Europa

Arbitragem em cena

Craig Thomson foi o assunto da coluna da semana passada. Desta vez, citarei Craig Thomson, mas não o jogador do Hearts e sim o árbitro escocês, que esteve presente em alguns jogos polêmicos. Não que tenha sido o responsável ou o protagonista da confusão. Ele apitou, por exemplo, a partida entre Itália e Sérvia no dia 12 de outubro de 2010, que foi interrompida por conta da violência dos torcedores sérvios. Outro jogo em que esteve presente foi a partida entre Ajax e Real Madrid pela fase de grupos da última edição da Liga dos Campeões, que é lembrado até hoje pelas suspeitas de que Sergio Ramos e Xabi Alonso forçaram a expulsão. Thomson é tema da coluna desta semana por conta de algo preocupando que aconteceu no último Campeonato Escocês e que, mesmo com o fim da temporada, ainda há desdobramentos sobre este assunto: a ameaça e a hostilidade em árbitros.

Pelo fato do árbitro exercer uma profissão em que é ameaçado, Thomson é um dos que defende que a remuneração de £ 800 (equivalente a € 890) por partida apitada deveria aumentar para £ 1 mil (€ 1,1 mil). “Não é mais um trabalho de 90 minutos, é quase um emprego integral”, disse nesta quinta-feira. O árbitro afirmou que está confiante de que essa questão será resolvida. “Estamos otimistas por conta do clima atual e das palavras positivas e espero que isso tenha resultado. Conversando com os meus colegas do SSFRA [sindicato dos árbitros], imagino que isso será resolvido antes do começo da temporada.”

A pressão por melhores remunerações é um desdobramento de alguns acontecimentos do último campeonato. Primeiro, o árbitro Dougie McDonald foi muito criticado depois que marcou um pênalti para o Celtic na partida contra o Dundee United realizado no dia 17 de outubro e voltou atrás da decisão. O episódio de McDonald é ainda mais polêmico porque ele tinha justificado para o treinador do Celtic, Neil Lennon, que não marcou pênalti para os Bhoys após consultar o assistente Steven Craven. Mas, McDonald admitiu para a SFA (Federação Escocesa de Futebol) que mentiu para Lennon e confirmou que, na verdade, desistiu de dar pênalti porque percebeu o erro. A atitude gerou revoltada de membros e torcedores do Celtic. E presidente do clube, John Reid, pediu publicamente que Dougie McDonald que a SFA expulsasse McDonald.

Como outros árbitros também estavam sendo criticados pelos técnicos e dirigentes e até ameaçados pelos torcedores, a classe protestou contra essas hostilidades e resolveu fazer uma grave, não apitando nenhuma partida do dia 27 de abril. Quando o boicote foi anunciado, incertezas surgiram já que não se sabia nem se a rodada seria cancelada. A solução encontrada pela SPL (Liga do Campeonato Escocês) foi contratar árbitros de Israel, Malta e Luxemburgo.

Se dois meses depois que acabou a temporada um assunto abordado é a reivindicação dos árbitros, isso signifca que os acontecimentos do último campeonato não foram esquecidos e que existe uma pressão para que esses assuntos sejam resolvidos. Críticas em relação à atuações da arbitragem feitas pelos jogadores, técnicos, dirigentes e torcedores é algo que acontece no cotidiano do esporte. O que não pode se tornar comum é pedir que um membro da arbitragem renuncie, antes de ficar comprovado que este agiu de modo errado ou intencional. No entanto, como no caso de Dougie McDonald – que teve que explicar para a SFA por que desistiu de marcar um pênalti- deve-se investigar quando se estranha uma atitude de um árbitro.

O que o futebol escocês precisa resolver é a questão da ameaça dos torcedores. Tanto que esse foi um dos motivos da greve de árbitros. Outras pessoas também foram hostilizadas, como Neil Lennon, que foi agredido por um torcedor do Hearts durante uma partida realizada em maio. A SFA deve ter como foco o combate a essas ameaças, antes que isso se torne ainda mais comum e de fato pessoas sejam alvo de violência.

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Equipe Trivela

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