Champions League

A atuação decisiva na Luz é mais uma prova do início excepcional de Luis Díaz pelo Liverpool

Com um gol e uma assistência, Luis Díaz não se importou com as vaias dos antigos rivais benfiquistas

Assim que a bola rolou e Luis Díaz foi acionado pela primeira vez na partida, vaias se ouviram no Estádio da Luz. A torcida do Benfica não se importava que o colombiano vestisse a camisa do Liverpool e ofereceu a recepção odiosa destinada a um antigo ídolo portista. O ponta, contudo, não teve problemas em lidar com a pressão. Pelo contrário, ele se sentiu muito à vontade no campo conhecido e seria decisivo. Com um gol e uma assistência, Díaz foi um dos grandes artífices na vitória dos Reds por 3 a 1. É mais um sinal de seu bom começo pelo clube, sem qualquer problema de adaptação.

Pelo valor que o Liverpool pagou por Luis Díaz, €45 milhões, era de se imaginar que o atacante logo participasse da rotação titular de Jürgen Klopp. Porém, o momento em que chegou garantia logo de cara um espaço. Sadio Mané e Mohamed Salah estavam na Copa Africana de Nações. O colombiano apareceu no 11 inicial de início e correspondeu com ótimas atuações. Além dos gols, dava agressividade e velocidade ao setor esquerdo. Ficaria no posto mesmo com o retorno de ambos os craques, agora com senegalês deslocado à posição mais centralizada no trio de frente.

Luis Díaz balançou as redes contra Norwich e Brighton na Premier League. Pela Champions, ainda ficaria no banco durante as duas partidas contra a Internazionale, limitado ao segundo tempo. A visita ao Estádio da Luz, então, parecia a ocasião perfeita para a sua estreia como titular pelo Liverpool no torneio continental. E, num jogo com peso suficiente, teria sua melhor atuação pelos Reds até o momento. Faria os encarnados sofrerem, algo que já conseguia nos tempos de Porto, quando registrou cinco vitórias e dois empates em sete confrontos com os rivais.

O primeiro tempo dominante do Liverpool teve grande participação de Luis Díaz. O ponta era bastante acionado pelo lado esquerdo e se combinava bem com Mané. Aproveitava o espaço para centralizar e definir. Algumas das primeiras oportunidades da partida foram criadas por ele, o que assegurava agressividade diante do controle dos Reds. E o segundo tento teria sua participação direta. Trent Alexander-Arnold tem muitos méritos no cruzamento espetacular, que pegou o colombiano sozinho na área. Ele também foi inteligente ao ajeitar de cabeça para Mané e permitir que o companheiro batesse às redes vazias.

Durante a segunda etapa, o Liverpool caiu de rendimento. Luis Díaz ainda tentava algumas jogadas, mas sem continuidade. Mesmo assim, uma prova da confiança de Jürgen Klopp veio na decisão de mantê-lo em campo, com as saídas de Salah e Mané. O colombiano se movimentava e daria a primeira finalização do time na etapa final, sem pegar bem na bola. Mas, quando conseguiu ler a jogada e se desvencilhar da marcação em velocidade, seria letal. Driblou Odysseas Vlachodimos e, já aos 42 minutos, selou um triunfo duro para os Reds ao longo da segunda etapa. A estrela do ponta brilhava.

A forma como Luis Díaz emplaca no Liverpool não deixa de surpreender. Considerando que é um jogador que não passou por categorias de base e teve uma ascensão meteórica, desde que foi descoberto na seleção colombiana indígena, era de se esperar que a intensidade das grandes competições cobrasse uma adaptação. O ímpeto do ponta, porém, influencia bem mais em seu sucesso. As características de velocidade e habilidade viraram uma arma aos Reds, também com poder de definição. Se o time chega tão forte na reta final da temporada, Díaz é uma das explicações. Conseguiu trazer novos elementos numa trinca de ataque que era histórica em Anfield e também novos motivos para os oponentes se preocuparem.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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