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Champions é o vestibular de Kaká e Neymar para a Copa

Luiz Felipe Scolari está de olho na última Liga dos Campeões antes da Copa do Mundo de 2014. Dois dos jogadores mais talentosos que ele tem à disposição vão enfrentar testes diferentes, mas igualmente importantes para as suas carreiras. Kaká terá a chance de provar que ainda sabe chutar uma bola melhor que ninguém, e Neymar vai jogar o torneio mais difícil da Europa pela primeira vez na carreira. O resultado desse vestibular pode ter um impacto importante nas pretensões da seleção brasileira no Mundial que vai sediar.

A Liga dos Campeões não é estranha para Kaká. As arrancadas, gols e dribles que executou em 2006/07 foram cruciais para o título do Milan e para o prêmio de melhor do mundo que o brasileiro ganhou da Fifa naquela temporada. São 82 jogos de Champions League no currículo, mas agora a missão é muito mais difícil. Precisa liderar um elenco pouco experiente e sem grandes estrelas que veste uma camisa da qual sempre se espera muito em competições europeias.

Naquela edição, Kaká tinha a companhia de jogadores acostumados ao torneio, como Clarence Seedorf, Andrea Pirlo e Paolo Maldini. Na atual, os companheiros mais calejados em Liga dos Campeões são Philipp Mexés e Christian Abbiati, ambos com 52 partidas. Pressão não é problema para Kaká, que tem o respeito do grupo e vestiu a braçadeira de capitão logo na sua reestreia, quando Riccardo Montolivo deixou o campo. E há ajudantes talentosos, mas, quando a coisa apertar, Mario Balotelli e Stephan El Shaarawy vão olhar para o camisa 22 e esperar que ele seja decisivo.

Será que Kaká ainda consegue ser decisivo no mais alto nível do futebol europeu? A indiscutível qualidade do seu futebol diz que sim, mas a passagem conturbada pelo Real Madrid deixa dúvidas. A concorrência acirrada e a antipatia de José Mourinho impediram o brasileiro de ter uma sequência de jogos após a séria lesão no joelho em 2010. No Milan, há paciência e confiança da torcida e do clube para ele ter uma sequência de jogos e recuperar a boa forma, mas, após apenas uma partida oficial, o brasileiro voltou a se machucar e esse plano foi adiado por pelo menos um mês.

Aos 31 anos, Kaká tem quase a mesma idade de Rivaldo em 2002 e é mais novo que Zinedine Zidane, o melhor jogador da Copa do Mundo de 2006. Ele foi convocado apenas uma vez por Felipão, para enfrentar Itália e Rússia, e o histórico do gaúcho pode dar esperanças ao meia, mesmo que a sua temporada no Milan não seja grande coisa. O próprio Rivaldo e Ronaldo estavam em má fase e foram apostas do treinador na Coreia do Sul e no Japão.

A presença dele na lista de 23 convocados é, talvez, um dos grandes desejos de Neymar. Aos 21 anos, ele se encontra na posição incômoda de ser a principal esperança da seleção pentacampeã em uma Copa do Mundo disputada em casa. Seria um alívio para o garoto do Barcelona ter um jogador consagrado como Kaká ao seu lado para dividir os holofotes e a responsabilidade.

Neymar nunca se escondeu de nenhuma das duas. Houve algumas atuações apagadas pelo Brasil, mas o atacante tem 26 gols em 42 jogos, uma média extraordinária de 0,61 por partida que apenas Luis Fabiano, Ademir de Menezes, Leônidas da Silva, Zico, Romário, Ronaldo e Pelé superam entre os atacantes que marcaram mais de 20 vezes com a camisa da seleção brasileira.

O começo da sua caminhada por gramados europeus é promissor. Tímido no começo, Neymar está se soltando e ganhando a admiração dos espanhóis com dribles diferentes e inteligentes. Não fica mais tão preso ao lado esquerdo e já começa a ser um coadjuvante importante de Lionel Messi. Deu três assistências em quatro jogos pelo Campeonato Espanhol e marcou o gol do título da Supercopa contra o Atlético de Madrid.

Na Liga dos Campeões, o ex-jogador do Santos vai enfrentar desafios difíceis já na fase de grupos, como jogar contra o Milan, em San Siro, ou fora de casa com o Celtic, que ganhou do Barcelona na última temporada, e testar os seus dribles em mais defensores que vão disputar a Copa do Mundo do que em La Liga.

O resultado disso pode ser aquela propagada evolução que esperamos de Neymar no futebol europeu, mas, mesmo que ele tire uma nota vermelha na prova, terá outras oportunidades. É sua estreia na Champions League, e a Copa do Mundo, apesar de importante por ser em casa, também é sua primeira.  Kaká, porém, está mais próximo do fim da carreira e talvez tenha uma das últimas chances de mostrar que pode ser competitivo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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