Champions League

15 confrontos do passado que se repetirão na fase de grupos da Champions 2020/21

A Champions League 2020/21 proporcionará diversos reencontros. Vários duelos aconteceram em edições recentes do torneio, mas há também embates que resgatam tempos bem mais longínquos nas competições continentais. Com o chaveamento, preparamos uma lista de 15 partidas antigas das copas europeias que se reeditarão nesta Champions. Consideramos apenas uma ocasião por confronto, mesmo que os clubes em questão tenham se enfrentado várias vezes, e priorizamos as que aconteceram há pelo menos 15 anos – e é por isso que vocês não encontrarão um Manchester United x Paris Saint-Germain, por exemplo. Algumas dessas histórias, aliás, são excelentes para serem contadas não apenas em pílulas e deveremos aprofundá-las durante as próximas semanas. Confira:

Bayern de Munique x Atlético de Madrid – Final da Champions 1973/74

Além dos confrontos recentes, incluindo a semifinal de 2016, as equipes definiram o título na Champions 1973/74. O Atlético de Madrid tinha um timaço, estrelado por Luis Aragonés, embora o Bayern viesse com a geração dourada de Franz Beckenbauer e Gerd Müller. A história daquele confronto é celebre: o Atleti levava a taça com um gol de Aragonés na prorrogação, mas um chute despretensioso de Hans-Georg Schwarzenbeck (com a colaboração do goleiro Miguel Reina) permitiu o empate por 1 a 1 no último minuto. Sem pênaltis na época, as equipes se reencontraram dois dias depois, com goleada dos bávaros por 4 a 0. Uli Hoeness e Gerd Müller dividiram entre si os tentos.

Bayern de Munique x Lokomotiv Moscou – Primeira fase da Copa da Uefa 1995/96

Num momento em que o Lokomotiv ganhava projeção, encarou o Bayern de Munique em uma de suas primeiras participações continentais. O time dirigido por Yuri Semin até venceu a ida por 1 a 0, gol de Evgeni Kharlachev dentro do Estádio Olímpico. Porém, o Bayern de Otto Rehhagel daria seu troco. Goleou por 5 a 0 em Moscou, com direito a dois gols de Jürgen Klinsmann e a três assistências de Emil Kostadinov. Em time que também contava com Lothar Matthäus, Oliver Kahn, Mehmet Scholl, Christian Ziege e outros figurões, o Bayern seria campeão do torneio – mas já sob as ordens de Beckenbauer, que assumiu no meio da campanha.

Internazionale x Real Madrid – Final da Champions 1963/64

Real Madrid e Internazionale já se enfrentaram 15 vezes por competições continentais. Curiosamente, não se encaram desde 1998. Os confrontos começaram a se tornar comuns nos anos 1960, quando ocorreu a maior ocasião logo de cara. Em 1964, as potências se pegara, na decisão da Champions. A Inter venceu por 3 a 1 em Viena, com dois gols de Sandro Mazzola e outro de Aurelio Milani, numa equipe que ainda contava com Luis Suárez, Jair, Mario Corso, Giacinto Facchetti e outros gigantes. Foi uma vitória pessoal ao técnico Helenio Herrera, velho conhecido do esquadrão merengue de Di Stéfano, Puskás e Gento. O argentino criou uma marcação cerrada aos astros adversários e abriu caminho ao triunfo. O Real deu o troco nas semifinais de 1966, enquanto a Inter passou nas quartas de 1967. Já nos anos 1980, os espanhóis eliminaram os italianos em todos os quatro confrontos eliminatórios.

Internazionale x Borussia Mönchengladbach – Oitavas da Champions 1971/72

Um dos jogos mais célebres da história da Champions. A Internazionale tinha Sandro Mazzola, Roberto Boninsegna, Jair, Giacinto Facchetti e outras estrelas. Hennes Weisweiler, todavia, também possuía seu esquadrão com Jupp Heynckes, Günter Netzer, Berti Vogts e Rainer Bonhof. E, diante de sua torcida, o Gladbach goleou por inapeláveis 7 a 1 em Bökelbergstadion. Só teve um porém: num episódio bastante controverso e cuja gravidade continua discutida, Boninsegna teria sido atingido por uma lata de refrigerante no primeiro tempo e, por isso, o resultado foi considerado inválido – mesmo que o duelo tenha seguido em frente. No San Siro, a Inter venceu por 4 a 2. Já quando os times se enfrentaram novamente na Alemanha Ocidental, dentro do Estádio Olímpico de Berlim, o empate por 0 a 0 garantiu a classificação dos nerazzurri. Os italianos seriam vice-campeões naquela edição, derrotados pelo Ajax.

Real Madrid x Borussia Mönchengladbach – Oitavas da Copa da Uefa 1985/86

Uma das maiores viradas da história das competições europeias foi protagonizada pelos dois clubes. Treinado por Jupp Heynckes, o Gladbach goleou na Alemanha Ocidental por 5 a 1. Frank Mill, Ewald Lienen e Uwe Rahn comandaram a linha ofensiva na incontestável vitória. O gol de Rafael Gordillo fora de casa, todavia, se provaria vital. O Real de Luis Molowny deu a volta por cima no Bernabéu, avançando com o triunfo por 4 a 0. Jorge Valdano e Santillana balançaram as redes, com o tento decisivo anotado aos 44 do segundo tempo. Curiosamente, os merengues eliminariam também a Inter na sequência daquela Copa da Uefa, na qual terminaram com o bicampeonato.

Porto x Olympique de Marseille – Fase de grupos da Champions 2003/04

Porto e Olympique de Marseille viveram uma temporada histórica em 2003/04. Enquanto os portugueses faturaram a Champions, os franceses foram até a final da Copa da Uefa. Antes disso, porém, encararam os próprios portistas no principal torneio continental. O time de José Mourinho levou a melhor em ambas, mesmo com Didier Drogba do outro lado. Maniche, Derlei e Alenichev marcaram os gols na vitória por 3 a 2 dentro do Vélodrome, enquanto Benni McCarthy resolveu o 1 a 0 no Estádio das Antas. O Porto ficou em segundo na chave, liderada pelo Real Madrid, enquanto a terceira colocação seria valiosa ao Olympique.

Porto x Olympiacos – Fase de grupos da Champions 1998/99

Porto e Olympiacos chegaram a ser inimigos íntimos na Champions. Na virada do século, foram três edições consecutivas se pegando na fase de grupos. A balança pende aos gregos, que venceram todos os jogos em casa e chegaram a arrancar um empate em Portugal. Em 1998/99, o embate no Estádio das Antas teve um movimentado empate por 2 a 2. Zlatko Zahovic e Jardel abriram dois gols ao time treinado por Fernando Santos. A reação do Olympiacos aconteceu depois dos 42 do segundo tempo, com Stelios Giannakopoulos e Sinisa Gogic. Já em Pireu, a equipe de Dusan Bajevic levou a melhor com o triunfo por 2 a 1. Os alvirrubros atingiram as quartas de final naquela edição.

Liverpool x Ajax – Oitavas da Champions 1966/67

O Liverpool de Bill Shankly já tinha de boas campanhas continentais naquele momento, com uma semifinal de Champions e uma final de Copa da Uefa. O Ajax de Rinus Michels é que não possuía tanta fama assim. Naquele confronto, o time liderado pelo jovem Johan Cruyff apresentou suas credenciais, com a goleada por 5 a 1 no Estádio Olímpico de Amsterdã – com destaque também aos dois gols do atacante Klaas Nuninga. A partida ficaria marcada não apenas pelo estilo técnico e de toque de bola dos anfitriões, mas também pela densa neblina que mal deixou os torcedores verem os lances. Já em Anfield, por mais que Roger Hunt tenha balançado as redes duas vezes, Cruyff garantiu os 2 a 2 aos Godenzonen e a classificação. Houve naquela ocasião um tumulto nas tribunas, que deixou cerca de 200 feridos. Os Ajacieden seriam eliminados pelo Dukla Praga na etapa seguinte.

Lazio x Dortmund – Quartas da Copa da Uefa 1994/95

Era um momento interessante de ambos os clubes. A Lazio treinada por Zdenek Zeman fazia bons papéis na Serie A, com Giuseppe Signori dominando a artilharia da competição. Já o Borussia Dortmund iniciava sua arrancada com Ottmar Hitzfeld, prestes a se tornar bicampeão alemão e também de faturar a Champions. Os laziali até se deram melhor no Estádio Olímpico, com o triunfo por 1 a 0, graças a um gol contra de Steffen Freund. A virada se deu no Signal Iduna Park, com a vitória dos aurinegros por 2 a 0. Referências ofensivas do time, Stéphane Chapuisat e Karl-Heinz Riedle se encarregaram da classificação. Os germânicos voltariam à Itália nas semifinais, mas seriam eliminados pela Juventus.

Club Brugge x Dortmund – Oitavas da Copa da Uefa 1987/88

Em uma época de entressafra ao Borussia Dortmund e bons valores ao Club Brugge, os dois clubes se encontraram nas oitavas de final da Copa da Uefa. A situação parecia encaminhada quando os aurinegros aplicaram uma contundente vitória na Alemanha: 3 a 0, com dois gols de Frank Mill, mas encarar a viagem à Bélgica não era nada fácil. E os anfitriões mostraram o seu poder de reação. O craque Jan Ceulemans abriu o placar. Já a sequência do jogo foi estrelada pelos Van der Elst, que não tinham qualquer parentesco, mas se combinaram para demolir os aurinegros. No tempo normal, Leo van der Elst anotou dois gols, forçando a prorrogação. E na meia hora extra, Franky van der Elst também deixou dois nos 5 a 0. Aquele Brugge chegou às semifinais, quando sucumbiu ao Espanyol.

Juventus x Dynamo Kiev – Quartas de final da Champions 1997/98

Juventus e Dynamo Kiev atravessaram anos bastante relevantes na virada do século. E os embates valeram uma vaga na semifinal em 1997/98. A Velha Senhora vinha de duas finais no torneio, com um título, treinada por Marcello Lippi. Desfilava com o talento de Alessandro Del Piero, Zinedine Zidane, Edgar Davids e outras feras. Enquanto isso, a Europa começava a conhecer o valor da geração de Andriy Shevchenko e Sergiy Rebrov, treinados pelo já lendário Valeriy Lobanovskyi. Na ida, as duas equipes empatara por 1 a 1 em Turim. Mas os juventinos dizimaram as esperanças dos alviazuis com a goleada por 4 1 em Kiev. Pippo Inzaghi foi o nome da noite com três gols, mas Zidane deu três assistências e Del Piero contribuiu com um gol, bem como com uma assistência. A Juve perderia a segunda decisão seguida, agora ao Real Madrid.

Juventus x Barcelona – Quartas de final da Champions 1985/86

Ainda que a decisão de 2015 seja o confronto mais notável entre Juventus x Barcelona, a história dos duelos é bem mais antiga. Os gigantes chegaram a se pegar nas fases iniciais da Copa da Uefa de 1970/71 e também nas semifinais da Recopa Europeia de 1990/91, embora a ocasião mais notável tenha ocorrido nas quartas de final da Champions de 1985/86. Dominante na fortíssima Serie A, a Juve era a atual campeã continental, enfim levantando a almejada taça. O time de Giovanni Trapattoni tinha Michel Platini e Michael Laudrup, além da base da seleção italiana, capitaneada por Gaetano Scirea. Já o Barcelona havia acabado de recuperar a coroa na Espanha, sob as ordens de Terry Venables, estrelado por Steve Archibald, Migueli e Víctor Múñoz. Mesmo com o desfalque de Bernd Schuster, o Barça passou. Ganhou por 1 a 0 no Camp Nou, gol de Julio Alberto, e buscou o empate por 1 a 1 em Turim. Cairia apenas na decisão contra o Steaua Bucareste.

Juventus x Ferencváros – Final da Copa das Cidades com Feiras 1964/65

A Taça das Cidades com Feiras foi a competição que antecedeu a Copa da Uefa, reunindo clubes importantes que ficavam de fora da Champions ou da Recopa. E o título chegou a ser decidido por Ferencváros e Juventus, em 1965. Treinada por Heriberto Herrera, a Juve não vivia mais um momento tão vitorioso na Itália, mas tinha nomes como Luis del Sol, Néstor Combin e Gino Stacchini. Entretanto, o Ferencváros trazia consigo a base da seleção húngara, protagonizada por Flórián Albert, além do capitão Sándor Mátrai e de outros nomes relevantes como Gyula Rákosi. Nas fases anteriores, os alviverdes já tinham eliminado o poderoso Manchester United, bem como Roma e Athletic Bilbao. Máté Fenyvesi marcou o gol do título na vitória por 1 a 0 em Turim, com a Velha Senhora tenha sentindo o desfalque do craque Omar Sívori.

Dynamo Kiev x Ferencváros – Final da Copa da Uefa 1974/75

Outra final continental do Ferencváros aconteceu em 1975. E o adversário também estará em seu grupo na Champions, o Dynamo Kiev. Parte da geração de 1965 permanecia com a camisa alviverde, como o goleiro István Géczi e o meia István Juhász. Surgiram também outros destaques, como Tibor Nyilasi e Gyozo Martos. Ainda assim, o Dynamo Kiev tinha uma espinha dorsal mais forte, repleta de jogadores da seleção soviética. Valeriy Lobanovskyi era o técnico à frente de uma geração que misturava medalhões como Vladimir Muntyan e Yevgeniy Rudakov a jovens como Leonid Buryak e Oleg Blokhin – este, prestes a levar a Bola de Ouro. Volodymyr Onyschenko balançou as redes duas vezes na Basileia, enquanto Blokhin fechou a vitória por 3 a 0.

Dynamo Kiev x Barcelona – Quartas da Recopa 1990/91

Os jogos mais lembrados de Dynamo Kiev e Barcelona aconteceram na Champions de 1997/98, quando os ucranianos atropelaram os espanhóis com duas vitórias amplas na fase de grupos. Mas os dois clubes tinham duelos mais antigos, pela própria Champions e também pelas quartas de final da Recopa 1990/91. O Barça já vivia sua era Cruyff, embora o treinador estivesse licenciado por uma cirurgia cardíaca. Carles Rexach foi o comandante. Em campo, Hristo Stoichkov, Michael Laudrup e Ronald Koeman eram os astros estrangeiros, ao lado de Andoni Zubizarreta, Txiki Begiristain e outros locais. Já o Dynamo de Anatoli Puzach tinha Oleg Salenko e Sergey Yuran como referências ofensivas. As duas equipes empataram por 1 a 1 no Camp Nou, antes do triunfo barcelonista por 3 a 2 em Kiev. Os blaugranas superaram a Juve de Roberto Baggio na semifinal, antes na derrota para o Manchester United na decisão em Roterdã.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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