Até onde vai, Basel?

Aconteça o que acontecer no St. Jakob Park em 7 de dezembro, a edição atual da Liga dos Campeões da Europa já entrou para a história do Basel. O líder do Campeonato Suíço chega à última rodada da fase de grupos dependendo apenas de si para se classificar. Já tem, no mínimo, a vaga assegurada na Liga Europa.
O problema está no fato de que o adversário do dia 7 é ninguém menos que o Manchester United, o que faz qualquer pessoa de bom senso acreditar que os suíços verão o mata-mata da Champions pela TV. Mas, ainda que a iminente desclassificação se torne real – e ainda que venha com uma goleada –, o que essa turma da Basileia vem fazendo merece ser levado a sério. Basta lembrarmos que a campanha dos RotBlau até agora (duas vitórias, dois empates e uma derrota) é melhor que a de times do calibre de Manchester City, Lyon, Borussia Dortmund e Porto.
Desde a temporada 2002/03 uma equipe suíça não chegava à rodada derradeira da fase de grupos da Liga dos Campeões dependendo apenas do seu resultado para avançar na competição. Naquela oportunidade, o próprio Basel empatou em casa com o Liverpool por 3 a 3 e passou à segunda fase de grupos (existente na época), eliminando os ingleses.
Na fase seguinte, a desclassificação só ocorreu no saldo de gols, mas ficou o gostinho de uma vitória por 3 a 1 sobre a Juventus, que se sagraria vice-campeã europeia.
Sucesso parecido só ocorreria em 2005/06, temporada em que o clube chegou às quartas de final da então Copa da Uefa – caiu perante o Middlesbrough.
Sequência de vitórias
O Basel passou por um momento delicado em outubro, quando o técnico Thorsten Fink deixou o clube após quase dois anos e meio, transferindo-se ao Hamburg. Heiko Vogel, até então seu auxiliar, foi nomeado o novo treinador até o final deste ano e uma nuvem de incertezas se instalou sobre a Basileia. Rendeu até uma coluna, aqui (https://trivela.com.br/coluna/austria-suica/sem-thorsten-fink-basel-se-transforma-em-incognita).
Vogel, um alemão de apenas 35 anos, assumia uma equipe profissional pela primeira vez na vida. Era natural que todos tivessem dúvida sobre sua capacidade. E que a torcida lamentasse a saída de Fink, bicampeão nacional e campeão da Copa da Suíça com o FCB – apesar de uma parte dela considerar-se traída pelo treinador.
Dentro de campo, o momento era bom. Os RotBlau vinham embalados pelo excelente empate por 3 a 3 com o Manchester United em Old Trafford (chegaram, incrivelmente, a estar vencendo por 3 a 2 de virada e sofreram o gol de empate aos 45 do segundo tempo). Mas a desconfiança sobre o novo técnico existia – e era natural.
A goleada de 5 a 1 sobre o Schötz, da terceira divisão, pela Copa da Suíça, não aliviou a pressão sobre Heiko Vogel na estreia. E a derrota no jogo seguinte, 2 a 0 em casa para o Benfica, parecia dar o tom do que seria uma nova (má) era no clube.
Ledo engano. A partir daí, o Basel desandou a ganhar. Na Super League, já são cinco vitórias seguidas (na verdade, seis, se contarmos o jogo de despedida de Fink, 3 a 0 no Servette). O time faturou clássicos contra Zürich, Grasshopper e Young Boys e saltou do quarto para o primeiro lugar.
Na Champions League, foram quatro pontos em dois jogos consecutivos fora de casa: em Portugal, empate por 1 a 1 com o Benfica; na Romênia, o triunfo sobre o Otelul Galati por 3 a 2. E na Copa da Suíça, apesar de dificuldades inesperadas, a classificação para as quartas de final foi conquistada na prorrogação, ao vencer o Wil, da segunda divisão, por 3 a 2, neste sábado. Resumo da campanha de Heiko Vogel: oito vitórias, um empate e uma derrota.
Méritos para o novato
Quando Thorsten Fink deixou a Basileia para ganhar uma grana e começar projeto novo em Hamburgo, vários nomes foram ventilados como possíveis substitutos do alemão. O mais forte deles era o de Murat Yakin, técnico do Luzern.
Na época, ao mesmo tempo em que lamentavam a saída de um comandante querido pelo grupo, os jogadores davam, em suas declarações públicas, total apoio à efetivação de Vogel.
O que poderia parecer meramente um discurso protocolar mostrou-se, com o passar do tempo, uma grande verdade. A maior prova disso foi quando o capitão Marco Streller marcou o terceiro gol contra o Otelul Galati e foi comemorar com o treinador. Os dois se abraçaram e pularam como crianças à beira do gramado.
Heiko Vogel, portanto, tem um mérito incontestável. Soube, a exemplo do que fazia seu antecessor, manter o elenco unido e controlar egos de estrelas como Xherdan Shaqiri, Granit Xhaka, Alex Frei, Fabian Frei e o próprio Streller. Além, é claro, do sucesso na parte técnica propriamente dita.
Resta saber, agora, até onde esse time vai.
CURTAS
ÁUSTRIA
– Ainda é cedo para dizer que a crise foi para o espaço, mas a goleada de 6 a 0 para cima do lanterna Kapfenberger aliviou bastante a pressão no Red Bull Salzburg, que não vencia há sete jogos na Bundesliga.
– O técnico Ricardo Moniz foi ousado e tirou sete titulares do time. Durante a semana, ele já havia declarado que vai enxugar o elenco na pausa do inverno.
– O Admira vem dando provas de que seu fôlego de cavalo paraguaio está mesmo no fim. Neste domingo, perdeu por 3 a 1 e ressuscitou o Sturm Graz, atual campeão austríaco e que vem fazendo campanha apenas mediana.
– Esse resultado, somado ao que aconteceu no sábado (empate do Áustria Viena por 2 a 2 com o Wiener Neustadt, vitória do Rapid Viena por 2 a 1 sobre o Mattersburg e vitória do Ried por 1 a 0 diante do Wacker Innsbruck), embolou tudo na classificação da Bundesliga.
– Áustria Viena, Rapid Viena, Ried e Admira têm 27 pontos ganhos cada. A diferença está no saldo de gols, critério que fez o Almirantado despencar do primeiro para o quarto lugar.
– Na Erste Liga, o Altach bateu o Hartberg por 2 a 0 fora de casa e o St. Andrä fez 3 a 2 no Scholz Grödig em seus domínios. Ambos mantiveram a primeira e a segunda colocações, respectivamente.
SUÍÇA
– O Sion foi até Tuggen e ganhou da equipe de mesmo nome, da terceira divisão, por 2 a 1, resultado que garantiu-lhe vaga nas quartas de final da Copa da Suíça. Mas o clube teve prejuízos, já que seu ônibus foi riscado e pichado por torcedores não identificados. Nas quartas, o Sion pega o Biel-Bienne, da Segundona.
– Na mesma competição, não foi nada fácil a classificação do Basel. O time chegou a estar perdendo por 2 a 1 na prorrogação para o Wil, mas conseguiu a virada com gols de Philipp Degen e Alex Frei. O Lausanne será o adversário nas quartas.
– Os outros confrontos das quartas de final da Copa da Suíça serão Luzern x Grasshopper e Winterhur x St. Gallen.
– O Tribunal Arbitral do Esporte deve divulgar nos próximos dias a sentença do caso Sion x Uefa. O órgão se reuniu na quinta-feira, mas a audiência foi até altas horas da noite. O Sion pede sua reintegração à Liga Europa – foi excluído da fase de grupos por ter utilizado jogadores irregulares, segundo a Uefa.
– Bulat Chagaev, o misterioso dono do Neuchâtel Xamax, depôs semana passada no Ministério Público suíço. Ele é acusado de falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. Chagaev chegou e saiu do local sem falar com os jornalistas.



