Europa

Al-Khelaïfi, no primeiro discurso como presidente da ECA: “A Superliga tentou nos dividir, mas falharam e estamos mais fortes”

Mandatário do PSG agora preside também a associação de clubes e fez um discurso contra a Superliga

Enquanto as seleções se enfrentam na Data Fifa, a semana é decisiva também no âmbito dos clubes, ao menos nos bastidores. Nesta segunda-feira aconteceu o primeiro encontro presencial da Associação de Clubes Europeus (ECA) desde o início da pandemia. Também é a primeira assembleia geral desde que a Superliga Europeia veio à tona e fracassou. Assim, o assunto estaria presente no primeiro discurso de Nasser Al-Khelaïfi como presidente da entidade. O mandatário do Paris Saint-Germain assumiu o posto depois que Andrea Agnelli, da Juventus, virou um dos cabeças da Superliga e não poupou críticas ao malfadado projeto.

“Não vou perder muito tempo falando sobre o dia 18 de abril e a ‘não-tão-super liga’ porque não gosto de me focar em fabulistas e fracassos. Juntos, defendemos os interesses do futebol europeu para todos – jogadores, clubes, ligas, federações e, sobretudo, torcedores”, comentou. “Enquanto os três clubes rebeldes gastam energias, distorcem narrativas e continuam gritando para o céu, nós seguimos em frente e focamos a energia em construir um futuro melhor para o futebol europeu – juntos como um só”.

“Queremos que a ECA seja o coração do futebol europeu – uma parte importante e poderosa que orienta os compromissos e o desenvolvimento por uma família do futebol unida na Europa. Também queremos que a ECA represente e apoie cada vez mais clubes europeus de futebol profissional, por isso representamos verdadeiramente os interesses de todos”, complementou Al-Khelaïfi. “Recentemente, tentaram nos dividir. Eles tentaram nos separar e nos fazer mais fracos. Mas falharam. Conseguiram exatamente o contrário: nos uniram e agora estamos mais fortes. Tenho confiança de que o futuro do futebol europeu não poderia ser mais brilhante”.

Barcelona, Juventus e Real Madrid, que ainda defendem a criação da Superliga, não compareceram no evento. Em compensação, a ECA readmitiu os outros nove clubes fundadores que participaram do projeto e pularam fora do barco ainda em abril. “Como vocês sabem, os nove clubes que pediram para voltar à nossa família foram reintegrados nas estruturas com compromissos renovados, para fortalecer nossa associação. Eu dou boas-vindas nessa volta à família ECA. Agora, olhando para o futuro, vamos encarar os desafios que o futebol europeu enfrenta atualmente. A ECA precisa evoluir, com um propósito mais forte”, aponto.

Al-Khelaïfi, além do mais, reiterou a aliança com o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin: “Contamos com a determinação e a força do presidente Ceferin, que resistiu ao golpe na calada da noite – e as pessoas com memória curta precisam se lembrar que foi exatamente isso. Todos vocês devem saber que o presidente Ceferin estava confiante desde o início. Falamos na madrugada e ele disse que venceríamos. Nós conseguimos. Obrigado, presidente Ceferin”.

Al-Khelaïfi ainda apresentou em seu discurso um plano de cinco pontos para desenvolver o futebol europeu. As medidas incluem a estabilidade financeira; o fortalecimento de relações entre os clubes; mais benefícios aos membros da ECA; diversidade e inclusão; e renovação de espírito e valores. Basicamente, o projeto parece mirar uma divisão maior de poderes e um crescimento em conjunto. Ainda assim, existe o risco de que tal relação se resuma a migalhas aos times menores e os clubes mais poderosos se beneficiando ainda mais de uma estrutura desigual. É difícil acreditar em tais palavras, quando a realidade já apontava para grandes abismos mesmo antes da Superliga vir à tona.

A demagogia em certos pontos do discurso é inegável e cria ainda mais ruídos quando é o presidente do PSG quem deseja ser esse “representante dos clubes por um futebol mais igual e financeiramente estável”. Porém, se a ECA possui diversos problemas, ela não representa uma ruptura tão abrupta e incerta quanto a Superliga. O que deve ocorrer nos próximos meses é uma reorganização de forças no futebol europeu, que não significará necessariamente uma distribuição mais ampla dos recursos, mas que tentará brecar de vez a Superliga.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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