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Bom enquanto durará

Foram 74 minutos surpreendentes. Diante de toda pressão exercida pelo Real Madrid, o APOEL cumpriu o papel ao qual estava proposto e segurou o empate por 0 a 0. Os três gols marcados no fim do encontro serviram para explicitar a supremacia dos merengues, embora os cipriotas tenham se valido de uma dedicação acima do normal na intenção de manter vivo seu sonho na Liga dos Campeões. Um resultado que não chega a ser amargo, pelo contrário – ainda mais pelo evidente abismo entre os dois clubes.

A abdicação ofensiva dos cipriotas foi notável, sobretudo diante do fato de que o time da casa não deu um único chute a gol. Os únicos suspiros vinham em tentativas de saídas rápidas em bolas longas, a maioria delas puxadas por Aílton, homem mais adiantado em campo. A pouca precisão nos passes, combinada à marcação adiantada dos espanhóis, ajuda a explicar também a falta de efetividade do setor.

Do outro lado do campo, a organização da defesa foi digna de elogios até mesmo de José Moutinho. Assim como fez contra o Lyon, Ivan Jovanovic voltou a apostar em duas linhas de quatro jogadores, que protegiam a área de maneira bastante compacta. A soberania dos marcadores nas bolas alçadas à área praticamente anulou a estratégia do Real Madrid, ao contar com Benzema e Higuaín, dois homens de referência. As melhores oportunidades de gol dos blancos no primeiro tempo se limitaram a lampejos de Cristiano Ronaldo, aproveitando-se junto com Sahin da fragilidade do lado direito da defesa do APOEL.

A fortaleza cipriota começou a ruir justamente quando o time se soltava mais ao ataque. Mourinho reforçou o flanco esquerdo, com a entrada de Kaká e Marcelo. E, na sede por um gol, Jovanovic tirou Hélio Pinto da cabeça de área, dando lugar a Esteban Solari, o que acabou sendo crucial à derrota. O primeiro gol não demorou a sair e os merengues alcançaram nos 15 minutos finais a objetividade que não tinham até então. Prova do avanço em vão dos cipriotas, o terceiro tento veio em um contra-ataque fulminante do quarteto ofensivo madridista.

Nas entrevistas após o jogo, o discurso derrotista de Jovanovic foi inevitável. Afinal, a reversão do resultado no Bernabéu é praticamente inimaginável. O objetivo mais realista para o APOEL será novamente o de lutar ao máximo na proteção de seu gol, tentando evitar uma goleada retumbante – que, mesmo se concretizada, não minimizará o feito histórico já registrado pelo clube.

Para os dois meses restantes da temporada, caberá ao APOEL se concentrar na luta pelo título do Campeonato Cipriota e, consequentemente, na volta à Champions 2012/13 – já que apenas o campeão do torneio tem direito a uma vaga na competição continental. Ao menos a eliminação para o Real Madrid permitirá à equipe ter dedicação total ao quadrangular decisivo da liga nacional, cuja primeira rodada acontece já neste final de semana.

Mesmo fechando a temporada regular na terceira colocação, o time possui o caminho aberto rumo à conquista. Foram somente quatro pontos de desvantagem para o primeiro colocado. Desfavorável é o retrospecto contra os três adversários da fase final: apenas uma vitória foi obtida em seis partidas contra AEL, Anorthosis e Omonia. Além disso, Aílton e Manduca precisarão repetir no Cipriota o desempenho que tiveram na LC, algo que não aconteceu nas últimas rodadas.

Uma nova participação na Liga dos Campeões seria benéfica até mesmo para ajudar a direcionar os recursos obtidos com a campanha notável. Com orçamento de oito milhões de euros, o clube lucrou o dobro com a classificação até às quartas de final da competição continental – dinheiro este que ainda deve ser somado à venda de alguns jogadores que acabaram valorizados com o desempenho do time. O milagre ocorrido em 2011/12, se bem gerido, deverá trazer fartura ao APOEL por mais alguns anos.

Tragédia prenunciada

A organização do Campeonato Grego não afrouxou diante das cenas de violência registradas no clássico entre Olympiacos e Panathinaikos. De maneira justa, o Trifylli recebeu dura punição por conta das ocorrências, com três pontos deduzidos na competição e multa de 250 mil euros – que ao menos ajuda a cobrir os prejuízos no estádio Olímpico de Atenas, avaliados em 150 mil.

Além disso, a pena praticamente garante Pireu como destino da taça. O Olympiacos abriu dez pontos de vantagem sobre os rivais e, a quatro rodadas do fim, dependem de dois pontos em quatro rodadas para carimbar a faixa de campeão. Sem grandes desafios na tabela, a festa acontecerá em questão de semanas.

Pior que o fim das esperanças de título, foi a crise expandida após o anúncio da punição. Nada menos que 11 dos 13 membros da diretoria do clube pediram demissão. Como consequência, o racha político traz mais temores sobre as dificuldades financeiras vividas pelo PAO. Com o investimento dos sheiks ainda incerto, foi cogitada até mesmo a abertura de uma conta para depósitos de torcedores.

O débito com os jogadores chega a 6,5 milhões de euros e a venda de Sotiris Ninis ao Parma foi acertada, a fim de diminuir o rombo. E, como desgraça pouca é bobagem, os Prasinoi deverão fechar suas contas até o dia 4 de abril, quando precisam enviar as documentações do Fair Play Financeiro à Uefa. Ao que parece, será tão difícil conquistar a vaga para a próxima Liga dos Campeões quanto conseguir a permissão para estar lá.

CURTAS

Turquia

– Depois de certa demora, a Süper Lig divulgou o formato da “Super Final”, o quadrangular decisivo do Campeonato Turco. Os clubes iniciarão a disputa com metade da pontuação acumulada na temporada regular e apenas o saldo de gols será zerado. O torneio será disputado entre 14 de abril e 13 de maio.

– Além disso, também foi definido que o campeão da temporada regular – o Galatasaray – terá vaga nas preliminares da Liga dos Campeões, enquanto o campeão da Super Final vai direto para a fase de grupos. Se o Cim Bom vencer também a próxima fase, o segundo colocado do quadrangular vai para a qualificação.

– Já para a Liga Europa, o segundo colocado da Super Final, excetuando-se o Galatasaray, vai para a fase de grupos e o terceiro disputará as preliminares. Além disso, também haverá um quadrangular entre o quinto e o oitavo da temporada regular, que apontará o terceiro classificado à LE.

– A 32ª rodada serviu para definir os clubes presentes no quadrangular final. Fenerbahçe e Galatasaray estavam confirmados e ganharam a anunciada companhia de Trabzonspor e Besiktas. Além disso, o Gala também garantiu matematicamente a primeira posição na temporada regular – resultando na mencionada vaga na LC 2012/13.

– E, se quiser levar também a Super Final, o Gala terá que se virar sem uma de suas principais peças ofensivas. Artilheiro do clube na Süper Lig, com 12 gols, Johan Elmander lesionou a coxa e ficará fora de ação até o fim da temporada. Sem o sueco, Milan Baros retorna ao time titular, formando dupla de ataque com Necati Ates.

– Além de Ankaragücü e Manisaspor, já rebaixados, o Samsunspor se aproximou da degola, mesmo vencendo na última rodada. O clube terá que ganhar seus dois próximos jogos, torcer para duas derrotas do Antalyaspor e tirar cinco gols de diferença no saldo.

– Já na Copa da Turquia, o caminho está livre para o Fenerbahçe, após a eliminação de Galatasaray, Trabzonspor e Besiktas. Nas quartas de final, os Sari Kanaryalar enfrentam o Kayserispor. Já entre os times que ainda podem complicar o caminho do Fener estão Sivasspor, Bursaspor e Eskisehirspor.

Grécia

– Também em colapso financeiro, o AEK Atenas corre atrás de uma solução para não decretar falência. Ex-jogador do clube e presidente até 2008, Demis Nikolaidis retornou aos bastidores, empenhado em buscar dinheiro para salvar as Dikefalos Aetos.

– O Olympiacos deu o primeiro passo rumo à dobradinha na temporada, vencendo a ida das semifinais da Copa da Grécia, 1 a 0 sobre o OFI Creta. Do outro lado da chave, Atromitos e Asteras Tripolis empataram por 0 a 0.

 

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Equipe Trivela

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