Europa

Bola fora

Dois times campeões. Na Suécia, uma imagem não passou despercebida a quem acompanhava a festa promovida pelos Blåvitt. Em meio ao elenco que vestia uma camiseta com os dizeres “IFK Göteborg Campeões Suecos 2007”, o capitão Pontus Wernbloom festejava com uma vestimenta de um conhecido grupo de hooligans, o Wisemens. No Brasil, o líder do São Paulo, Rogério Ceni, dava uma volta olímpica no Morumbi com a bandeira de sua principal torcida organizada, a Independente, conhecida como uma das mais violentas do Brasil, com a frase “Encare se puder”. Nada foi comentado.

No país europeu a polêmica estava criada, jogador e presidente do clube se recusaram a comentar o fato. Mas esta história teria um desfecho ainda pior. A alegria pela conquista deu lugar a um prejuízo em torno de 800 mil coroas, pagos pelo clube, devido aos danos causados pelos torcedores que invadiram o gramado do estádio Nya Ullevi para comemorar, mas também para protagonizar cenas de vandalismo.

Infelizmente, o episódio não foi um caso isolado. Desde 2001, escândalos envolvendo “torcidas organizadas” são constantes na Suécia. Pesquisas realizadas mostram que 1/3 da população do país têm medo de freqüentar estádios, justamente pelos atos violentos destes torcedores.

Em agosto de 2007, o árbitro Peter Fröjdfeldt interrompeu a partida entre Hammarby e Malmo quando o jogador do time visitante, Jon Inge Höiland foi atingido por um objeto que veio das arquibancadas. O Hammarby pagou uma multa de 10 mil coroas. No mesmo estádio, o Söderstadion, um ano antes, uma invasão em massa de torcedores também deixou o time da capital Estocolmo com os cofres mais vazios. Registros de brigas pelas ruas também não é algo incomum.

Novas tentativas para coibir a violência e principalmente acabar com os prejuízos é prioridade para a Svenska fotbollsförbundet, entidade que comanda o futebol no país. Recentemente, os próprios clubes conseguiram o direito de investigar as imagens gravadas dentro dos estádios. A violência existe, mas as duras punições impostas à clubes e torcedores mostram que não há conivência e muito menos dependência na relação entre equipes e torcidas.

Por aqui, a volta olímpica são paulina, com um jogador como Ceni desfilar um dos símbolos da violência de torcidas no País, que nem sequer podem ser agitadas nas arquibancadas dos estádios de futebol de São Paulo há 11 anos, merecia ao menos uma reflexão. De uma forma ou de outra, a bandeira estava lá, foi parar dentro de campo, e foi exibida pelo capitão do time campeão nacional como se fosse algo natural. Talvez seja.

Despedida

Há uma semana, o futebol perdia Nils Liedholm, eleito o melhor jogador sueco de todos os tempos. Nils fez história como capitão da Suécia vice-campeã do Mundo em 1958 e principalmente foi ídolo no futebol italiano. O “Barão rubro-negro”, apelido que recebeu pela elegância de seu futebol, vestiu a camisa do Milan em 359 partidas pelo clube, marcando 81 gols.

Conquistou quatro títulos nacionais como jogador (1950/51, 54/55, 56/57, 58/59) e dois como treinador (1978/79). Também passou pelo comando do Verona, Varese, Fiorentina, e Roma, onde também conquistou um “Scudetto” (1982/83) e três Copas da Itália (1979/80, 80/81 e 83/84).

Nils nasceu em Valdemarsvik, uma pequena cidade com menos de 3.000 habitantes. Em uma de suas últimas entrevistas, místico como era, contou que havia cumprido uma profecia feita por uma cigana à sua mãe quando ainda era menino “ Ele ficará rico e viajará o mundo”. Morreu em Cuccaro Monteferrato, Piermonte, na Itália, onde era dono de uma vinícola e fabricava seu próprio vinho.

“Ibracadabra”

No Calcio ou na Liga dos Campeões, o sueco Zlatan Ibrahimovic foi o personagem da vez.

No derby contra a Juventus sobrou provocação da parte daqueles que já gritaram seu nome (os torcedores chegaram a atrasar o ônibus da Inter na chegada ao Delle Alpi e conseqüentemente o início do jogo). No final da partida o sueco não conseguiu conter a irritação e agrediu Georgio Chiellini .

Contra o CSKA, pela quarta rodada da Liga dos Campeões, Ibra se redimiu. Marcou um golaço, considerado pela imprensa sueca como um dos mais bonitos feito por um jogador do país.

O Milagre de Mestalla

Este era o título de jornais suecos e noruegueses na manhã da última quarta-feira. Quando muitos ainda duvidavam que Rosenborg poderia almejar mais alguma coisa na Liga dos Campeões, após o empate contra o Chelsea e a vitória em casa diante do Valencia. O RBK, na estréia do técnico Trond Herinksen, foi à Espanha e venceu o time da casa, comandado pelo também estreante Ronald Koeman, por 2 a 0.

Após a partida, os jornalistas locais, no auge da empolgação, classificavam o Rosenborg como exemplo de futebol taticamente perfeito.

O sucesso do Rosenborg anda servindo de inspiração para outras equipes da escandinávia, que disputam a Copa Uefa. Magnus Haglund, treinador do Elfsborg declarou pouco antes da partida contra a Fiorentina, na última quinta-feira, que disse aos seus jogadores. “Se o Rosenborg pode, nos podemos também”.

Se sobrou estímulo, faltou futebol e o time foi goleado por 6 a 1, no estádio Artemio Franchi.

Marcus Allbäck, atacante do FCK Copenhagem e da seleção dinamarquesa, que ficou conhecido por ser o autor do gol número 2 mil na história das Copas do Mundo, também perdeu a paciência na derrota da equipe por 1 a 0 para o Panathinaikos. Xingado pela torcida e irritado com as vaias, o atacante revidou e fez gestos obscenos para as arquibancadas.

A arrancada do BIF

Após um período de crise, o Brøndy, agora ocupa a oitava posição, continua sua impressionante seqüência invicta na Superligaen. A vitória por 3 a 0 contra Horsens, em casa, foi a sexta consecutiva da equipe comandada pelo técnico Tom Køhlert.

A preparação agora já está focada para o clássico da capital. No próximo dia 2 de dezembro, FC København e Brøndby IF, se enfrentam pela “Slaget om København” ou “Batalha de Copenhagem”, última partida das equipes em 2007.

Festa “canarinho” na Noruega

Lillestrøm x FK Haugesund disputaram neste domingo, no estádio Ullevål, a final da Copa da Noruega. Apesar da invasão dos torcedores da pequena cidade de Haugesund à capital Oslo, o favoritismo da equipe amarela e negra foi confirmado dentro de campo. Com dois gols do canadense Oliver Occean e o amplo domínio durante a partida a festa foi mesmo dos “Kanarifuglene”, torcida que tem como símbolo o canário, que comemorou pela quinta vez e após 22 anos, o título do torneio.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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