Europa

Após quebrar o recorde de jogos pela Croácia, Modric ganhou uma coletiva especial, com perguntas apenas de familiares e amigos

Luka Modric ganhou mais um motivo para se afirmar como o maior jogador da história da seleção croata. Neste sábado, durante a vitória sobre Chipre, o camisa 10 se isolou como o atleta com mais partidas pela equipe nacional. O meio-campista completou seu 135° jogo pelos croatas, superando a marca de 134 aparições estabelecida por Darijo Srna. O feito rendeu diversas homenagens ao veterano de 35 anos, inclusive uma entrevista coletiva especial nesta segunda. As perguntas não foram feitas por jornalistas, mas sim por familiares, amigos, companheiros e treinadores que acompanharam de perto toda essa caminhada.

Modric defendeu todas as categorias da seleção croata na base, do sub-15 ao sub-21. Já sua estreia na equipe principal aconteceu em março de 2006, garantindo um lugar em sua primeira Copa do Mundo logo depois, mesmo como reserva. A primeira competição como titular seria amarga, a Euro 2008, com a eliminação diante da Turquia nas quartas de final – com o empate sofrido no fim da prorrogação e um erro do camisa 10 na disputa por pênaltis. Depois disso, a Croácia fez papel de figurante na Euro 2012 e na Copa de 2014, até voltar aos mata-matas na Euro 2016, vencida por Portugal. Por fim, a consagração de Modric aconteceu em 2018, como um dos protagonistas na histórica caminhada até a decisão da Copa perdida contra a França.

Amigo de infância de Modric, Marijan Buljat foi companheiro de quarto na primeira convocação do camisa 10 à seleção, quando ambos estrearam juntos. O antigo companheiro perguntou sobre as sensações naquele momento: “Eu me lembro bem quando o saudoso Zlatko Kranjcar disse a nós que poderíamos jogar, no almoço antes da partida contra a Argentina. E você sabe, foi algo muito especial. Estar na seleção pela primeira vez, nós dois juntos, que atravessamos muita coisa lado a lado, amigos de infância. Você era como um irmão mais velho e lembra da minha reação quando Kranjcar me disse que eu jogaria. Algo incrível”.

Recordista anterior, Srna participou da conferência. E questionou a Modric sobre qual o momento mais difícil do camisa 10 pela seleção: “Definitivamente foi a partida contra a Turquia, nas quartas de final da Euro 2008. Ficamos abalados pela derrota, foi duro para nós, você sabe como foram nossas reações nos vestiários. Independentemente do que fizemos depois, aquela derrota sempre ficará marcada”. Já o pai de Modric quis saber o melhor gol anotado pelo filho: “Contra a Argentina, por causa de tudo o que fizemos no Mundial da Rússia e da importância da partida. É claro, gosto de todos os gols pela seleção, mas esse é mais especial que outros”.

Mateo Kovacic indagou o que Modric pensa sobre sua aposentadoria da Croácia dentro de alguns anos: “Sim, eu tenho medo desse momento. Quando penso sobre o assunto, certamente será difícil para mim, porque vivi muitas coisas com a seleção. Esse momento será o mais duro. Será difícil tomar a decisão sobre quando parar. Então, fico desconfortável em pensar no assunto. Entretanto, algum dia precisarei tomar essa decisão. Mas, enquanto eu tiver jovens como você do meu lado, para me rejuvenescer, ainda haverá tempo”.

Por fim, a esposa do camisa 10, Vanja, perguntou se o marido projetava quando aconteceria sua despedida do futebol: “Não sei, amor. Veremos. Você sabe o quanto isso significa para mim, quão feliz eu sou quando vou para a seleção. Então… você precisará ser paciente um pouquinho mais. De qualquer maneira, teremos oportunidades para aproveitar e ficarmos mais tempo juntos. Não se preocupe”.

Quem também encheu a bola de Modric foi Ivan Rakitic, em entrevista ao site da Fifa: “Modric é a melhor coisa que já aconteceu para a Croácia. Para mim, ele é como um irmão. Foram 13 anos juntos na seleção, muitas lutas no Barcelona x Real Madrid (risos). Mas, falando sério, ter dois rapazes croatas no maior clássico do mundo é incrível para nosso país. Eu fiquei muito feliz e orgulhoso quando ele ganhou o prêmio de melhor do mundo, porque era para ele e para toda a Croácia. Fiquei muito emocionado. Ele é o representante perfeito para a Croácia ao redor do mundo. Luka me faz sentir orgulho em ser croata”.

Depois da partida contra o Chipre, Modric foi aplaudido em pé durante um jantar com os companheiros. O veterano não segurou as lágrimas. Tão importante quanto o número em si é o reconhecimento por tudo o que o meio-campista construiu. Apesar de outros craques na história da Croácia, especialmente na geração de 1998, o camisa 10 conseguiu se transformar em sinônimo do futebol de seu país. Com a Euro 2020 no horizonte, o meia volta a campo nesta terça, quando a Croácia recebe Malta pelas Eliminatórias.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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