Champions League

A fórmula da juventude que garante o sucesso de Atlético de Madrid e PSV

Atlético de Madrid e PSV podem não possuir as camisas mais pesadas em seus países. No entanto, ambos possuem uma história nas competições continentais que merece respeito. Gigantes nos feitos, que recuperaram o protagonismo recentemente, graças a uma visão de mercado parecida: a observação de jovens promissores. Por mais que a base tenha ajudado, a renovação do sucesso do Atleti seria impossível sem as ótimas apostas nas transferências. Da mesma maneira como o PSV voltou ao topo da Holanda pelos pés de diversos prodígios. Talento que também encaminhou ambos para as oitavas de final da Champions. E que tende a marcar a política de contratações em Madri e em Eindhoven por mais algum tempo.

Entre os 16 classificados para os mata-matas da Liga dos Campeões, Atlético e PSV estão entre os quatro com menor média de idade. O clube holandês é o líder no quesito, e com sobras: 24,1 anos por jogador, quase dois anos abaixo do segundo da lista, o Wolfsburg. Uma média que também se coloca como a menor entre os 32 participantes do torneio nesta temporada. Já os espanhóis sustentam média de 26,2 anos, mas com vários garotos entre os protagonistas.

A estratégia de PSV e Atleti se coloca como questão de manutenção. Os dois times fazem sua roda da fortuna girar a partir dos garotos promissores que desembarcam a um custo não tão grande, e acabam saindo badalados. Assim, ajudaram a justificar a reputação de vários craques para o resto da Europa. Além disso, a rede de olheiros de ambos os clubes não é eficiente apenas em seu trabalho na Europa. A maneira como descobrem destaques no futebol sul-americano (às vezes, antes mesmo dos próprios clubes da região) serve de exemplo. A lista de nomes é extensa e não se resume apenas a Brasil ou Argentina.

No Atlético de Madrid atual, a juventude impressiona justamente pela maneira como manteve o alto nível do time, depois de anos de seguidos sucessos. Os colchoneros acertaram em cheio em muitas observações e ainda fizeram evoluir jovens já renomados, como Antoine Griezmann. E a prova da renovação se dá no próprio time titular. Dos 15 jogadores que disputaram ao menos 20 partidas na temporada, nove têm 24 anos ou menos – e seis nem passaram dos 22 anos. O próprio Griezmann assume o papel principal, ao lado de destaques como Oblak, Koke, Saúl, Ferreira Carrasco e Óliver Torres.

Já no PSV, essa juventude se torna ainda mais gritante. Dos 27 atletas do elenco principal, somente cinco passaram dos 25 anos, e dois deles titulares. O restante do time prima pela pouca idade, especialmente entre aqueles que começaram a despontar em clubes menores do país ou que acabaram repatriados após momentos ruins em outras ligas. Nomes que ainda podem render bons lucros aos cofres dos Boeren e, assim, manter o modelo funcionando por mais tempo – como Jürgen Locadia, Luciano Narsingh, Adam Maher, Maxime Lestienne, Luuk de Jong, entre outros.

E ainda cabe ressaltar o peso que a prospecção na América do Sul possui nos dois clubes. Por ter mais dinheiro no caixa, o Atlético de Madrid vem conseguindo contratar seguidas revelações de grandes clubes locais. Ángel Correa e Matías Kranevitter merecem destaque, enquanto o colombiano Rafael Santos Borré será o próximo a pintar. Enquanto isso, o PSV tem o colombiano Santiago Arias e o uruguaio Gastón Pereiro, de ótimos momentos no Nacional e nas seleções de base. Mantém a tradição que já deu certo com Romário, Ronaldo, Farfán, Alex.

A partir desta quarta, o confronto entre Atlético de Madrid e PSV começa a decidir uma vaga nas quartas de final da Liga dos Campeões. Mas também quais serão as promessas que poderão ganhar destaque um degrau acima na principal competição de clubes da Europa. A oportunidade de ouro para eles, assim como para os clubes em seus ciclos virtuosos de apostas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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