A vontade não bastou contra a qualidade
Depois de um dia intenso na Liga dos Campeões, a empolgação diminuiu bastante nesta quarta-feira. Em situação bastante diferente de Manchester United x Real Madrid e Dortmund x Shakhtar, Juventus e Paris Saint-Germain eram amplos favoritos em seus confrontos – elencos melhores, vitórias no primeiro jogo e vantagem de decidir em casa. Por mais que Celtic e Valencia tenham se esforçado, faltou qualidade para proporcionar uma surpresa na rodada.
Os espanhóis até tiveram a classificação em suas mãos por dez minutos, graças ao belo chute de Jonas, mas nada que parecesse ameaçar demais o PSG. A falta de qualidade na criação de jogo do Valencia é evidente. Podendo empatar, os parisienses se limitaram a defender bem durante o primeiro tempo. E, quando a situação apertou, Carlo Ancelotti contou com a excelente participação de Kevin Gameiro, dando a presença física que o ataque não tinha com Ezequiel Lavezzi e Lucas e iniciando a jogada para o gol da classificação.
Lucas, aliás, esteve bem abaixo de sua atuação no jogo de ida. Embora tivesse mais liberdade, atuando no ataque, o brasileiro apresentou pouca mobilidade e errou demais. Foram seis perdas de bola, além de apenas 67% de aproveitamento nos passes. Nenhuma de suas três finalizações foi em direção ao gol. Para sua sorte, as linhas de marcação estiveram praticamente impecáveis, assim como já tinha sido no Mestalla.
Já em Turim, a vontade do Celtic sequer deixou a Juventus em apuros. Conforme prometido, Antonio Conte poupou alguns de seus titulares, o que não significou vida fácil aos adversários. Os escoceses até tinham iniciativa, mas viram suas esperanças se esvaírem logo aos 24 minutos, quando um erro na saída de bola culminou no gol de Matri.
As virtudes do Celtic na fase de grupos acabaram sendo sua ruína. Se a defesa não funcionou em Glasgow, desta vez o jogo aéreo que foi usado em vão. Foram 34 cruzamentos e 80 lançamentos dos Bhoys, contra 10 cruzamentos e 52 lançamentos da Juve. Os escoceses ainda finalizaram mais que o dobro que os italianos, 15 a 8, quando a única chance real de gol veio em um chute de longe que passou próximo à trave. Por fim, pesou o talento de Andrea Pirlo, em lance genial que abriu o caminho para o segundo gol, de Fabio Quagliarella.
Não foram desafios tão grandes, mas Juventus e Paris Saint-Germain seguem como candidatos ao menos às semifinais da LC. Enquanto os parisienses ainda precisam demonstrar uma consistência maior na competição, os bianconeri se impulsionam pela qualidade do conjunto. Até mesmo no ataque, onde a equipe de Antonio Conte demonstrava suas maiores carências, Alessandro Matri tem aparecido bem. Agora, é esperar o comportamento de italianos e franceses contra peixes tão grandes quanto ou maiores nos mata-matas.