Ano alvirrubro. De novo

O ano do futebol na Grécia, mais uma vez, é vermelho. O Olympiacos já garantiu a Super League e, por se classificar à final da Copa da Grécia, ainda pode conquistar a coroa dupla pela quarta vez nos últimos dez anos.
Na Super League grega, nenhuma novidade. O que vinha se anunciando desde o começo do campeonato acabou por se concretizar. E o alvirrubro de Pireu venceu facilmente, pela 12ª vez em 13 anos, o campeonato grego.
Neste ano foi ainda mais fácil do que a média. Afinal, os alvirrubros tinham as atenções voltadas para o cenário nacional desde agosto, quando foram desclassificados da Uefa Champions League pelos cipriotas do Anorthosis na terceira fase eliminatória da competição. Foi um choque, afinal este era um confronto considerado fácil foi um grande baque para os jogadores, direção e a torcida, acostumados com a disputa da competição europeia.
O desastre da partida de ida, a derrota por 3 a 0 para o Anorthosis em Lanarca, praticamente sacramentou a desclassificação alvirrubra. Logo na primeira partida oficial do clube na temporada, uma goleada decide a sorte do clube na principal competição europeia. A vitória pela vantagem mínima em casa não foi suficiente para evitar o pior.
Este resultado foi o suficiente para que as ameaças de crise começassem a pipocar na equipe. O cargo do técnico espanhol Ernesto Valverde, que havia chegado à equipe grega no começo da temporada com a missão de dar experiência continental ao clube, começou a ser ameaçado. Mas as vitórias no cenário nacional ajudaram a amenizar a dor da desclassificação e a crise passou a ser vista como coisa do passado.
Isto se mostrou um fator importante no momento em que ajudou a concentrar as atenções dos alvirrubros na competição nacional. E, se considerarmos que mesmo quando têm que dividir as atenções com outra competição os Thrylos vencem a Super League, imagine sem este obstáculo.
Além disso, era uma questão de honra fazer uma boa campanha local, já que os arqui-rivais Panathinaikos alcançaram a fase de grupos da UCL e ameaçavam tirar os Thrylos do trono de melhor time grego da temporada. Os rivais verdes até começaram bem a temporada, mas não resistiram à frente dupla -UCL e liga local-, sendo obrigados a se contentar com uma vaga no Playoff das vagas europeias da Super League.
Superado este baque incial, o Olympiacos se estabilizou, e, sem dificuldades, logo abriu enorme vantagem, controlando o cenário nacional com tranquilidade. Assim, pôde controlar a classificação, assegurando o título ainda em Março, com 11 pontos de vantagem e três rodadas de antecipação, na vitória sobre o Panionios, na 27ª rodada da competição.
Na Copa da Grécia, houve um pouco mais de trabalho. Na quarta fase, a primeira que disputou, sofreu para vencer o Diagoras -da Beta Ethiniki- por 3 a 2. Depois, despachou fácil o OFI, em Heraklion, por 2 a 0. Nas fases seguintes, com jogos de ida e volta, o fator campo contou bastante. As vitórias nos confrontos sobre Asteras Tripolis e PAOK no Giorgios Karaiskakis foram suficientes para que o clube voltasse à final da Copa. O próximo desafio, em jogo único, será contra o AEK, em Atenas.
A dominação alvi-rubra no cenário local tem dois pontos. O positivo é óbvio. Afinal, nada como vencer os rivais locais. Mas o negativo vem em decorrência do positivo, já que a exigência da sua torcida aumenta a cada vez que o time comprova a dominação local. Por isso, os alvi-rubros visam o cenário europeu e, para a próxima temporada, a missão de Valverde e dos Thrylos é a de conseguir fazer com que os Thrylos consigam voltar à fase de grupos da Champions League, e consigam superar a campanha da temporada 2007/8, quando alcançaram a segunda fase da competição.
Rumo à África
A África é logo ali? Para os times da região, ainda não dá para afirmar com tanta certeza, e a situação ficou mais complicada depois dos resultados da última rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010.
Quem está em melhor situação é a Grécia. O Navio Pirata disputou um confronto direto contra Israel, uma das seleções melhores colocadas em seu grupo e seu deu bem. Arrancou um empate em um gol na cidade de Ramat Gan (próximo a Tel Aviv) e venceu o confronto em casa, em Heraklion (Creta) por 2 a 1.
Com estes resultados, assumiu a liderança no grupo, com 13 pontos, o mesmo número de pontos da principal adversária à vaga direta para a Copa, a Suíça. Partindo para o velho e batido conceito do “se acabasse hoje”, a Grécia estaria classificada em primeiro lugar pelo número de gols pró.
O problema para os gregos está na próxima rodada dupla do Grupo 2 das Eliminatórias, em setembro. Afinal, serão dois jogos fora de casa para os gregos. Apesar dos resultados fora de casa serem encorajadores -duas vitórias e um empate fora-, o próximo desafio para os gregos será decisivo. O Navio Pirata enfrentará a Suíça em território inimigo, e não pode perder -como fez no confronto em Pireu.
Os Turcos, por sua vez, não conseguiram segurar a Fúria espanhola e perderam os dois confrontos para os espanhóis. Não seria um grande problema, já que os rivais espanhóis são os atuais campeões da Europa e estão cotados entre os favoritos para a conquista do título mundial.
O problema, para a Milli Takim, é que a campanha turca na fase eliminatória tem sido, mais uma vez, irregular. E os empates não têm ajudado em nada na situação dos turcos no grupo. Por outro lado, o principal adversário dos turcos pela vaga na repescagem, a Bósnia, conseguiu duas vitórias no confronto direto contra a Bélgica -enquanto os turcos já tiveram um confronto contra os belgas, em casa, e não conseguiram vencer. Com estes dois empates, os turcos estão na terceira colocação no grupo, com oito pontos (contra 18 da Espanha e 12 da Bósnia).
Não que seja uma situação irreversível, mas os turcos terão que começar a somar três pontos por partida se quiserem chegar à Copa da África do Sul -dentro de campo. Uma boa oportunidade para fazê-lo será na próxima rodada dupla, também em setembro. Não bobear em casa contra a Estônia (no dia 5 de setembro) será um bom começo.
Mas o confronto principal da rodada acontecerá quatro dias depois. Será mais um confronto direto entre turcos e bósnios -confronto que também ocorreu nas Eliminatórias para a Euro 2008. Os turcos não podem pensar em perder pontos, sob o risco de darem a vaga para os seus adversários. O problema para a Milli Takim é que o confronto é fora de casa, situação em que foram derrotados nas últimas eliminatórias. Será que os turcos conseguirão reverter esta situação? Eles esperam que a resposta seja positiva.
Já os cipriotas praticamente deram adeus às suas chances de conseguir uma vaga na repescagem da Copa ao serem derrotados mais uma vez, agora pela Bulgária. Com quatro pontos em cinco jogos -contra 12 em seis da Irlanda, vice-líder do grupo 8-, os cipriotas tem uma missão praticamente impossível. Afinal, tem que descontar uma diferença de oito pontos para a Irlanda para chegar ao segundo lugar no grupo, sendo que ainda restam desafios como Itália fora e Irlanda em casa para os cipriotas. O Chipre volta aos campos em 06 de junho, quando recebem Montenegro em casa.
Mais da Super League
Falta apenas uma rodada para o fim da Super League. E não há praticamente mais nada a ser definido. Com a vitória do Levadiakos sobre o Panthrakikos, o clube verde de Levadia alcançou o ponto que precisava nas duas últimas rodadas para se manter na principal divisão do futebol grego.
Assim, o Olympiacos é o campeão. OFI Creta, Panserraikos e Thrasyvoulos são os rebaixados e disputarão a Beta Ethiniki na próxima temporada. É a primeira vez em mais de 30 temporadas que o tradicional clube cretense enfrentará a segundona grega. A última vez que os Omilos jogaram a Beta Ethiniki foi na temporada 1975/76.
O futebol grego continua em atividade, agora com o Playoff para definir o restante das vagas em competições europeias. PAOK, Panathinaikos e AEK já estão classificados para a disputa deste quadrangular que tem jogos de ida e volta.
Falta o último classificado para o Playoff. Larisa e Aris disputam a vaga. Na última rodada, pegam times que não tem ido bem no campeonato. Aris recebe, em Tessalônica, o Panthrakikos (11º), enquanto o Larisa visita o Levadiakos (13º).
O AEL tem boa vantagem, já que tem dois pontos a mais (46 a 44). Porém, caso empate e o Aris vença a próxima partida, empatarão em pontos e no confronto direto (critério de desempate, já que empataram os dois jogos durante a liga). Isso pode forçar a realização de uma partida desempate entre as duas equipes…
Considerando que não é o sistema mais justo de disputa, apenas uma forma de prolongar a disputa, o Playoff dá (uma pequena) vantagem para os times que terminaram na frente. Assim, o número de pontos do quinto colocado na liga (o último classificado para o quadrangular) é zerado e usado como base para a pontuação inicial dos outros times. Esta diferença é dividida por cinco e aplicada como pontuação inicial do Playoff.
Ou seja, a imensa diferença entre PAOK e Larisa seria reduzida praticamente a pó? Sim. Imagine que o campeonato tivesse acabado neste momento. O quinto colocado seria o Larisa, com 46 pontos. PAOK tem 60, Panathinaikos tem 58 e o AEK tem 54. Assim, os 14 pontos de vantagem do clube de Tessalônica seriam divididos por cinco, o que significaria que os alvinegros sairiam com três pontos no Playoff. O PAO tem 12, e sairia com dois pontos, empatado com o AEK, que tem 8 de vantagem sobre o AEL.
O campeão do quadrangular leva a vaga para a terceira eliminatória para times não campeões nacionais da nova Champions League. As outras equipes se classificarão para a nova Europa League, a sucessora da Copa Uefa. O último entra na segunda eliminatória, o terceiro na terceira fase eliminatória e o vice vai para a fase seguinte, que antecede a fase de grupos da Europa League.
Na Beta Ethiniki, praticamente tudo definido também. Com 30 das 34 rodadas disputadas, Atromitos de Atenas (67 pontos) e PAS Yannina do oeste da Grécia (61) já se garantiram na próxima Super League. O Kavala, do norte, tem 58 pontos e só precisa vencer o seu próximo encontro (contra o Pierikos, no dia 27/04) para se garantir na primeira divisão do ano que vem -já que Kerkyra e Ionikos vem bem atrás, com dez pontos a menos.



