljero Elia dar esperanças de uma enorme zebra no Ramón-Sánchez Pizjuán.

A reação do Sevilla veio apenas no segundo tempo. Logo aos sete minutos, Jesús Navas cruzou com perfeição para Sergio Escudero empatar. Já a virada sairia aos 30, graças ao lindo gol de Wissam Ben Yedder. Livre de marcação, o centroavante chamou Clichy para dançar e bateu por baixo de Babacan. Tudo resolvido com os 4 a 2 no agregado? Não ainda. Aos 38, o Basaksehir voltou a deixar tudo igual. Edin Visca surgiu sozinho dentro da área e fuzilou o goleiro Sergio Rico. Um gol garantiria o milagre aos turcos. E ele quase veio aos 45.

A falta na entrada da área era tudo o que Emre queria. O veterano poderia mostrar sua maestria em um lance isolado, o suficiente para colocar o Basaksehir na história. A barreira congestionava o caminho do meia, mas Sergio Rico não parecia tão bem posicionado. Ao invés de fazer o esperado e bater cruzado de canhota, o camisa 5 resolveu mirar o canto que o goleiro não protegeu. Rico não chegaria nunca. Para seu alívio, a bola triscou na trave antes de ser neutralizada pela defesa. Por um golpe de sorte, o Sevilla se garantiu na fase de grupos.

Apesar do susto, o Sevilla ainda aparece como um time forte para avançar aos mata-matas da Champions, desde que não caia em um grupo tão complicado – estará no segundo pote. O grupo se modificou em relação à última temporada, especialmente após a saída de Jorge Sampaoli, mas trouxe um bom técnico e reforços bastante interessantes, sobretudo para o ataque.

Já o Basaksehir terá que se contentar com a Liga Europa. Não é uma punição tão grande assim, considerando a participação inédita e as chances maiores de classificação. Não é de se duvidar que o clube faça um bom papel, depois que outros turcos menos badalados chegaram aos mata-matas. De qualquer forma, fica aquele gostinho de que poderia ter sido mais. A falta de Emre será lembrada por muito tempo em Istambul, independentemente de ter entrado ou não.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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