Europa

Em ritmo de treino, Bélgica vence a Sérvia em amistoso que dá respostas para Tedesco e Stojkovic

A vitória da Bélgica sobre a Sérvia não foi o foco do amistoso que serviu para os técnicos Domenico Tedesco e Dragan Stojkovic realizarem testes

Classificada para a Eurocopa de 2024, a Bélgica venceu o amistoso contra a Sérvia por 1 a 0 nesta quarta-feira (15), na Lovaina, com gol de Yannick Ferreira Carrasco logo aos dois minutos de jogo. O resultado, no entanto, não foi o mais importante da partida. Com ambas as equipes bem modificadas e sem a presença de torcedores no estádio, foi um treino onde o foco era realizar testes visando o torneio da Alemanha do próximo ano, no caso dos Diabos Vermelhos, e o último compromisso pelas Eliminatórias para Euro, no caso das Águias Brancas.

Pelo lado belga, o técnico Domenico Tedesco não utilizou Romelu Lukaku e percebeu a falta que seu artilheiro faz. Lois Openda foi escolhido para começar como centroavante e até criou boas chances com sua velocidade, mas foi mal na hora de concluí-las. No segundo tempo, Michy Batshuayi recebeu oportunidade e não foi bem, aparecendo pouco e desperdiçando uma boa chance. Outro ponto negativo que o treinador terá de corrigir para Euro é a dificuldade da defesa em cruzamentos na área. As melhores chegadas sérvias foram dessa forma, com os defensores dos donos da casa tendo muitos problemas para afastar e cortar as bolas cruzadas.

Os pontos positivos foram a pressão alta nos minutos iniciais do amistoso, que forçou erros da defesa da Sérvia e gerou o gol que garantiu a vitória, a compactação defensiva com uma linha de quatro defensores e outra de cinco meio-campistas em bloco mais baixo e a grande atuação de Youri Tielemans, que foi quem criou as melhores oportunidades com lançamentos longos e passes em profundidade.

Já Dragan Stojkovic provavelmente percebeu que não pode abdicar de seus talentosos veteranos. A Sérvia foi praticamente inofensiva no primeiro tempo, mas foi melhor na reta final do amistoso depois das entradas de Filip Kostic, Aleksandar Mitrovic e Dusan Tadic. A dificuldade para sair jogando, especialmente quando a defesa é pressionada, também foi motivo de preocupação.

Bélgica e Sérvia voltam a campo no domingo (19) pelas Eliminatórias para Eurocopa de 2024. As Águias Brancas recebem a Bulgária e podem entrar no gramado já classificadas, dependendo do que fizer Montenegro diante da Lituânia nesta quinta-feira (16). Os Diabos Vermelhos, por outro lado, cumprem tabela diante do Azerbaijão, em Bruxelas.

Primeiro tempo

A Bélgica foi melhor no primeiro tempo, criando boas oportunidades, sofrendo pouquíssimo defensivamente e abrindo o placar rapidamente. A postura inicial dos Diabos Vermelhos foi de pressionar a saída de bola da Sérvia, forçando erros do adversário, recuperações rápidas no campo de ataque e grandes chances. Logo no primeiro minuto, a pressão alta dos belgas resultou em um erro de passe de Pavlovic para Rajkovic. A tentativa saiu fraca, e o goleiro precisou sair quase nos pés de Lois Openda, não deixando que o atacante ficasse com a bola ao tocar com o peito, já que um uso das mãos caracterizaria um recuo. Carrasco ficou com a sobra na entrada da área, dominou tirando do arqueiro e chutou de pé direito para o gol vazio, inaugurando o marcador.

No minuto seguinte, outro erro de passe da seleção sérvia pelo lado esquerdo, mas perto da linha de meio-campo. Openda aproveitou o campo aberto, carregou até a área e finalizou com força, mas em cima de Rajkovic. A partir de então, os visitantes perceberam que outro equivoco na construção das jogadas poderia ser fatal e passou a arriscar bem menos. Com isso, a Bélgica passou a ter mais posse de bola, mas quase não era pressionada e apenas trocou passes na defesa.

Passado o início movimentado e com a natural queda do ritmo belga, a partida ficou cerca de 20 minutos sem fortes emoções. A Sérvia pouco pressionava a saída de bola adversária e também não arriscava quando a recuperava, rodando de um lado para o outro sem muitos passes verticais. As melhores chegadas foram em cruzamentos para área que a defesa mandante teve dificuldade em afastar, quase sempre cedendo um rebote ou permitindo que a bola seguisse por ali. Os sérvios, no entanto, não conseguiram aproveitar.

Já a Bélgica deixou de pressionar no campo de ataque e passou a se defender mais baixo, com uma linha de quatro defensores, cinco meio-campistas e somente Openda na frente. Os Diabos Vermelhos deixaram de recuperar a bola rapidamente, mas ofereceram pouco espaço para os sérvios. Com a bola, o objetivo era atrair o rival de alguma forma para explorar as costas da defesa com lançamentos longos para os velozes atacantes. Foi assim que Tielemans deixou Openda na cara do gol aos 25 e 32 minutos, mas o camisa 17 parou em Rajkovic em ambas as ocasiões. Na primeira, o goleiro defendeu com o pé o chute cruzado de canhota na entrada da pequena área. Já na segunda, o jogador do RB Leipzig não foi bem ao tentar driblar o arqueiro em chutou em cima dele.

Youri Tielemans foi o grande destaque da Bélgica na vitória sobre a Sérvia (Foto: Icon sport)

Entre as duas chances perdidas por Openda, a Sérvia achou a sua melhor em todo o primeiro tempo. Aos 30 minutos, Pavlovic apareceu na meia-lua para receber um recuo de um companheiro que estava dentro da área e servir Filip Duricic, que girou rapidamente, arrematou de canhota e carimbou o pé da trave esquerda de Matz Sels.

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Segundo tempo

As duas seleções fizeram alterações no intervalo. Pelo lado da Bélgica, Aster Vranckx, Wout Faes e Dodi Lukebakio substituíram Orel Mangala, Arthur Theate e Johan Bakayoko, respectivamente. Já pela Sérvia, Filip Kostic e Sasa Lukic entraram nas vagas de Filip Mladenovic e Marko Grujic. Apesar das mudanças, as equipes e mantiveram nas mesmas formações iniciais.

O segundo tempo foi bem mais equilibrado do que o primeiro, mas bem menos movimentado. O primeiro chute só foi acontecer aos 20 minutos, quando Deman recebeu grande lançamento longo de Vranckx vindo do campo de defesa, dominou com o peito entrando na área, limpou a marcação ao cortar para dentro e exigiu boa defesa de Rajkovic. Logo após o lance, a Bélgica fez mais duas substituições: Openda e Carrasco foram sacados para as entradas de Michy Batshuayi e Leandro Trossard.

As trocas mudaram um pouco o jeito dos Diabos Vermelhos atacarem. Trossard não recuava ou construía tanto como Carrasco, que caiu muito de produção na segunda etapa, mas foi bem mais incisivo, buscando o um contra um sempre que recebia a bola. Batshuayi, por sua vez, é menos veloz que Openda.

A Sérvia também fez mudanças, com Nikola Milenkovic, Aleksandar Mitrovic e Dusan Tadic substituindo Gudelj, Vlahovic e Samardzic. As alterações visitantes tiveram um maior impacto, e o time comandado por Dragan Stojkovic passou a levar perigo. Aos 24 minutos, Kostic inverteu o jogo para Radonjic dominar na área, driblar Deman e finalizar com força, mas para fora. Nos minutos seguintes, Lukic arriscou de longe três vezes, mas não acertou o alvo em nenhuma.

Apesar da melhora visitante, a Bélgica seguiu encontrando espaços para ampliar. Aos 27, a tentativa de chutão de Rajkovic não foi bem executada, e o goleiro precisou fazer boa defesa em chute de Batshuayi da entrada da área após recuperação Tielemans.

No fim, quase que os veteranos que entraram na segunda etapa garantiram um empate para Sérvia. Já aos 43 minutos, Tadic deu um corta-luz e permitiu que Kostic recebesse sozinho pela esquerda. O ala da Juventus chegou cruzando rasteiro de primeira na entrada da pequena área, onde Duricic completou de pé direito, acertou o travessão e lamentou demais a chance desperdiçada.

Foto de Felipe Novis

Felipe NovisRedator

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.

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