Europa

Capitão do Rangers escreve carta e pede apoio da torcida para os protestos antirracistas antes dos jogos

Diante de vaias recentes aos jogadores ajoelhados em diferentes estádios, Tavernier solicitou o respeito e reafirmou o compromisso na luta contra o racismo

O Campeonato Escocês começa neste final de semana, com a volta parcial do público às arquibancadas. E em meio às discussões sobre vaias ocorridas durante as manifestações antirracistas na Eurocopa, com os jogadores ajoelhados antes do pontapé inicial, o capitão do Rangers pediu para que sua torcida respeite e apoie o posicionamento dos atletas. James Tavernier escreveu uma carta, ressaltando a importância da luta contínua contra o racismo.

Este será o reencontro do Rangers com sua torcida após a conquista do Campeonato Escocês na última temporada, que encerrou um jejum de dez anos no clube. Cerca de 23 mil lugares estarão ocupados nas arquibancadas. Os Teddy Bears enfrentam o Livingstone dentro do Estádio Ibrox e Tavernier confirmou que os jogadores se ajoelharão antes do apito inicial. Solicitou que a torcida respeite o gesto, afirmando que o simbolismo “se restringe à luta contra o racismo e nada mais”.

“Os últimos 16 meses foram difíceis em todos os cantos do planeta. Cada pessoa foi impactada, com muitos perdendo suas vidas para a Covid. Não podemos nos esquecer que devemos usar esta oportunidade para criar muita positividade e unidade dentro de nosso famoso estádio. Trouxemos para casa o título na temporada passada, quase em tempo recorde. No entanto, tivemos alguns momentos sombrios e difíceis ao longo do caminho. Infelizmente, todos os nossos jogadores negros e de outras minorias étnicas receberam ofensas racistas online”, afirmou Tavernier.

“Essa é uma triste acusação contra a sociedade e mostra como temos muito trabalho ainda a fazer para erradicar isso. Além do mais, um de nossos jogadores recebeu um ataque racista nojento dentro de campo. Como time e como clube, devemos não apenas nos levantar contra o racismo, mas também lutar contra isso todos os dias. Sempre que nossos jogadores sofreram abusos na última temporada, a maneira como nossos torcedores ficaram ao nosso lado foi simplesmente fantástica”, complementou.

O caso citado por Tavernier é o de Glenn Kamara, que recebeu insultos racistas de Ondrej Kudela durante o duelo contra o Slavia Praga pela Liga Europa. O jogador tcheco foi suspenso pela Uefa por dez partidas, embora Kamara também tenha pegado um gancho de três compromissos.

Tavernier enfatizou que o ato do time se ajoelhar não tem necessariamente um lado no espectro político e se concentra na luta contra a discriminação: “Muitas pessoas deram argumentos a favor e contra certas organizações políticas. Argumentos contra suas ações e o que eles pretendem defender. Não tenho interesse nisso tudo, nem meus companheiros de equipe ou comissão técnica. Nós nos ajoelharemos contra o racismo, nada mais e nada menos”.

“É por isso que vamos nos ajoelhar antes de nossos jogos. É um gesto muito simples, mas, esperamos, eficaz. É uma postura simbólica contra o racismo, nada mais e nada menos. No início de cada jogo da temporada, e ao longo dos 90 minutos, mostrem ao mundo exatamente o porquê de vocês serem uma torcida especial. Apoiem todos os jogadores que se orgulham de usar o famoso emblema RFC. Somos tão fortes quanto podemos ser. Mal posso esperar para ouvi-los rugir nas arquibancadas de Ibrox”, finalizou.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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