Europa

Até onde vai?

Por mais que se pondere certos lados positivos, um clube tradicional sofrer um rebaixamento será sempre algo catastrófico. Porém, alguns exemplos recentes de equipes que lidaram bem com o descenso e se reorganizam durante o percurso de volta sugerem que, ao menos, as segundas divisões já não representam o mesmo inferno de outros tempos.

Entretanto, além de uma queda não ser garantia de reestruturação milagrosa (aliás, já que ela é necessária, por que não fazê-la antes do dano maior ser consumado?), alguns clubes se adaptam perigosamente ao novo mundo longe da elite. Num grupo, temos os times ioiô, aqueles que até voltam ao primeiro escalão de suas ligas rapidamente, mas tornam a cair pouco tempo depois. Tal processo começa a se repetir em intervalos menores de tempo e, quando o clube e os torcedores se dão conta, suas pretensões são cada vez mais humildes – como não ser rebaixado outra vez. O que dizer do Köln, por exemplo? Um dos mais tradicionais clubes alemães caiu pela primeira vez em 1998 e a partir dali entrou num looping de descensos e acessos que parece eterno.

Num outro segmento, ainda pior, há aqueles que não conseguem subir num curto período de tempo e se acostumam a jogar as divisões inferiores. Na Inglaterra, o mesmo Leeds United que dez anos atrás era semifinalista da Champions League, hoje amarga sua oitava temporada distante da Premier League.

Na Suécia, o Hammarby IF é forte candidato a se tornar membro de algum dos clubes acima. Após um 2011 medíocre e bem abaixo das expectativas, o clube partirá para seu terceiro ano consecutivo da Allsvenskan, algo que certamente não estava nos planos de diretoria e torcida.

Antes de falar sobre a campanha desastrosa, vale a breve introdução: o Hammarby é um clube da capital sueca, Estocolmo. Em 2015, completará cem anos do início de seu departamento de futebol (como clube, data de 1897). É verdade, não é gigante nem mesmo para os padrões suecos e só foi campeão nacional uma vez, em 2001. É, contudo, um time tradicional, frequentador dos primeiros lugares da tabela, além de alimentar grande rivalidade com o AIK.

A terceira posição em 2006 foi o último grande momento do HIF. Três anos depois, veio o rebaixamento. A temporada seguinte foi marcada pela irregularidade: com muitos jovens no plantel, o mesmo time que avançou até a final da Copa da Suécia foi incapaz de ir além de um oitavo lugar na Superattan, a segundona sueca.

Mesmo longe do acesso, o cenário para 2011 era promissor. Mesclando nomes experientes como o goleiro Shaaban e o meia Dahl (ambos com passagens recentes pela seleção sueca) ao de promessas como o arisco Castro-Tello, o elenco tinha nível para conseguir o acesso – numa projeção otimista, até com certa folga.

Fora do papel, a história foi bem diferente. O Hammarby piorou em três posições a campanha do ano anterior e sequer passou perto da zona de promoção. E mais: o time só não foi parar no playoff de descenso para a terceira divisão graças a um mísero ponto de vantagem sobre o Värnamo.

As conseqüências foram imediatas: o técnico Roger Sandberg, interino posteriormente efetivado que substituiu Roger Franzén em agosto, não fica. Seu substituto é uma aposta ousada: o ex-jogador norte-americano Gregg Berhalter. Recentemente aposentado de sua carreira como atleta, o antigo defensor construiu toda sua trajetória na Holanda e na Alemanha antes de se retirar no Galaxy, de Los Angeles. O futebol sueco para ele, portanto, será uma incógnita – palavra que, aliás, define perfeitamente o início de 2012 para o seu novo clube.

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Equipe Trivela

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