Europa

Bipolaridade curada?

Se fosse avaliado por um psiquiatra, o Galatasaray de Frank Rijkaard seria diagnosticado como bipolar. O time alternava momentos de extrema confiabilidade com grandes baixas ao longo da Super Lig. Depois de perder os dois primeiros jogos e chegar à zona de rebaixamento pela primeira vez na década, os Aslanlar deram sinais de repentina melhora. Foram quatro êxitos seguidos, que os lançaram diretamente à terceira colocação. Entretanto, mais dois tropeços tornaram a situação insustentável para Rijkaard.

É verdade que o treinador já era ameaçado desde a temporada passada, quando o clube não passou da terceira posição na competição nacional. Mantido pelos dirigentes do Galatasaray, Rijkaard perigou mais uma vez nos primeiros encontros desta temporada. A eliminação precoce na Liga Europa, na qual o time foi desclassificado pelo Karpaty Lviv, acabou colocando mais lenha na fogueira. E mesmo assim, o presidente Adnan Polat bancou o holandês no cargo.

A gota d’água, porém, foi a humilhante derrota sofrida para o Ankaragucu em casa. Milan Baros tentou evitar o pior ao anotar dois gols, mas nada suficiente para tirar a diferença no placar. A equipe de Ancara, que começara vencendo por 2 a 0, ainda ampliou para 4 a 2. Apesar de não ter sido mandado embora nas horas seguintes ao jogo, Rijkaard não permaneceu por mais uma rodada.

Mais que os problemas técnicos ou esportivos, as falhas administrativas também são evidentes no Galatasaray. Dentre os três grandes do país, foi o clube que pior contratou. Zvjezdan Misimovi? só chegou depois de muita pressão dos torcedores por algum reforço de peso. E, mesmo assim, dos recém-chegados, ninguém desencantou. Misimovic, Lorik Cana e Juan Pablo Pino, as três maiores contratações no período de transferências, balançaram as redes uma única vez.

A forma como Adnan Polat administra o Galatasaray, inclusive, possui forte oposição interna. Depois de ter sido vice-presidente nos anos 90, Polat foi eleito em março de 2008 para ocupar o cargo máximo do clube, com boa margem de votos. Com a temporada em andamento, venceu tanto a Super Lig quanto a Supercopa da Turquia, mas foi só. Em junho, tirou o novato Cevat Güler do comando do time para contratar o alemão Michael Skibbe. Depois disso, Bülent Korkmaz e Frank Rijkaard assumiram o cargo e não conquistaram um título sequer.

Para tentar recuperar a moral com os torcedores e salvar o mandato, Polat recorreu a um antigo ídolo para tirar o Galatasaray do limbo: Gheorghe Hagi. Quando ainda era jogador, Hagi defendeu os Cim Bom por cinco temporadas, conquistando títulos históricos como a Copa da UEFA e a Supercopa da UEFA. Durante a temporada de 2004-05, Hagi também foi treinador dos Aslanlar. E apesar de não ter ficado com o Campeonato Turco, venceu a Copa da Turquia de forma magistral. Na decisão, o clube goleou o rival Fenerbahçe por 5 a 1.

Em sua segunda passagem, o romeno terá, primeiramente, que encontrar a serenidade dentro do próprio grupo de jogadores. Antes de ser demitido, Rijkaard não tinha boas relações com alguns de seus atletas. E, nas entrevistas que concedeu depois que saiu, criticou, sem citar nomes, parte de seus ex-comandados. Segundo ele, se as atitudes deles não mudassem, dificilmente o Galatasaray reencontraria os bons resultados nesta temporada.

De início, Hagi começou com uma pedreira pela frente. Sua reestréia aconteceu justamente diante do Fenerbahçe, em jogo realizado no Sukru Saraçoglu. Ao menos o resultado, um empate por 0 a 0, deu tranqüilidade para o novo treinador no início de seu trabalho. E já na sua segunda partida à frente do Galatasaray, a primeira vitória: 2 a 1 sobre o Antalyaspor, resultado este que colocou o clube na oitava posição do campeonato.

Ainda faltam 24 rodadas para o fim da Super Lig, mas o trabalho de Hagi precisará ser intenso para recobrar as chances de título do Galatasaray. Mais que sua aura como ídolo, o ex-meia precisará ser também um craque no trato com um grupo que aparenta estar pouco interessado a chegar a algum lugar.

A espera de dois milagres

Desilusão na Liga dos Campeões para gregos e turcos. Enquanto o Panathinaikos conquistou mais um pontinho contra o Rubin Kazan e enxerga a possibilidade de classificação ao menos para a Liga Europa, o Bursaspor viu seu sonho continental se corroer ante o Manchester United.

Jogando em Kazan, o Panathinaikos se segurou bem e empatou o encontro com o Rubin por 0 a 0. A defesa, atuando com três zagueiros, esteve bem postada durante todo o encontro. Boumsong, inclusive, foi o destaque do lado dos Trifilis. Tzorvas também esteve segurou e fez importantes intervenções ao longo da partida.

Já no ataque, com apenas Cissé encravado na área adversária, o Panathinaikos demorou a assustar a zaga russa. Somente durante os 20 minutos finais, com a entrada de Govou, é que os gregos foram mais efetivos, mas mesmo assim não converteram as chances que tiveram em gols.

Com dois pontos em quatro jogos, o Panathinaikos ainda é o lanterna do Grupo D. E o empate do Kobenhavn com o Barcelona tirou ainda mais a esperança dos gregos. Agora somente duas vitórias nos dois últimos jogos, além da combinação dos resultados de seus adversários, dará a classificação. Como consolo, a passagem para a Liga Europa é um pouco mais palpável.

Pior ainda é a vida do Bursaspor, eliminado matematicamente na Liga dos Campeões. Os Yesil Timsah, contando com o apoio da torcida, mantiveram a postura contra o Manchester United durante todo o primeiro tempo. Mas, sem perseverar o empenho na segunda etapa, o time foi presa fácil para os Red Devils. Os ingleses fecharam o marcador em 3 a 0.

Sem um único ponto anotado, o Bursaspor segura a lanterna por mais uma rodada. E, após a vitória do Valencia, já não consegue mais ultrapassar os dois primeiros colocados nem mesmo se vencer as próximas partidas. O milagre, no caso, seria a classificação para a Liga Europa. Para tanto, basta “somente” vencer o Valencia na Espanha e torcer para uma derrota do Rangers contra o Manchester, além de vencer os escoceses no último encontro.

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Equipe Trivela

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